<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305</id><updated>2011-12-10T15:11:35.887-02:00</updated><title type='text'>Virtualidades</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alanviola.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>118</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1252320327152785043</id><published>2011-11-10T17:11:00.003-02:00</published><updated>2011-11-10T17:22:00.027-02:00</updated><title type='text'>O nascimento da crônica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O nascimento da crônica&lt;br /&gt;Machado de Assis&lt;br /&gt;Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica. Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.Quando a fatal curiosidade de Eva fez-lhes perder o paraíso, cessou, com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, os tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica.Que eu, sabedor ou conjeturador de tão alta prosápia, queira repetir o meio de que lançaram mãos as duas avós do cronista, é realmente cometer uma trivialidade; e contudo, leitor, seria difícil falar desta quinzena sem dar à canícula o lugar de honra que lhe compete. Seria; mas eu dispensarei esse meio quase tão velho como o mundo, para somente dizer que a verdade mais incontestável que achei debaixo do sol é que ninguém se deve queixar, porque cada pessoa é sempre mais feliz do que outra.Não afirmo sem prova.Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: que calor! Que sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido!Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, dar às nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos, lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as horas quentes do dia?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O texto acima foi publicado no livro "Crônicas Escolhidas”, Editora Ática – São Paulo, 1994, pág. 13, e extraído do livro "As Cem Melhores Crônicas Brasileiras", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2007, pág. 27, organização e introdução de Joaquim Ferreira dos Santos&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1252320327152785043?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1252320327152785043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1252320327152785043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/11/o-nascimento-da-cronica.html' title='O nascimento da crônica'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2546677895864560455</id><published>2011-09-19T18:57:00.000-03:00</published><updated>2011-09-19T18:58:01.928-03:00</updated><title type='text'>Desglobalização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parece que o conceito desglobalização vai ganhar cada vez mais força.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A "Interdependência Complexa " está com os anos contados, dizem vários analistas. Seria o fator China o principal motivo dessa recuada? Ou a fúria do lucro fácil do sistema financeiro inter-conectado? De qualquer forma, tudo indica que a desglobalização vai ser o "novo" caminho dos países.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2546677895864560455?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2546677895864560455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2546677895864560455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/09/desglobalizacao.html' title='Desglobalização'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7138964553044506221</id><published>2011-08-16T18:00:00.001-03:00</published><updated>2011-08-16T18:19:59.819-03:00</updated><title type='text'>s 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-FyaSGnhsIWo/TkrapBcL39I/AAAAAAAAALU/Rl4aXTBeYEM/s1600/discuss%25C3%25A3o.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; 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Se eu entendesse eu diria: entendo.&lt;/em&gt; Uma resposta servil a um mundo militarizado.&lt;br /&gt;O teatro de Gerald revela o que deixamos ser construído: um vazio que nos faz tatear endereços, um caminho sem volta, o conhecimento inútil da nossa fragilidade. O painel do corpo pendurado, um Freud perdido, super-heróis em pastiche, os mantras dos nomes, algo que precisa ser anunciado porque está revelado demais ( continuo amanhã, diria o pensamento, diria o cansaço que se disfarça, mas o amanhã será apenas a repetição em um labirinto contínuo, amanhã, onde a saída?, o que fazer se o que vejo apenas me representa nesse cenário de ruínas. ).&lt;br /&gt;Ilse, em &lt;em&gt;Os Gigantes da Montanha,&lt;/em&gt; de Pirandello, representa a fragilidade da arte diante de um mundo cada vez mais rude – o que resulta em seu esfacelamento pela platéia, num ato radical para que parasse aquela apresentação. Ela é a protagonista do ato absurdo que, cercada pela sua trupe mambembe, demonstra sua dor trágica e o transe incontrolável.&lt;br /&gt;A estrada que Pirandello escolhe não é a de Damasco, não é a encruzilhada da simples escolha imediata. Pirandello escolhe a estrada que o leva à esfinge, sabendo que a via transversal a ela sempre leva, por ela sempre passa, marcando com um xis o perigo do encontro, montando o confronto. E para ele, assim como disse tempos depois Artaud, “a qualquer pergunta da esfinge a resposta seria: O Homem!”&lt;br /&gt;Se em Pirandello a vida detona a arte, em &lt;em&gt;Gargólios&lt;/em&gt;, de Gerald Thomas, há o açougue humano, a peça de carne pendurada figura como um crucifixo ou um adorno inevitável, dentro da peça onde super-heróis travados buscam ao menos falar. Nem isso, são super-heróis fabricados pela própria vontade esfacelada, mas não se mantêm em pé, suas asas coladas ameaçam um vôo irrisório e sua agonia é a de nosso tempo intra-conectado: é preciso revelar, mas o quê?&lt;br /&gt;E se os mantras marcassem rápido demais, devagar demais, colagem demais, nessa repetição dos nomes e coisas que apenas não interessam. Esvaziada a potência do homem por qualquer ganância, por guerras com sentidos bem claros e outras sem sentido algum, o que sobrou é a análise dessa nulidade. Mas nem isso é mais possível – há um vazio que nos pergunta: achou engraçado? Pois é, chegamos nesse estado, decida aí qual sentimento você escolhe para disfarçar isso. É só esta realidade que temos no cardápio, mas temos várias sombras de sobremesa, “mas tudo igual, tudo a mesma coisa”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2685855365931700557?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2685855365931700557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2685855365931700557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/07/o-acougue-humano-de-gargolios.html' title='O açougue humano de Gargólios'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5625871137393512824</id><published>2011-06-23T16:04:00.003-03:00</published><updated>2011-06-24T00:35:23.712-03:00</updated><title type='text'>Jardim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem estive com L. F. Lima e Silva nos Jardins. Ela estava vestida para o jardim, com um conjunto cinza de algodão cru e uma sapatilha de tecido branco. Não me encontrava com ela desde a polêmica em que se envolveu por acaso em um leilão com um crítico de arte: quando acabou provando que um objeto não era verdadeiro.&lt;br /&gt;Percebi que o esmalte a mortiçava um pouco, algo azul – lilás. Preferi não olhar mais para suas mãos leves e restauradas, mas isso era quase impossível, pois o anel de diamante piscava bem em sua coxa. Sentava-se em um lindo banco de imbuia estilizado em bambu ( ela me disse que lera em um site que a imbuia era resistente ao ataque de organismos xilófagos ). O banco a adornava mais ainda, às vezes parecia uma estátua de marfim, se vista de lado. Ajudava parecer assim porque movia apenas a mão direita, como se buscasse o rapé. Falava-me nessa tarde de suas agruras e sofrimentos repentinos, como a cena que presenciara na Alameda Santos há uma semana: uma criança tentara comunicação com ela, lhe pedira uma esmola no semáforo, sem aviso. (Mas ela falou sinal, porque tinha formação carioca, e foi lá que desenvolveu essa elegância despojada, como se estivesse sempre saindo do banho em direção ao sofá, desprezando compromissos). Bem, uma criança pedia uma esmola no semáforo e ela, condoída por ver aquela criancinha de nariz sujo e olhar inquieto arranhar o vidro laminado de sua Mercedes, ordenou ao motorista que abaixasse o vidro o suficiente para lançar por ali uma nota de 20, certamente a menor que encontrara em seu pequeno estojo indiano de madrepérolas. Nesse instante, ela continua – buscando com o olhar um lírio que ameaçava abrir uma flor no jade - nesse instante o carro avançou, pois o sinal abrira. A nota, após agarrar na parte de cima da porta do automóvel, voou, tomou vida, e a criança – perdida e ansiosa – lançou-se contra a nota e o trânsito desumano do entardecer paulista. Eu nunca busco sair nessa fase do dia, mas foi inevitável, pois mudaram minha rotina.&lt;br /&gt;E eu vi, Flávio, falava meu nome como se de um usuário de sua elegância, eu vi a cena tripartida, vi aquela criança sendo lançada pelos ares, como a nota. Não era um espetáculo de golfinhos, eu mesma não entendi porque pensei em golfinhos, veja: eu me atingi com cena tão rápida e cruel, com a aparição da menina - sua face ainda freqüenta minha memória ( se deixar de olhar o lírio? Pensei sem maldade. ). Imediatamente liguei para os bombeiros denunciando a urgência, mas tive que seguir adiante, pois o trânsito não permitia recuos. Soube que ela felizmente está em um hospital. Como li de um poeta, carioca como sua madamidade, foi o contato furioso da existência. L.F. Lima e Silva entrou no espaço do contato furioso da existência. Um silêncio pairou no amplo jardim desenhado para ser natural de L. F. Lima e Silva, não ousei interrompê-lo. Também acompanhei o lírio que trazia à vida aquela majestosa flor branca ( sem saber ao certo se chamava de lírio a planta ou a flor ). Ele enfeitava a entrada do pequeno templo ao seu deus Nada, tão adorado em seu círculo íntimo. Os dedos de L. arranhavam o algodão, como se prenunciasse um ataque de nervos. Depois percebi que era um chamamento para seu Birmanês que, li num site, acalmava nas crises. Tomamos o chá em respeitoso silêncio, vinha entardecendo rapidamente e seu diamante lançava sinais para o verde escuro da mata domesticada – comunicando o ponto de referência do chá para a criadagem, sempre rondando sua presença.&lt;br /&gt;Até mesmo me esqueci que estava ali para convidá-la para a exposição de Aguino Matierrez: O Vazio, patrocinada pela sua fábrica de sabão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5625871137393512824?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5625871137393512824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5625871137393512824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/06/jardim.html' title='Jardim'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3907823864975109360</id><published>2011-06-08T23:06:00.003-03:00</published><updated>2011-11-10T17:07:04.344-02:00</updated><title type='text'>Uma frase no poema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando me disseram que o fim da literatura foi decretado entrei em pânico. Corri para o computador para uma busca fatal, como se corresse em um corredor de uteí.&lt;br /&gt;Havia um compasso de não deixe o samba morrer nisso, eu buscava alguma oxigenação possível, algum desmentido repentino, um dizer de zombaria, cheguei mesmo no espaço onde essa revelação se dera, ainda que essa audácia em ver me lançasse também para o poço – me levasse junto nessa morte horizontal proposta.&lt;br /&gt;Era verdade, estava escrito na parede. Cheguei a ver ainda um pequeno curto-circuito de fios azulados que pendiam de uma cam desligada – o site poderia se incendiar.&lt;br /&gt;Pensei em me vingar e lançar meu estupendo romance ainda não escrito para o esquecimento do delete futuro, lá, onde ninguém recupera. Pensei ainda na acidez dos que lêem os contemporâneos com os olhos da severa perfeição dos que os antecederam, sem perceber que lá estavam os romeros prontos para deter surgimentos – ou insistem, pior, que eles não sejam mais referência, como se o tempo não viesse quase sempre anular as datas. O campo estava minado.&lt;br /&gt;Não seria possível que somente eu, como leitor, estivesse assim tão iludido com o deleite irresponsável de tantos textos. Busquei ali e aqui alguma teoria para refutar os experts, reli Barthes para ver se afinal o tal fulgor tinha mesmo se apagado, e toda apologia me pareceu inócua. Tentei ainda uma mantra mallarmaico, uma vibração rimbaudiana, reli um Baudelaire: &lt;em&gt;E cujo olhar me fez renascer de repente &lt;/em&gt;– a esfera francesa. Nada se modificava. Julguei que talvez fosse preciso estar dentro do processo, sentir suas artimanhas – de alguma forma ser um visitante convidado.&lt;br /&gt;Tentei alguma alquimia para sobreviver ao precipício, e comecei a relembrar os textos que realmente me envolviam. Tentei ver o crítico em mão dupla, mas por desgraça me lembrei que ele sucumbiu em trânsito, nos limites da fronteira, nas passagens dos perigos. Tive tempo ainda para reavivar meu ódio aos nazis. “ &lt;em&gt;Como vê caminhos por toda a parte, ele próprio se encontra sempre numa encruzilhada&lt;/em&gt;.” Busquei lembrar, num salto, que as margens eram olhos e “&lt;em&gt;o verde mudava sempre, como a água de todos os rios em seus lugares ensombrados&lt;/em&gt;.” Fugi para o Oriente “&lt;em&gt;Basta entoar esta frase e a abundância da terra desabrocha. A imaginação se afoga antes mesmo que se termine de pronunciar a frase&lt;/em&gt;.” E uni nesse reforço a torres “&lt;em&gt;que sobem e sobem como escadas angélicas em direção ao céu azul e luminoso, ostentando no alto, entre bandos de corvos, verdadeiras multidões de esculturas gesticulantes&lt;/em&gt;” - “&lt;em&gt;essas noites estão sempre à minha espera.&lt;/em&gt;”– as minhas frases dos outros. Não satisfeito, ainda tentei algo mais e busquei “ &lt;em&gt;Que floresçam fantasias segundo a moda do dia&lt;/em&gt;”, “&lt;em&gt;porque se as pedras dão vozes, voam, são animadas de um sopro, de respiração própria, também as estátuas sopram, decerto o espírito de Deus&lt;/em&gt;”- “ &lt;em&gt;e visto que se não se pode fazer com que caiba em um nome muito mais duração que espaço&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Seria como se os textos tão diversos se colassem em um único. Era uma espécie de oração, um chamamento - eu chamava de volta a literatura, implorava sua ressurreição.&lt;br /&gt;Desprezando a técnica tão bem ensaiada dos que manjam da criação, ainda tentei dispensar, por uma janela esquisita, os petardos que insistiam lançar para que os autores se calassem– se matassem engolindo os verbos arbitrários, os adjetivos seminados.&lt;br /&gt;Como? Como se calariam deixando o silêncio baixar por ordem do decreto?&lt;br /&gt;Busquei na minha pequena biblioteca algo que retirasse de vez esse veneno, alguma passagem, terceira margem que se criasse para além dessa Cila e Caríbdis. Um não-monstro que permitisse a passagem do narrador. Algum alargamento que diluísse o estreito do final, uma pinguela que fosse, alguma asa improvisada. Onde, onde estariam os outros? Os que impulsionam as leituras, os co-criadores, os que buscassem a criação para aumentá-la, os que lançassem sobre ela o pó de Apolo, que mantém intacto um corpo dilacerado? A imagem de que o mar não sofre o que morre, do que li, me feria a visão. Eu preferia o cuidado com o balanço da canoa () do ponto que ouvia envolvendo a corda-bamba do movimento.&lt;br /&gt;Uma certa crença na superação da malandragem, destituindo os camerlengos.&lt;br /&gt;Que deus anti-deus soprou afinal esse despacho? Seria a lasciva previsão do não presta? Seria o chamamento para uma crise que não vinha? Seria de fato o desprezo do excesso, do ruim fragmentado que chega a toda hora ancorado pelos bytes infinitos? Ou uma secura generalizada, como uma peste?&lt;br /&gt;Que riso canhestro poderia ainda confirmar tal ruína? Se o poeta diz taça – poderia estar dizendo sobre o adorno? Se em São Paulo você pede pingado, eles te servem uma média. Se você busca o belo, mas ele já se foi. “&lt;em&gt;Uma meta existe para ser um alvo Mas quando o poeta diz: "Meta" Pode estar querendo dizer o inatingível”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Nada, não buscaria me aparelhar – e isso não é difícil – para colocar diante da leitura uma proteção de bronze. Nada, eu queria mesmo era buscar um fluxo descompromissado que deslocasse as palavras em sentido imperfeito, uma navegação própria do adivinho que sequer ouvia mais o grito à direita da ave: vá. Que fosse o prazer inundado de uma história simples, e parecia tão antiga, que fosse um simbólico verso que atravessava o tempo vindo cair numa colagem suspeita. Eu talvez buscava inebriado a verve do crítico que se lia, as portas fechadas do texto não-citado, algum jardim de lírios explodindo no sol. Se na minha leitura o que valesse seria a imagem esculpida em estalos inspirados, se o que valesse era a elaborada intenção de se parecer inútil, um espiralado desenho. Atravessei a madrugada tentando defender meu prazer de leitor, acendendo na memória a estrela que se apagava em curva. E quando o sol surgiu trazendo aquele ventinho gelado, algo me assaltou: um arrepio me fez perceber que não falávamos da mesma ação. Que antimágica rodeou o ori do poeta da prosa? Que paura invejável dos que percebem os perigos sutis. Se alguém escreveu para além da leitura, se outorgou sem nada apenas seus rabiscos. Depois de um império breve onde tudo deveria ter significado ( e mesmo visual ) agora algo que se intrometesse para além da caneta vermelha, e escapasse do retorno fulminante do não vai dar, um rompimento sem querer com a opinião. E ficou assim, um retorno para um espaço etéreo, uma localização sem pegadas, um artifício inacabado.&lt;br /&gt;Os que liam e pediam o silêncio não freqüentavam mais o meu olhar diluído. Estavam em função, dissecando algo talvez que não lhes pertencesse – porque escapados dessa luminosidade anunciavam um fim. E mesmo a simplicidade desse pensamento – tão fácil de se aprisionar e desmerecer – tinha um vigor, um mistério inalcançáveis.&lt;br /&gt;Eu poderia ler de novo, recuperava a liberdade dos que lançam em direção ao desconhecido um abraço descartável.&lt;br /&gt;Eu poderia ler sem culpa os velhos e os novos, pois que o tempo inscrevia quem nele estivesse por acaso. Ler o poeta mais ou menos eu poderia. Admirar o contista ingênuo eu poderia, eu poderia me deleitar com o romancista imitador dos clássicos, da edição do autor, eu poderia linkar o atônito anônimo de um blog sem marcas e sem visitas.&lt;br /&gt;Eu poderia dizer sim aos que perguntam na porta dos centros culturais com seu livrinho na mão: você gosta de poesia?&lt;br /&gt;Que algo se movia em direção a essa generosidade, e higienizava toda sentença ácida.&lt;br /&gt;Foi o poeta que a ditou&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se as coisas são estilhaços &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Do saber do universo, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seja eu os meus pedaços, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Impreciso e diverso. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eles foram e não foram&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3907823864975109360?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3907823864975109360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3907823864975109360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/06/uma-frase-no-poema.html' title='Uma frase no poema'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6507275143557975331</id><published>2011-06-04T14:46:00.002-03:00</published><updated>2011-06-04T14:50:32.598-03:00</updated><title type='text'>pau-brasil</title><content type='html'>Eu desconfio que a sociedade de forma geral não tem essa ligação com a Amazônia ( distância? desconhecimento? desinteresse?). Com o índio também não: ele que se adapte, diz a voz do espectro do bandeirante que ainda habita no senso comum.&lt;br /&gt;Há muito de jesuíta e bandeirante na alma do brasileiro ( aquele que extrai o pau-brasil ).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6507275143557975331?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6507275143557975331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6507275143557975331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/06/pau-brasil.html' title='pau-brasil'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3312156131825388719</id><published>2011-04-28T21:24:00.002-03:00</published><updated>2011-04-29T00:39:08.925-03:00</updated><title type='text'>Prefiro a ficção banal</title><content type='html'>Depois de conferir em um dia que a banalidade está bem maior no cotidiano que na ficção ( e onde o ácido crítico incisivo para repreendê-la? Essa narrativa vazia - esse esforço maquiado para levar adiante a fraqueza do enredo.).&lt;br /&gt;Trump, que não é Madoff, sei lá por quê, exigindo uma certidão de nascimento a Obama – que não pertencem ao mesmo mundo é notório e juramentado.&lt;br /&gt;Trump é ianque de carteirinha – o self-made man montado em um mundo de botox e antiderrapantes. Um mundo de reagans e bushes assessora seu sorriso pontual – e um campo de golfe desenha a imensidão que conhece.&lt;br /&gt;Uma promotora treinando a loucura para se livrar do lamaçal do mensalão do demo. Que cena patética e mais banal se poderia presenciar? A cabra cega do lenço verde tateia as câmeras gigantes enfiando a mão nas grossas lentes como se perfurasse a imagem.&lt;br /&gt;Ah, tem as mães desovando os bebês em lata de lixo de banheiro hospitalar e em caçamba. Caramba. Medeias mequetrefes em sombras.&lt;br /&gt;Deixei passar o que o demônio do ressentimento fez naquela escola, eu nem quis ver essa nódoa. Nesse pesadelo não entrei por fraqueza mesmo.&lt;br /&gt;Já não basta a banalidade da política formal que mal se explica em contas e gastos e mais gastos sem nenhum resultado? E tudo que se arrecada em real fica assim, onde? Diluído.&lt;br /&gt;E a famigerada revisão do Código Florestal que vai destruir as matas ciliares, os rios – a água, vai abrir gigantescas portas para mais desmatamento e mais e mais destruição do país em nome da produção? Aldo, deputado, vê o futuro do país guiado pelo dogma do passado russo – e vai fazer o papai Estado pisotear as futuras gerações, mas o dogma só vê a ação do presente. Ancora ainda esse discurso a senadora Kátia, que também é presidente da Cna: ambos nunca ouviram falar que uma tal de tecnologia poderia triplicar/quintuplicar a produção agropecuária sem que preciso fosse derrubar mais uma árvore? A tecnologia - ela, a &lt;em&gt;tekné&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;empeiria&lt;/em&gt;, sabe ela? Sabe dela? Ei, já ouviram falar em tecnologia - vocês aí da revisão do código florestal, já leram os dados, já estudaram os que se opõem? Não né?&lt;br /&gt;Já não basta que os ditadores do oriente, espetados por protestos recentes da sociedade, anunciam rendição branca enquanto fazem ao mesmo tempo a chacina diária?&lt;br /&gt;Eu quero deixar meu You're fired também. A quem encaminho a petição? A seta vai pra onde? Onde direciono o meu raio?&lt;br /&gt;Fugindo da insônia, invencível, liguei a tv. Duas mulheres idênticas acenavam em canais vizinhos – 14 e 15 - soluções mágicas pela fé.&lt;br /&gt;Uma fluidificava um copo com água enquanto orava ao Deus de Abraão ( o que ia sacrificar o filho no altar da fé na “ação sem verbo”, para mostrar sua obediência sem fim ) e ela alertava: tome uma atitude de fé e fortaleça a obra do senhor, senão nada de vitória; a outra espargia mandatos de confiança nas entidades encapsuladas, algumas desnudas não como as índias, mas como amazonas vermelhas sorrindo um timeti - que ela faz e desfaz qualquer trabalho ( seu turbante azul confirmava ), derruba qualquer inimigo seu, detona mesmo, manda falange fechar empresas e amarrar amores, enquanto seu cenário de cera e pedra polida revelava o congá fake que fazia uma vela elétrica tremer a água azul de uma fonte de plástico.&lt;br /&gt;Ih, ainda tem o casamento real – onde o príncipe sorridente envolverá em névoas beneplácitas de polidez a plebéia fashion na carruagem dourada. Que tenham muitos filhos reais e sejam felizes para todo o sempre.&lt;br /&gt;Vou mandar essa realidade ver se estou em alguma esquina virtual.&lt;br /&gt;Realidade: vá ver se estou lá na Cam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3312156131825388719?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3312156131825388719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3312156131825388719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/04/prefiro-ficcao-banal.html' title='Prefiro a ficção banal'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7923097647031838012</id><published>2011-04-26T15:35:00.006-03:00</published><updated>2011-04-26T15:50:30.404-03:00</updated><title type='text'>Gerald Thomas - entrevista para O Globo sobre Nada Prova Nada!</title><content type='html'>&lt;a title="Capa do livro 'Nada Prova Nada!', de Gerald Thomas / Foto Reprodução" href="http://oglobo.globo.com/fotos/2011/04/25/25_MVG_cult_gerald.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;RIO - Dois Baracks (Obama, um pré e um pós-Casa Branca), um La MaMa (Theatre, lá de Nova York), saudades de Beckett e perplexidade frente à Paixão antissemita de Mel Gibson diversificam o cardápio literário servido por Gerald Thomas no livro "Nada prova nada!". Nas livrarias esta semana, via editora Record, a coletânea de crônicas, a maioria delas pinçada da blogosfera, condensa a vocação de escritor, de comentarista político e até de jornalista do polêmico diretor teatral. É seu momento Forrest Gump, contando suas histórias da História. Preparando-se para encenar em Munique seu mais recente espetáculo, "Throats", montado em Londres de fevereiro a março, Gerald, morando em solo nova-iorquino, comenta nesta entrevista sua experiência como cronista, atualiza as novidades sobre "Copywriter", longa-metragem que tenta rodar desde 2002, e fala dos dez anos da tragédia do 11 de Setembro.&lt;br /&gt;O GLOBO: Escrever crônicas alimenta suas ambições literárias?&lt;br /&gt;GERALD THOMAS: &lt;strong&gt;Fora "Pedra de toque", texto inédito escrito para o livro, o que você lê é o resultado de sete anos de blog, com milhares de textos produzidos. Alan Flavio Viola, que fez a seleção da coletânea, reuniu um conjunto de crônicas que me dá um gás para tentar outra coisa. Se eu não tivesse com as mãos ocupadas com "Throats", que virá para São Paulo em maio, eu poderia tirar um ano sabático e escrever um romance. Bom... não sei se seria um romance. Talvez eu tivesse que fazer o livro sobre o teatro La MaMa. Já me falaram em um livro sobre Beckett, mas eu não sou um crítico analítico. Ele foi meu mentor.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lidas em conjunto, as crônicas adquirem um tom nostálgico. Você mesmo fala em nostalgia na primeira pessoa. São saudades de quê?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu desabafo. Desabafo no livro, desabafo no blog ( &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://geraldthomasblog.%20wordpress.com/" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;geraldthomasblog.wordpress.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; ), desabafo no palco com a companhia, a Dry Opera. Sou um falador. Sempre fui. E tô muito velho para mudar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No entanto, mais que desabafar, você traça uma História particular da segunda metade do século XX e da primeira década do XXI no livro, num espírito Forrest Gump. Você presenciou alguns dos principais eventos dos últimos 50 anos. Essas crônicas são a memória desses eventos?&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt; Estava num apartamento virado para o World Trade Center quando o 11 de Setembro aconteceu. Estava no Tennessee quando o dr. Martin Luther King foi assassinado "&lt;br /&gt;Estava num apartamento virado para o World Trade Center quando o 11 de Setembro aconteceu. Estava no Tennessee quando o dr. Martin Luther King foi assassinado. Fazia parte do comitê de campanha de Obama quando o primeiro presidente negro dos EUA foi eleito. I've always been there. Por isso, o livro parece um passeio pelo mundo das catástrofes, indo das loucuras de Muamar Kadafi à merda da intervenção americana no Iraque. Sou testemunha acidental da História. Acidental ou premonitória.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Leitores de seu blog postam perguntas do tipo: "Gerald, o que você vai fazer para lembrar os dez anos do 11 de Setembro?" Já decidiu?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem sei onde eu vou estar no 11 de Setembro. Provavelmente eu vou estar aos prantos. Talvez eu ainda esteja na Alemanha encenado "Throats". O que eu posso dizer sobre o 11 de Setembro hoje é que inverteram-se as cartas que nos fizeram sentir patrióticos no momento da tragédia. Ficou claro para todo mundo o envolvimento do Bush e do Dick Cheney em tudo aquilo. Para justificar uma invasão sangrenta ao Iraque, inventaram uma conexão do Saddam Hussein com os atentados e caçaram o cara até achá-lo num buraco suspeitíssimo. E o pior é que uma imunidade política impediu que o Bush fosse investigado. Isso aqui não é uma democracia. É uma república de mãos incrivelmente sujas. Os americanos só conhecem o mundo pelos países que invadem. Ninguém aqui saberia onde fica o Vietnã se não tivesse acontecido a guerra. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seu desprezo por Bush é inversamente proporcional à sua admiração por Obama. O entusiasmo permanece?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amo o Obama cada vez mais, porque ele quebrou o monopólio da direita de um modo que os republicanos, até agora, são incapazes de encontrar um candidato à altura dele para disputar as próximas eleições presidenciais.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E quanto ao Brasil de Lula e, agora, o Brasil de Dilma?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não sei nada sobre a Dilma, só o fato de que ela recebeu Obama muito bem. Sei que ela era a queridinha do Lula e que foi guerrilheira. Sobre Lula, não tenho nada a dizer, embora não tenha rancor. Quando Gilberto Gil virou ministro da Cultura e tachou o teatro que eu faço de elitista, eu me afastei das questões brasileiras. O que eu faço pode ser entendido pelo leigo mais vagabundo. É simples. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Você defende a simplicidade até analisando Beckett em "Nada prova nada!".&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beckett fala de coisas reais. Ao falar de alguém que não chega em "Esperando Godot", ele denuncia a falsa esperança, algo real. Não é diferente de Plínio Marcos: "Godot" fala de dois perdidos numa noite suja. Até Bergman, por maior que seja, é mais simples do que ele é lido. Era um homem de teatro, que &amp;gt;ita&lt;psicologizava&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cadê seu primeiro longa-metragem como realizador, que você anunciou em 2002, com o ator dinamarquês Kim Bodnia?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kim se mostrou inconfiável. Mas Hugh Hudson (diretor de "Carruagens de fogo", com quem Gerald palestrou em 2008 na Mostra de São Paulo) é um incentivador do filme, que se chama "Copywriter". Meu problema é tempo para terminar o roteiro.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mel Gibson é tema da crônica mais engraçada do livro. Já a crônica sobre Cacá Diegues é a mais elogiosa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gibson deve sofrer de uma impotência grave para justificar sua intolerância. Cacá é o grande gênio do cinema. Não vi "Tropa de elite" ainda. No Brasil, o José Padilha, que é muito simpático, deixou um DVD comigo, mas minha mala foi extraviada. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7923097647031838012?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7923097647031838012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7923097647031838012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/04/gerald-thomas-entrevista-para-o-globo.html' title='Gerald Thomas - entrevista para O Globo sobre Nada Prova Nada!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7763981724280637550</id><published>2011-04-21T14:40:00.000-03:00</published><updated>2011-04-21T14:41:39.977-03:00</updated><title type='text'>Bobagem</title><content type='html'>Dir-se-ia que tudo era uma grande bobagem:&lt;br /&gt;as metáforas infladas, os verbos lubrificados,&lt;br /&gt;as imagens imperfeitas.&lt;br /&gt;O que existia era uma vontade insuspeita, infalível,&lt;br /&gt;uma intenção inflável.&lt;br /&gt;Uma movimentação corria&lt;br /&gt;fora da ação do verbo&lt;br /&gt;inédita&lt;br /&gt;- não era refém da idéia.&lt;br /&gt;- não tinha lugar em acervo.&lt;br /&gt;- não desejava ser.&lt;br /&gt;Por isso ela&lt;br /&gt;se perdia&lt;br /&gt;na gagueira do pensamento,&lt;br /&gt;em algum vácuo zen.&lt;br /&gt;Para bailar solta de novo&lt;br /&gt;Por isso ela&lt;br /&gt;se pendia&lt;br /&gt;de um labirinto&lt;br /&gt;em nuvens&lt;br /&gt;sem&lt;br /&gt;densidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7763981724280637550?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7763981724280637550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7763981724280637550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/04/bobagem.html' title='Bobagem'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8487378927146110598</id><published>2011-03-28T20:09:00.029-03:00</published><updated>2011-09-13T12:16:04.105-03:00</updated><title type='text'>Nietzsche pra toda obra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:100%;"&gt;Já percebi uma coisa, e posso estar certo: quando a pessoa quer dar um certo ar de, ou se mostrar sofisticado, antenado ou mesmo que está além, pós-acadêmico formal, lasca um Nietzsche. De análises domésticas a políticas menores - nessa eleição faltou dizer que &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; &lt;em&gt;político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos -&lt;/em&gt; lá vai Nietzsche passear nas citações. Traz força. Ou forca para os argumentos contraditórios. Talvez de toda guerra surja alguma vontade, algo que justificasse a ação suja, e nada - apenas o efeito de uma explosão: &lt;em&gt;não gosto de pessoas que, para ter algum efeito, necesitam estourar como bombas, e junto às quais há sempre perigo de perdermos subitamente a audição - e mesmo alguma coisa a mais&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nietzsche está sempre aí, disponível para ser sacado, pinçado e diluído em tudo que possa parecer definitivo. Nada menos ele. Ninguém surgiu ainda menos avesso a ordens e seguidores. Ninguém como ele conseguiu desenhar uma longa ponte e revelar que o homem é uma corda sobre o abismo, e se o homem é um trânsito também deveria afirmar esse devir absoluto. Um pensamento humano, mas um humano que se recusa adorar o fogo em noite gelada - quem seguiria? Mas lá vem ele nos textos para denunciar falcatruas, ironizar pediatras, cutucar o feminismo tardio, o ocaso do ser, romper a esfera cinza da alta burocracia, enfeitar o workshop do marketing direto. Surge também, às vezes mais firme, em reforço a Marx ( que, gasto pela ação dos seus seguidores perdidos, precisa de umas certas vitaminas ), já o vi colado ao seguimento de Freud, numa capa de Tirésias – anunciando tiradas proféticas sobre o ego, pulverizando porões. Como seria uma análise nietzschiana? Seria na onda da &lt;em&gt;tensa pantera não salta porque pensa &lt;/em&gt;do Uchoa Leite? Ou a outra &lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;onda andante e flexível do seu vulto/&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;em círculos concêntricos decresce&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;:/&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dança de força em torno a um ponto oculto/ &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;no qual um grande impulso se arrefece&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;de Rilke/Augusto?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma vez fui a uma festa que era para comemorar a data de sua morte! E muitos riam sem perceber, talvez, que o tempo cruel enferrujaria mais ainda a noite ( &lt;em&gt;toda a alegria quer a eternidade&lt;/em&gt; ). Um curso que frequentava era somente sobre a tradução de seus textos e às vezes, quando o curso engasgava em um neologismo impossível no alemão aglutinado, eu lançava minha psicofonia vinda de uma simples tradução no colo, era uma espécie de mediunidade - e ali ficávamos depois, em algum silêncio, reverenciando seu pensamento em português, rs ( que é assim que se marca hoje no texto da rede o riso, pra pessoa saber que é pra rir ).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ninguém mais amaldiçoado que ele retorna assim, refeito, retocado, por fricortes arabescos e emblemas truncados, ziguezagueando por entre os becos comuns. Nietzsche sóbrio vive, se bobear, até nas revistas de cabeleireiros, inflado por um recorte em itálico abaixo de spas revigorantes, spans de tintas coloridas. Queria mesmo era lembrar em que livro vi uma foto sua, nu, à beira do Vesúvio acompanhado de jovens dionísios esperando talvez um banho de lava. Mas não posso citar imortais em texto dedilhado no escuro. Aos imortais o respeito, a Nietzsche o que não lhe pertence. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sim, defender os fortes contra os fracos ( eu li isso ontem, mas por que os fortes não abarrotam logo um estádio, vários teatros e salas e acumulam milhões de moedas para levar a poesia à ágora eletrônica? Os fortes não precisam de incentivos.). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;T&lt;em&gt;udo que não me mata me fortalece&lt;/em&gt; ( já vi essa em rodízio de massas, ou foi num talk show? ). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ora ora, gente gente, vai usando o vate assim, depois aprendam a voar, sem a rede embaixo - o abismo sempre o acompanha, mesmo disfarçado por estátuas de gesso. Ele o ignora porque o revela, e traz o amuleto da arte para se proteger - quem mais traria?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nietzsche em porções multiplica-se, como se a homeopatia freqüentasse também o pensamento. Logo a teologia da superação lança mão desse poço sem fundo, desse múltiplo fraseador ritmista. Basta que seja inventada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ou um Nietzsche-guia de auto-ajuda para o cidadão moderno: acabei de ver que existe e está disponível em todas as boas livrarias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez! E falsa seja para nós toda a verdade que não tenha sido acompanhada por uma gargalhada!&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olha lá, povo desperto: ditirambo não é deuteronômio&lt;/span&gt;. Aforismo não é salmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8487378927146110598?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8487378927146110598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8487378927146110598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/03/nietzsche-pra-toda-obra.html' title='Nietzsche pra toda obra'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6944983222620963278</id><published>2011-03-13T15:06:00.003-03:00</published><updated>2011-03-13T15:09:36.724-03:00</updated><title type='text'>Assim vai o mundo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Quem põe o nariz fora da porta, vê que este mundo não vai bem. A &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Havas"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Agência Havas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt; é melancólica. Todos os dias enche os jornais, seus assinantes, de uma torrente de notícias que, se não matam, afligem profundamente. Ao pé delas, que vale &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.brasilmergulho.com.br/port/naufragios/navios/rj/uruguay.shtml"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;o naufrágio do paquete alemão Uruguai&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;, em Cabo-Frio? Nada. Que vale o incêndio da fábrica da companhia Luz Esteárica? Coisa nenhuma. Não falo do desaparecimento de uns autos celebres, peça que está em segunda representação, à espera de terceira, porque não é propriamente um drama, embora haja nela um salteador ou coisa que o valha, como nas de &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Xavier_de_Montépin"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Montepin&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;; é um daqueles mistérios da Idade-Média, ornado de algumas expressões modernas sem realidade, como esta: — Ce pauvre Auguste! On l’a mis au poste. — Dame, c’est triste, mais c’est juste. — Ce pauvre Auguste! Expressão sem realidade, pois ninguém foi nem irá para a cadeia, por uns autos de nada.&lt;br /&gt;Foi o &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.adiaspora.com/_port/gentes/artigo/toureiro.htm"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Chico Moniz Barreto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;, violinista filho de poeta, que trouxe de Paris aquela espécie de mofina popular, que então corria nas escolas e nos teatros. Lá vão trinta anos! Talvez poucos franceses se lembrem dela; eu, que não sou francês, nem fui a Paris, não a perdi de memória por causa do Chico Moniz Barreto, artista de tanto talento, discípulo de Allard, um rapaz que era todo arte, brandura e alegria. A graça principal estava na prosódia das mulheres do povo em cuja boca era posto esse trecho de dialogo, — e que o nosso artista baiano imitava, suprimindo os tt às palavras: — Ce pauvr’ Auguss’! On l’a mis au poss’! — Dam’ c’est triss’ mais c’est juss’! — Ce pauvr’ Auguss’! — Pobre frase! pobres mulheres! Foram-se como os tais autos e o veto, le ress’!&lt;br /&gt;Mas tornemos ao presente e à Agência Havas. São rebeliões sobre rebeliões, Constantinopla e Cuba, matança sobre matanças, China e Armênia. Os cristãos apanham dos muçulmanos, os muçulmanos apanham de outros religiosos, e todos de todos, até perderem a vida e a alma. Conspirações não têm conta; as bombas de dinamite andam lá por fora, como aqui as balas doces, com a diferença que não as vendem nos bonds, nem os vendedores sujam os passageiros. Os ciclones, vendo os homens ocupados em se destruírem, enchem as bochechas e sopram a alma pela boca fora, metendo navios no fundo do mar, arrasando casas e plantações, matando gente e animais. Tempestades terríveis desencadeiam-se nas costas da Inglaterra e da França e despedaçam navios contra penedos. Um tufão levou anteontem parte da &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Metz"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;catedral de Metz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;. A terra treme em vários lugares. Os incêndios devoram habitações na Rússia. As simples febres de Madagascar abrem infinidade de claros nas tropas francesas. Pior é o &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://ww.hmattos.kit.net/historiadamedicina.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;cólera-morbo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;; mais rápido que um tiro, tomou de assalto a Moldávia, a Coréia, a Rússia, o Japão e vai matando como as simples guerras.&lt;br /&gt;Na Espanha, em &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Granada"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Granada&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;, os rios transbordam e arrastam consigo casas e culturas. Granada, ai, Granada, que fases lembrar o velho romance:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=drADAAAAQAAJ&amp;amp;pg=PA234&amp;amp;lpg=PA234&amp;amp;dq=Passeava-se+el+Rey+Moro+Por+la+ciudad+de+Granada&amp;amp;source=web&amp;amp;ots=gP9bp6Z6JP&amp;amp;sig=g8osnpvCMbkoxhx8uT5Jb-ezruM&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=book_result&amp;amp;resnum=8&amp;amp;ct=result"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Passeava-se el Rey MoroPor la ciudad de Granada..&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=drADAAAAQAAJ&amp;amp;pg=PA234&amp;amp;lpg=PA234&amp;amp;dq=Passeava-se+el+Rey+Moro+Por+la+ciudad+de+Granada&amp;amp;source=web&amp;amp;ots=gP9bp6Z6JP&amp;amp;sig=g8osnpvCMbkoxhx8uT5Jb-ezruM&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=book_result&amp;amp;resnum=8&amp;amp;ct=result"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt;romance ou balada, que narra o transbordamento do rio cristão, arrancando aos mouros o resto da Espanha. Relede os poetas românticos, que chuparam até o bagaço da laranja mourisca e falaram delia com saudades. Relede o magnífico intróito do Colombo do nosso &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Araújo_Porto-alegre"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Porto-Alegre&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;: Jaz vencida Granada… Nem reis agora são precisos, pobre Granada, nem poetas te cantam as desgraças; basta a Agência Havas. Os jornais que chegarem dirão as coisas pelo miúdo com aquele amor da atração que fazem as boas notícias.&lt;br /&gt;Não é mais feliz a Itália com o banditismo que renasce, à maneira velha, tal qual o cantaram poetas e disseram novelistas. Uns e outros esgotaram a poesia dos costumes; agora é a polícia e o código. Parece que a grande miséria, filha das colheitas perdidas, cresce ao lado do banditismo e do imposto.&lt;br /&gt;Na Hungria dá-se um fenômeno interessante: desordeiros clericais respondem aos tiros das tropas com pedradas e bengaladas, e há mortos de parte a parte, mortos e feridos. É que a fé também inspira as bengalas. Eis aí rebeldes dispostos a vencer; não se lhes há de pedir que desarmem primeiro, se quiserem ser anistiados. Desarmar de que? A bengala não é sequer um apoio, é um simples adorno de passeio; pouco mais que os suspensórios, apenas úteis. Úteis, digo, sem assumir a responsabilidade da afirmação. Não conheço a historia dos &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Suspensório"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;suspensórios&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;, sei, quando muito, que &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Júlio_César"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;César&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt; não usava deles, nem &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cicero"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Cícero&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;, nem &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poncio_Pilatos"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Poncio Pilatos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;. Quando eu era criança, toda gente os trazia; mais tarde, não sei por que razão, elegante ou cientifica, foram proscritos. Vieram anos, e os suspensórios com eles, diz-se que para acabar com o mal dos cozes. Talvez se vão outra vez com o século, e tornem com o centenário da &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Waterloo"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;batalha de Waterloo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;.&lt;br /&gt;Assim vai o mundo, meu amigo leitor; o mundo é um par de suspensórios. Comecei dizendo que ele não me parece bem, sem esquecer que tem andado pior, e, para não ir mais longe, há justamente um século. Mas a razão do meu receio é a crença que me devora de que o mal estava acabado, a paz sólida, e as próprias tempestades e moléstias não seriam mais que mitos, lendas, histórias para meter medo às crianças. Por isso digo que o mundo não vai bom, e desconfio que há algum plano divino, oculto aos olhos humanos. Talvez a terra esteja grávida. Que animal se move no útero desta imensa bolinha de barro, em que nos despedaçamos uns aos outros? Não sei; pode ser uma grande guerra social, nacional, política ou religiosa, uma deslocação de classes ou de raças, um enxame de idéias novas, uma invasão de bárbaros, uma nova moral, a queda dos suspensórios, o aparecimento dos autos.&lt;br /&gt;Machado de Assis&lt;br /&gt;Gazeta de Notícias Rio de Janeiro, em 6 de outubro de 1895.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6944983222620963278?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6944983222620963278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6944983222620963278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/03/assim-vai-o-mundo.html' title='Assim vai o mundo'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8984639695571009616</id><published>2011-01-30T13:17:00.002-02:00</published><updated>2011-01-30T13:19:58.417-02:00</updated><title type='text'>A usina do passado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/economia/miriam/posts/2011/01/16/caminho-das-aguas-356835.asp"&gt;Caminho das águas&lt;/a&gt;   Miriam Leitão - O Globo&lt;br /&gt;Enquanto o Rio enterra seus mortos, no mesmo país, o órgão ambiental é atropelado por querer avaliar melhor se é viável a construção da usina de Belo Monte na Amazônia. As mudanças climáticas, que podem produzir inundações mais frequentes, vão reduzir as chuvas na bacia do rio Xingu. Com secas mais prolongadas, a usina ficaria menos viável economicamente.&lt;br /&gt;Junte-se a economia e o meio ambiente, que jamais devem estar separados, e a conclusão é que Belo Monte ignora os limites do caixa do Tesouro, e os da Natureza. O país pode, no Xingu, fazer um erro duplo: gastar demais com uma usina que produzirá pouca energia, num momento de contenção de gastos, e que será uma agressão ao meio ambiente, num momento em que a Natureza pede mais respeito.&lt;br /&gt;Ninguém tem dúvidas de que foram erros somados, de incúria, desleixo, ocupação desordenada, que deixaram os brasileiros de qualquer cidade expostos à tragédia das perdas humanas e patrimoniais diante dos eventos climáticos extremos. A lista dos erros é conhecida. E, no entanto, o Brasil se move na mesma direção.&lt;br /&gt;Olhando da perspectiva apenas energética, a hidrelétrica, pela qual se derrubam diretores em série no Ibama, pode ser um fiasco. Ela supostamente teria um potencial de 11 mil megawatts, a terceira maior do país. Balela. Nos picos da cheia, a energia firme seria de 4,4 mil. Nos meses de seca, 2 mil. Podendo ser menos. O risco é que, se ouvidos, os climatologistas dirão que os cenários mais prováveis durante toda a vida útil da usina são de redução das chuvas na Bacia do Xingu, o que pode reduzir muito a energia firme.&lt;br /&gt;A briga contra Belo Monte tem 20 anos. O projeto original produziria 20 mil megawatts porque seriam várias usinas. O governo mudou o projeto dizendo que será apenas uma. O que alagará “apenas” um território do tamanho de um terço da cidade de São Paulo. O problema é que não há qualquer garantia de que depois não serão feitas as outras. Até porque, no cenário das mudanças climáticas, ela só tem alguma chance de ser energética e economicamente viável se as outras forem feitas.&lt;br /&gt;Empresas que estudaram profundamente o projeto recuaram da decisão de participar. Aceitam ser fornecedores, mas acham que incorrem em risco de dano à imagem com os conflitos que poderão ocorrer. De todo tipo. Da escavação de 210 milhões de m de terra, da construção de um canal de 100 quilômetros de extensão, do fim da Volta Grande do Xingu, do deslocamento de 20 mil famílias, do fato de que não estão resolvidos os impactos sobre as populações indígenas dos Arara, Juruna e Xikrin di Bacajá.&lt;br /&gt;Segundo um relato que ouvi recentemente, o governo tem prometido estradas e picapes para atrair os mais jovens a aceitar a perda da navegação num certo trecho do rio. Tem dividido tribos.&lt;br /&gt;Em primeiro de fevereiro do ano passado, depois de alguns atropelamentos no Ibama, saiu a licença prévia. Mas foram estabelecidas 40 condicionantes que custariam R$ 1,5 bilhão para serem atendidas. Não foram atendidas e agora se faz novo atropelamento do Ibama para sair a licença que permitirá o início das obras.&lt;br /&gt;Essa usina que tem tantos riscos ambientais, e que pode encontrar um cenário hidrológico adverso pelas mudanças climáticas, quanto custará? Isso é outro enigma. Pode custar R$ 19 bilhões como o governo diz, mas ninguém acredita. Nem economistas sem corações ambientais; nem ambientalistas sem corações econômicos; nem empresas que têm apenas bons programas de projeção de custos. Simplesmente parte do custo está embutida nos subsídios e parte está escondida nos riscos que não foram devidamente calculados. Há estimativas de que o preço pode chegar a R$ 30 bilhões. Se for isso, será com o seu, o meu, o nosso dinheiro, porque o risco foi todo estatizado.&lt;br /&gt;Temos enormes motivos de expansão de gastos pela frente. Alguns inadiáveis. O setor público investe pouco há muito tempo. Deve selecionar seus investimentos cruzando as variáveis. Uma delas é o cenário das mudanças climáticas, outra é a busca de maior competitividade na economia brasileira, outra, a redução de custos futuros, outra, a melhoria da vida da população. Afetar populações indígenas, deslocar milhares de pessoas, agredir o meio ambiente na floresta, ignorar a mudança do regime hidrológico, entrar num gasto que pode ser um buraco sem fundo não parece sensato. Mas é o que o governo está escolhendo fazer.&lt;br /&gt;O que tem isso a ver com o Rio estar contando seus mortos? A Terra é uma só. Os eventos não estão separados. Essa constatação é o grande ganho do conhecimento recente das ligações entre fenômenos climáticos. Ainda estamos aprendendo, mas a cautela é a melhor das atitudes.&lt;br /&gt;A geologia específica da Serra do Mar é camada fina de terra sobre rocha. Pela conformação da serra há muita formação de nebulosidade. A Zona de Convergência do Atlântico Sul e o Sistema de Bloqueio, fenômenos conhecidos, mas mais ativos atualmente, produziram uma queda brutal de água sobre as cidades serranas. Mas a tragédia foi contratada pelos desatinos da ocupação do solo. A Austrália, onde um tufão produziu uma inundação semelhante, teve infinitamente menos mortos.&lt;br /&gt;O Brasil está discutindo seriamente como elevar o grau de desmatamento e redução das áreas protegidas numa extemporânea e amalucada proposta de revisão do Código Florestal.&lt;br /&gt;A promessa do discurso de posse foi bonita. A presidente engalanada e em dia emocionante prometeu crescimento com sustentabilidade. No caminho do crescimento sustentável do governo Dilma Rousseff há, logo na primeira curva, dois incontornáveis rochedos: a mudança do Código Florestal e a construção de Belo Monte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8984639695571009616?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8984639695571009616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8984639695571009616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/01/usina-do-passado.html' title='A usina do passado'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5650770070851111237</id><published>2011-01-11T00:24:00.004-02:00</published><updated>2011-01-11T00:28:39.687-02:00</updated><title type='text'>Lugares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De forma que eu estava ainda zonzo com tanto barulho do ataque do vizinho com fogos de artifícios sobre a Maternidade vizinha à casa de minha irmã (imagino como os recém-nascidos adoraram aquela novidade), que ainda estava no ar, no eco do meu mau humor, esse êxtase, e nem me lembrei da posse da “presidenta” Dilma, como ela tenta emplacar, mas não cola. Eu tinha me esquecido completamente da transmissão do cargo de presidente da República!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo assim, uma realidade vascaína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que voltava minha atenção para a TV, no entanto, era em hora errada. Numa, vi o Senador exaltando os louros da vitória do povo em prosa e verso, tendo na sua trajetória um esforço em manter por décadas o poder do seu clã no Nordeste para que ficasse tudo igual, uma tragédia social. Vi Maluf com seu riso tranquilo ao lado de Benedita esvaziada lançando um beijo próximo na presidenta, depois ( não sei mais se foi ao vivo ou repeteco ) a amiga, traída pelos colegas do filho em projetos de maracutaias imensas, leve como uma sombra, a abraçava, serelepe; apareceu Collor de perfil, e noutra, finalmente, a faixa presidencial foi meio assim jogada em seu pescoço, como um empréstimo, por um Lula apressado em vazar ( para voltar? Aposto que sim. ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível também essa insistência da presidente Dilma em ficar repetindo que prefere o barulho da imprensa ao silêncio das ditaduras. Fora de propósito isso. Uma presidente não tem que preferir nada em relação à liberdade de imprensa, apenas cumprir a Constituição. Em uma democracia estabelecida não é necessário mais pontuar essa diferença, é tautologia pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menos que seja apenas para marcar a diferença com a democracia de Chaves ( que promove silêncios ) e descartar de vez o já descartado ( esperamos ) projeto de controle da imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma Carta Magna que assegura a ela o comando das forças armadas – e o speak dizia nessa hora sem completar, mas eu completo: essa é a emoção que a nossa democracia nos dá, Dilma, ex-guerrilheira agora é a chefa das Forças Armadas. Então: a Carta é que rege, percebeu presidente? Não há preferências, só nas urnas. Essa é a democracia política que construímos no Brasil - e que nunca mais sofrerá retrocessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a TV insistia na euforia sóbria e global de que algo inédito acontecia, eu, idiota, devia ter apagado aquilo logo e metido um Steve Hackett, ou o pagode do Vavá, no último furo para ninar o sono do maldito fogueteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu ouvi algo aparentemente sem importância que de alguma forma foi o significado para mim de toda a cerimônia – vista em pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher, na hora dos cumprimentos das autoridades estrangeiras, soltou naquela boa e clara voz de aeroporto uma ordem de cerimonial, enquanto os comentaristas da Globo estavam quietos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a frase definitiva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por favor, permaneçam em seus lugares...”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5650770070851111237?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5650770070851111237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5650770070851111237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2011/01/lugares.html' title='Lugares'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-512299548365824050</id><published>2010-11-04T11:44:00.003-02:00</published><updated>2010-11-04T11:54:55.331-02:00</updated><title type='text'>Entre mouros e ferinos safaram-se todos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de um segundo turno horrível – absolutamente desgastante, mesmo para quem estava independente, com temas medievais: cruzadas e anti-cruzadas. Eu estava vendo a hora da cruz arder na fogueira. Já vimos no Brasil Nossa Senhora ( ora pro nobis! ) levar um bico de um bispo evangélico. Já vimos os Orixás sendo tratados como demônios e encostos, e a salvação sendo parcelada em 3 x no cartão nas madrugadas.&lt;br /&gt;Tempos da kaliunga, o indiano Ganesh me ditou de longe.&lt;br /&gt;Depois de Serra mostrar-se absolutamente por fora do que significa ser mineiro, e sequer perceber que Aécio falava por código com seus conterrâneos: jamais teria o tucano o que esperava de Minas. Kennedy Alencar no artigo Colheram o que plantaram, na Folha, explica parte disso.&lt;br /&gt;Depois de o presidente Lula atravessar o perigoso caminho da divisão da sociedade: atingir a imprensa com um estranho desconhecimento do seu papel ( e a revelação, sempre empolada, das tais 4 famílias que dominam a informação no país voltou à cena pelos ideólogos do partido), depois de denunciar a armação da oligarquia tendo boa parte dela o apoiando e demonizar a privatização sem ter re-estatizado sequer uma mísera empresa em 8 anos ( a RFFSA seria uma boa, mas nada ).&lt;br /&gt;Depois desses debates vazios sobre o que se faria com o país, eis que chegamos à eleição da presidente Dilma.&lt;br /&gt;A esperança que possa existir no país um governo onde a corrupção seja banida é sempre uma esperança. Se a corrupção for banida, com certeza, a miséria acaba muito antes. A quantidade de dinheiro que foi desviada em décadas, alguém, por acaso, tem noção?&lt;br /&gt;Se tiver a coragem de encarar uma auditoria nas dívidas públicas, a presidente poderia criar um novo caminho – afinal, o que esses números exorbitantes escondem? Tenho certeza de que passará ao largo disso – isso sim é um dogma. Brizola diria hoje: é o establishment, idiota! Mas essa fala não foi resgatada na campanha com seu tom tão brizolista, nem o perdas internacionais, que está vindo forte lá na passarela.&lt;br /&gt;Se quiser mesmo de fato ser respeitada pelos que não a apoiaram, mais que estender a mão, a presidente terá que mostrar que seu lado enérgico e gerencial vai muito além do me traíram, do não li ou não sabia - expressões que marcaram o atual governo, e que a cada dia irritam mais e mais cidadãos. O resultado da eleição está aí para confirmar isso. A oposição está mais que viva com seus 10 governadores e 44% do eleitorado.&lt;br /&gt;No que se refere aos seus discursos pós-eleição, a presidente está surpreendendo. Parece demonstrar que de fato buscará uma administração diferente da atual, que é a dela também.&lt;br /&gt;Disse que é radicalmente contra apedrejamentos no Irã, ato bárbaro, e que não vai lotear seu governo. Que somente pessoas competentes e imaculadas assumirão cargos.&lt;br /&gt;Se marcar essa diferença, e superar a sempre fácil aliança com o fisiologismo, vai criar uma nova personagem: uma presidente nada convencida – tomara!&lt;br /&gt;De qualquer forma: boa sorte, senhora presidente. Não vai dar para acompanhar assim seu mandato, preciso me desligar desse cotidiano político.&lt;br /&gt;Estou crente que só a saída de cena do presidente Lula já vai ajudar a todos, inclusive a ele mesmo. Precisamos todos de um descanso desse nunca na história desse país. Mas de vez em quando vou dar uma olhada para ver se a senhora consegue mesmo firmar esse ponto. Só por curiosidade, mas também uma certa torcida para ver como a senhora lida com seu enigmático vice e o PMDB, e com essas mudanças repentinas que a senhora apresentou nesses últimos dias em relação aos documentos do seu próprio partido.&lt;br /&gt;Pois compromisso em acompanhar e fiscalizar seu mandato tem mesmo quem quis esfolar ou calar cada oponente&lt;br /&gt;para elegê-la.&lt;br /&gt;Entre mouros e ferinos safaram-se todos.&lt;br /&gt;Amém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-512299548365824050?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/512299548365824050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/512299548365824050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/11/entre-mouros-e-ferinos-safaram-se-todos.html' title='Entre mouros e ferinos safaram-se todos'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8569027720151169272</id><published>2010-10-11T11:56:00.008-03:00</published><updated>2010-10-12T19:28:48.667-03:00</updated><title type='text'>Enquanto isso, na realidade...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enquanto os candidatos vociferavam e tergiversavam no debate da Bandeirantes, milhares de moradores de rua arrumavam seus papelões para mais uma noite.&lt;br /&gt;Enquanto eles faziam avaliações de 8 anos lá, 8 anos cá ( no tempo sempre insuficiente ) – e se acusavam de privatizações plenas e privatizações particulares, que só tiveram alguns bilhões de reais para tentar fazer com que o cidadão comum consiga uma mísera consulta ao especialista, estava lá a senhora ou o senhor ou a criança largada na calçada.&lt;br /&gt;São invisíveis. Não freqüentam estatísticas nem interesses. A sociedade quer se livrar deles em passos largos, e espera que o estado lhes dê algum destino. Para muitos é apenas uma questão estética. Passam a existir apenas no Natal.&lt;br /&gt;O estado – bem, o estado não tem olhar para eles também. Soube que o prefeito Kassab fechou abrigos no centro e reduziu drasticamente a malha social de proteção.&lt;br /&gt;Mas isso não tem ideologia, esse confronto com esses seres indesejáveis. No Rio também é assim, eu mesmo já fiz esse trabalho de documentação faz tempo. Sem contar que o desastre do morro do lixão em Niterói se deu na administração socialista do PDT – a prefeitura chegou a informar que não sabia que ali tinha sido área de despejo e permitiu que se formasse uma comunidade.&lt;br /&gt;O estado tem que cuidar dessas pessoas? Sim, é obrigação do estado cuidar das pessoas, é para isso que existe. Cuidar significaria criar projetos reais para que os moradores de rua deixem essa condição. É preciso falar como os candidatos no debate, é preciso ser didático para que eles, que querem nos convencer, tentem entender o básico de suas funções.&lt;br /&gt;Lançam a discussão sobre o aborto – dos que ainda nem foram gerados, enquanto senhoras detonadas se ajeitam nas portas dos bancos.&lt;br /&gt;O clochard brasileiro subjugado a uma realidade perigosa de extermínio. A chacina da Candelária, os assassinatos de mendigos em São Paulo. Afinal, para que serve mesmo um governo?&lt;br /&gt;Não adiante transferir esse apoio para as igrejas – na distribuição de sopas na madrugada.&lt;br /&gt;As igrejas agem de boa fé, mas o apoio vem muitas vezes com um pacote de aceitação. Os índios até hoje sofrem com esse catequizar implacável. Os índios não precisam da religião cristã, eles já têm a deles, precisam apenas que os deixemos em paz!&lt;br /&gt;É um absurdo o estado capturar nossos impostos e deixar para as igrejas o que seria a sua função.&lt;br /&gt;Ninguém escolhe viver nas ruas. Não é verdade a alegação de que o respeito à individualidade não permite ao estado uma ação mais eficaz. Para mim é uma ironia, tão somente. São pessoas fragilizadas, tristes, sem perspectivas, com problemas inúmeros que as levaram para as ruas.&lt;br /&gt;Agora, hoje, não há dinheiro suficiente nas prefeituras, nos governos estaduais e na União para se resolver isso? Sobram verbas e desinteresse.&lt;br /&gt;Enquanto se dizia no debate que a fortuna do petróleo é um passaporte para o futuro, o presente ocupava as calçadas frias da Paulista.&lt;br /&gt;Invisíveis, alheios ao discurso da prosperidade repentina, eles só torcem para vencer mais uma noite sem que surja algum maldito para atirar fogo em seus corpos vulneráveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8569027720151169272?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8569027720151169272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8569027720151169272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/10/enquanto-isso-na-realidade.html' title='Enquanto isso, na realidade...'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3283828097287954562</id><published>2010-10-04T00:26:00.001-03:00</published><updated>2010-10-04T00:27:37.438-03:00</updated><title type='text'>Parabéns Marina Silva!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parabéns Marina Silva&lt;br /&gt;Você nos possibilitou mostrar que nem todos aceitam essa imposição de uma escolha estritamente pessoal de um governante. De que não é possível um presidente se envolver e vociferar dessa maneira em uma campanha como se pertencêssemos a um bando de invasores em sua área particular.&lt;br /&gt;De que ele perceba que seu poder passa pela decisão do outro, e que taxar de golpistas e aliados aos oligarcas quem lhe negou seu desejo pessoal nada merece além do nosso estranhamento ( sendo a própria coligação da campanha de sua candidata formada justamente pela velha política dos oligarcas! ). Não foi para isso que fortalecemos o senhor por duas décadas, caro Lula. Aí está a nossa resposta.&lt;br /&gt;Eleição não é matemática, se fosse, sentado em seus 80% de aprovação, Lula nem precisaria se expor tanto.&lt;br /&gt;Por outro lado, quase 20 milhões de cidadãos brasileiros acreditam que uma nova política é possível. De uma nova história com eventos novos, só para brincar com os analistas profissionais e os narcisistas de plantão.&lt;br /&gt;Um mês para Dilma Rousseff se apresentar ao país. O que pensa? O que pretende? Quem é?&lt;br /&gt;Para além de repetições de estatísticas, como pensa o país?&lt;br /&gt;De que forma vai modificar a política ambiental que justamente fez Marina Silva sair do governo? Ela que se viu humilhada em seu Ministério quando seu próprio governo a ironizou dizendo que embargava obras por causa de bagres e pererecas.&lt;br /&gt;O que parece ficar demonstrado é que esses mais de 19 milhões e meio de brasileiros não aceitam mais a velha política – da corrupção, do engano, da simulação. Uma política atrasada, que insiste em se maquiar, não com as tintas dos índios, mas com a miséria de milhões.&lt;br /&gt;Um país com uma porcentagem altíssima de residências sem rede de esgoto – eis aí a ecologia imediata que Marina denunciou. Um ambiente inteiramente contaminado, com a grana indo para o ralo.&lt;br /&gt;Um país que em décadas anuncia nas campanhas que investe bilhões e trilhões, mas cadê?&lt;br /&gt;Como também esperamos que José Serra nos convença que sua política é viável. Que diga ao menos porque o rico estado de São Paulo está entupido por carros e sem um sistema razoável de transporte público, apesar de seu partido estar no poder por 4 mandatos!&lt;br /&gt;Que nos convença que os investimentos monstruosos na despoluição do Tietê e Pinheiros só os transformaram em um triste parente do Maracanã. Que nos convença de tantas coisas.&lt;br /&gt;Não se pode mais aceitar um país submetido à ótica dos que sempre comandaram, que têm sempre os pés nas duas canoas. As duas candidaturas que ficaram terão que assumir uma mudança imediata, caso queiram fazer acordo com quem de fato elege: os eleitores.&lt;br /&gt;Para conquistarem os votos dos cidadãos que não votaram neles nesse primeiro turno, terão que demonstrar que não se aceita mais essa visão de desenvolvimento da década de 70, essa visão Geisel – Deus nos livre!&lt;br /&gt;E terão imensa dificuldade em declarar que não há mais condição em se destruir nossa riqueza natural, a Amazônia e o cerrado para um plantio irracional de soja e criação de gado. De um setor que já conhece a tecnologia para promover essa produção de forma racional, mas ainda não quer se desvincular do lucro rápido.&lt;br /&gt;E principalmente que se extermine com o pior da política: a corrupção. Não roubar nem deixar roubar. Isso significa impedir roubos do submundo político e também os que se apresentam mascarados por firulas oficiais.&lt;br /&gt;Marina vai por certo direcionar essa nova força construída pela sua candidatura. Mesmo que não seja para essa eleição plenamente, ela já anuncia um novo caminho.&lt;br /&gt;A grande maioria não votou no PV propriamente ( um partido até então inchado e ainda desfigurado ), a maioria votou em Marina.&lt;br /&gt;Voltamos a fazer Política. Ela de fato nos chamou de volta ao jogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3283828097287954562?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3283828097287954562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3283828097287954562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/10/parabens-marina-silva.html' title='Parabéns Marina Silva!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6148478315275457390</id><published>2010-09-17T14:12:00.002-03:00</published><updated>2010-09-17T14:15:55.271-03:00</updated><title type='text'>Eudinéia tentou me passar a perna...</title><content type='html'>Comprei um tênis em uma loja em São Paulo. Pesquisei bem antes, longe da 25 e Brás, porque comprar tênis hoje em dia é um suplício. Antes da China se tornar um sucesso subcapitalista, você ia lá e comprava um All Star ou um Bamba e saía feliz. Comprava um Adidas, Le Coq ou um Toper sem susto.&lt;br /&gt;Hoje tem que rolar uma pesquisa sobre a loja também.&lt;br /&gt;O tênis foi caro, o que poderia garantir originalidade.&lt;br /&gt;Passado um mês, da sua sola saiu um papelão – um alien roxo-cinza “ esguleprado.”&lt;br /&gt;Levei de volta:&lt;br /&gt;- O gerente está?&lt;br /&gt;- Quem deseja?&lt;br /&gt;- Um cliente. ( Mas quase saiu: a polícia! )&lt;br /&gt;Um momento. Dois momentos, três...&lt;br /&gt;- Pois não.&lt;br /&gt;Seu crachá tinha um Dilson na cartolina plastificada.&lt;br /&gt;- Amigão ( que é assim que se fala aqui para dar uma nivelada ), comprei esse tênis aqui há um mês e olha o estado dele. Saiu um papelão da sola, por dentro, por baixo.&lt;br /&gt;- Não entendi: o senhor comprou um tênis aqui e ele já está nesse estado? Não pode ser. Tem a nota?&lt;br /&gt;- Infelizmente não sei onde está a nota, porque confiei que ele fosse original, e que durasse ao menos até o fim do verão. Mas sei quem me vendeu. Foi aquela amigona ali.&lt;br /&gt;Olhamos juntos para ela, ela olhava lá para a rua, vazia. Havia um ar de Pietà nela que quase me arrependi de tudo o que fazia.&lt;br /&gt;- Eudinéia, foi você quem vendeu esse tênis para esse senhor?&lt;br /&gt;- Não estou me lembrando do senhor, desculpe. Mas...&lt;br /&gt;- Você disse que tinha família em Minas, se não me engano em Patos, quando eu comentei sobre seu sotaque, lembra?&lt;br /&gt;- Ah, então deve ter sido sim, sô.&lt;br /&gt;- Pois então, eu enviei um e-mail para os fabricantes no Sul, mas eles não reconhecem esse modelo como produto deles. Mandei até uma foto, hoje está uma facilidade para se comunicar, né não?&lt;br /&gt;- Eu, como gerente, garanto ao senhor que só trabalhamos com produtos originais aqui.&lt;br /&gt;- Sim, tudo bem, mas como vai ficar? Eu quero o dinheiro de volta. Pronto. Terminamos isso aqui.&lt;br /&gt;- Não, senhor, não devolvemos em espécie. Eudinéia, acompanhe esse cliente para que escolha o que quiser no valor do tênis – e faça um abatimento também.&lt;br /&gt;- Não quero não, amigão, quem me garante que outros tênis não sofrerão do mesmo mal?&lt;br /&gt;Passado uns dias, fui ao Procon. Achei a nota fiscal: estava dentro da Bíblia que ganhei de uma aluna – uma Bíblia dourada onde sempre enfio o resultado das compras, como se reconhecesse as bênçãos. E sempre me esqueço disso.&lt;br /&gt;Avançando: o resultado. Procon está rápido.&lt;br /&gt;Eudinéia ficou como suspeita de “plantar” tênis piratas na loja pela própria loja. Foi o que eu entendi o Dilson falar.&lt;br /&gt;Ele puniu a vendedora com uma licença para que prove mais confortavelmente que não fazia essa tramóia. E ficou furioso com essa atitude de sua funcionária: estava bufando com ela nos corredores do Procon.&lt;br /&gt;Soube depois que foi transferida para o almoxarifado. Uma sorte não ter sido demitida ( com certeza contou com a boa vontade do gerente que, mesmo sabendo que ela errou, sentiu que ela não pecaria mais ).&lt;br /&gt;Soube pelo próprio gerente dessa punição, no dia em que fui pegar de volta meu dinheiro, largando o tênis estraçalhado no chão da loja, já com as prateleiras modificadas.&lt;br /&gt;O chão estava repleto de serpentinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6148478315275457390?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6148478315275457390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6148478315275457390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/09/eudineia-tentou-me-passar-perna.html' title='Eudinéia tentou me passar a perna...'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6104928815043116885</id><published>2010-09-13T23:00:00.007-03:00</published><updated>2010-09-13T23:55:08.664-03:00</updated><title type='text'>Aplaudam!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já que parece mesmo que os eleitores viraram uma plateia ( sem acento ), vamos chamar logo um profissional de fato para perguntar: é ou não é? Sim ou não? Vai ou não vai? Quem quer dinheiro? E outras animações do gênero. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sociedade parece conformada com a realidade, satisfeita até.&lt;br /&gt;Não vejo nenhum debate sério sobre o país. Sobre a dívida pública, sobre a educação, saúde, transportes públicos. Nada. Quem tentou emplacar algo de novo foi o casal B.&lt;br /&gt;Marina foi enfraquecida pelo argumento do consumo - como se a redução desse ato fosse vital para a existência de todos. E o que consumimos, afinal, que nos torna tão satisfeitos? Carros, carne e casas futuras? Ela tentou amadurecer um partido verde que, antes, já tinha freqüentado uma paleta toda - na sua expansão recente.&lt;br /&gt;Plínio teve a imagem semeada de cômico franco-atirador, quando na realidade tenta uma discussão fora do padrão global: estatizar o privado, mas eles hoje não se misturam assim, de tal forma? E quis emplacar um debate sobre as dívidas que parece não interessar em nada ao cidadão comum.&lt;br /&gt;No casal A está a questão:&lt;br /&gt;Serra não consegue demonstrar um caminho sequer na sua origem, pois é apoiado por uma direita queimadíssima, e sem votos, e os sociais-democratas tucanos, que querem parecer elegantes, mas não deixaram mesmo bons exemplos no poder, nos oito anos que governaram a pátria.&lt;br /&gt;Dilma vai levando a presidência, exclusivamente por conta do presidente Lula. Poderemos eleger uma presidente sem sequer conhecê-la. Ela chega a me parecer ter pressa que tudo isso acabe logo, para se eleger sem se expor muito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lula terá que se responsabilizar muito mais pela sua administração do que se responsabilizou pela atual. É simplesmente sobre seu aval que a população vai nessa onda. E como em política não existe vácuo, terá que estar mais presente no governo dela que no seu próprio governo – como aqueles mentores de filmes espíritas, para ficar só no Kardec.&lt;br /&gt;E do esforço para construirmos uma sociedade politizada, prafrentex, não viramos de fato apenas uma platéia que aplaude ou vaia de acordo com os interesses imediatos?&lt;br /&gt;Uma claque para aplaudir o sonho do gigante bocejando, e nos refestelar no crédito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6104928815043116885?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6104928815043116885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6104928815043116885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/09/aplaudam.html' title='Aplaudam!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6328834058807997506</id><published>2010-09-04T09:23:00.004-03:00</published><updated>2010-09-04T09:28:14.131-03:00</updated><title type='text'>A alopração dos maracuteiros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, eu posso sim dar meu pitaco sobre esse terrível ato da violação do sigilo fiscal da cúpula B dos tucanos, mais a filha do candidato Serra. Posso porque esse assunto está em todo lugar: e ele empastelou os noticiários, as ruas, os bares e tudo o mais.&lt;br /&gt;Deixo claro que nada entendo disso: a única coisa que violei na vida foi a conta de luz da vizinha, que achei fosse minha. Ela já me perdoou e até me enviou uns salgadinhos. Certo que quase morri porque alguns eram de siri, mas se como comi sem violar antes a massa, problema meu. Há coisas que temos que violar antes de provar, eu acho.&lt;br /&gt;Também deixo claro que meu sobrenome não vem do verbo fatídico, mas sim da flor ou cor do italiano ( é um nome comum lá, não chega a ser um Silva, mas é comum ).&lt;br /&gt;Vou tentar ser lógico, está na moda esse revival lógico. Lógico que meu pensamento não alcança essas sofisticações históricas que muitos têm, e que conseguem mesmo montar análises comparativas e semiológicas até de escândalos. Conseguem filosofar com a crônica policial.&lt;br /&gt;Nada disso, raso, meu pensamento só tenta entender o que se tornou o assunto do momento, e do pleito.&lt;br /&gt;E construir algumas hipóteses, frias, no entanto. Não pertenço à torcida do timão nem a do verdão, então estou de fora para me confundir com certa cautela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se foi a turma que apóia Dilma quem violou o sigilo fiscal dos tucanos:&lt;br /&gt;a) Fizeram isso porque teriam munição pesada, caso a candidatura tucana emplacasse. É erradíssimo, eu sei, mas muita gente acaba praticando o mal visando um bem maior, nessa crença. Os tais dos fins que justificam os meios.&lt;br /&gt;b) Tinham desconfiança ( ou certeza ) que encontrariam coisas estranhas na arrecadação de renda da filha de Serra.&lt;br /&gt;c) Foram ingênuos e aloprados – quem comete ações não republicanas não declara no Fisco, declara?&lt;br /&gt;d) Entraram justamente no posto do ABC para realizar o crime. O cara era, talvez fosse, sei lá, um filiado. Isso não é nada difícil de confirmar, mas e aí?&lt;br /&gt;e) Que pegada gigantesca deixaram. ABC, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Se foi a turma que apóia Serra quem violou o sigilo fiscal dos seus pares:&lt;br /&gt;a) Montaram uma armadilha mafiosa para os adversários ( ABC, filha, tucanos ), filiaram o cara desde 2003 para maquiar tudo e para jogarem no ventilador essa história, caso a candidatura naufragasse.&lt;br /&gt;b) Seria algo mais sórdido ainda, não?&lt;br /&gt;c) Seria uma coisa absolutamente sórdida, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Quem vai solucionar esse mistério rapidamente?&lt;br /&gt;a) O próprio senhor cidadão que pesquisou os dados por encomenda ( ele disse que vai cobrar agora para dar entrevistas, mas era brincadeira, já desmentiu )&lt;br /&gt;b) Os órgãos de investigação federal&lt;br /&gt;c) A Justiça, em meia década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, em se tratando de Brasil, não podemos esquecer que tivemos cada caso na nossa história política, de arrepiar.&lt;br /&gt;Já tivemos um presidente que se matou só para ter mais poder e voltar nos braços do povo.&lt;br /&gt;Peraí. Não tem lógica isso.&lt;br /&gt;Foi outro: renunciou por causa das forças obscuras para voltar ao poder, poderoso.&lt;br /&gt;Estou falando do da vassoura, não o dos maracujás.&lt;br /&gt;Não falei que sou um fiasco nesse negócio de lógica?&lt;br /&gt;Mas é que há algo de irreal nisso tudo, uma sombra que domina qualquer tentativa de enredo, algo que me faz crer que qualquer discurso já é, de antemão, montado. A não ser que surja uma personagem do coro e dedure tudo.&lt;br /&gt;Como no passado recente, que já esquecemos.&lt;br /&gt;Já nos esquecemos do Francenildo, o caseiro que derrubou o Ministro da Fazenda! E o Presidente da Caixa Econômica Federal! Teve seu sigilo bancário quebrado para ser acusado de ser um comprado pela oposição. Não era nada disso: era uma grana que tinha recebido do pai biológico. A editora Globo se estrepou junto nessa.&lt;br /&gt;Já nos esquecemos de Eriberto França, o motorista que derrubou o Presidente da República!!!&lt;br /&gt;E que respondeu ao nobilíssimo Jefferson, quando este perguntou se ele fazia aquilo tudo apenas por patriotismo:&lt;br /&gt;"o senhor acha pouco?", disparou o motorista.&lt;br /&gt;Eu acho que ele achava. É a lógica. Dessa política. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6328834058807997506?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6328834058807997506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6328834058807997506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/09/alopracao-dos-maracuteiros.html' title='A alopração dos maracuteiros'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2890298836161092368</id><published>2010-08-06T09:42:00.006-03:00</published><updated>2010-08-06T10:30:42.456-03:00</updated><title type='text'>O debate da Band</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O debate de ontem na Band mostrou o PT em novas encarnações antigas. Dos quatro candidatos, três fizeram o partido, sendo que a candidata atual do partido é quem menos tem relação com ele ( veio do PDT ).&lt;br /&gt;Da esquerda do partido, hoje Psol, estava Plínio de Arruda Sampaio. Longe de ser um irresponsável ou um franco atirador, Plínio representa a esquerda que rompeu com o PT por ter um outro projeto. Ao dizer que os tais programas sociais são meras quinquilharias revelou o que não se dissolve: no Brasil hoje ainda impera a realidade cruel da miséria de grande parte da população, que se satisfaz com migalhas – por não saber mesmo reivindicar a parte da riqueza que lhe cabe no país. E tudo o que o marketing declara ser maravilhoso, a realidade desfaz, se vista de forma crítica.&lt;br /&gt;Marina Silva, da área do centro do partido, hoje no PV, buscou pensar uma fórmula que unisse o que já havia sido construído de positivo em 16 anos da social-democracia, com os tucanos e petistas. Se não se posicionar de forma mais clara poderá confirmar a idéia de que é apenas mais uma analista que uma candidata. Apesar de tentar se conectar com o século XXI, ainda não conseguiu confrontar-se com a idéia dos desenvolvimentistas – que estão se lixando para a preservação ambiental e uma visão de meio-ambiente ampliada.&lt;br /&gt;Dilma Houssef não é boa para debates, isso já se sabia. Não tem fluência nem habilidade com as palavras e o pensamento rápido. Oscila até mesmo em citar processos que são do cotidiano de uma administração pública. Fica repetindo slogans e chavões que devem servir para mantê-la onde está. Representa o PT hoje, mas cada vez mais demonstra que sua escolha foi decorrência da ausência de escolhas dentro do partido. Mas se é para falar assim, o partido poderia ter investido em Eduardo Suplicy, se ele fosse da tchurma.&lt;br /&gt;Serra demonstra experiência, mas não consegue impor uma crítica vital ao governo Lula, pois ironicamente este governo é uma continuidade do governo FHC. Vai ter que mostrar que os projetos são gêmeos, mas o melhor gerente seria ele. Difícil posição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fora a participação de Plínio, o debate foi uma ode à platitude.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2890298836161092368?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2890298836161092368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2890298836161092368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/08/o-debate-na-band.html' title='O debate da Band'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3717528759102450542</id><published>2010-07-14T17:29:00.002-03:00</published><updated>2010-07-14T17:42:28.068-03:00</updated><title type='text'>Maria-fumaça não canta mais para moças, flores, janelas e quintais</title><content type='html'>Se algum processo de privatização deu certo nesse país – leia-se telefonia – com certeza não supriu o desastre da liquidação da Rede Ferroviária Federal SA em 92.&lt;br /&gt;O país, que já apostava tudo no transporte rodoviário na década de 50 ( no delírio desenvolvimentista de Kubitschek ) lançou sobre o povo esse peso do deslocamento rodoviário, uma vez que o transporte marítimo/fluvial também é absurdamente ignorado.&lt;br /&gt;O trem então virou objeto de transporte meramente turístico, o que causa espanto em qualquer analista de transporte diante do nosso imenso território nacional.&lt;br /&gt;O transporte aéreo, por mais que venha um dia a se tornar viável, está longe de substituir a importância do trem, que interliga pequenas cidades a cidades médias e metrópoles. Nem precisa se utilizar o exemplo do poderio do sistema do transporte ferroviário na Europa para se justificar a sua importância para o Brasil.&lt;br /&gt;Tivesse qualquer governo, desde Itamar Franco, refeito a malha ferroviária teríamos um outro país. Bilhões, trilhões, quatrilhões de reais já foram gastos em manutenção de rodovias e construção de aeroportos – enquanto as estações apodrecem em todo interior do país. Nem servem como paradas para o transporte ferroviário de carga.&lt;br /&gt;Nenhum governo conseguiu perceber que o sistema de transporte ferroviário é vital para qualquer país, e quinquilhões e sestilhões de reais foram investidos para a criação de uma crise: cidades entupidas de carros, estradas inter-estaduais perigosas e esburacadas e limitação geral do deslocamento para a maior parcela da população brasileira.&lt;br /&gt;Francamente: agora o governo Lula abre licitação para um trem bala a custo de 33 bilhões de irreais. Bem, a empresa aérea irlandesa Ryanair quer lançar a passagem em pé a 4 libras ( 10 reais ) para vôos de curta duração. Ou seja: em breve, se a idéia for aplicada por aqui, poderemos nos deslocar entre Rio e São Paulo por 10 contos em 45 minutos. O trem bala terá a passagem a 200 reais, e a viagem terá a duração de uma hora meia.&lt;br /&gt;Eu realmente não sei para que servem os governos – se nem para governar com um mínimo de estratégia e planejamento são capazes. Utilizam nossa grana para propaganda, cargos, projeções e, quando não, desvios gerais. Um candidato real, se tivesse alguma plataforma que prestasse, certamente incluiria a retomada do transporte ferroviário a um custo modesto para a população. Enviei para Marina Silva, que me parece ser a candidata que está um pouco mais afastada dessa dialética barata do fiz mais do que vocês, para ver se ela se toca.&lt;br /&gt;Com certeza teríamos milhões de empregos diretos e indiretos nessa empreitada..&lt;br /&gt;Mas quem deseja a volta da Maria Fumaça estilizada?  Queremos o futuro, o trem bala a 300 por hora e 200 por cabeça. Quem vai querer um trem modesto cruzando as montanhas? Um governo de verdade iria querer, sem dúvida.&lt;br /&gt;Isso me parece com nosso sistema de votação: tudo muito sofisticado e moderno, o país conhece em pouco tempo seus eleitos e nada de contar cédulas sobre as mesas, que deu na vitória suspeita de Bush. Mas o problema é que nesse sistema super moderno de votação ainda se leva o número do coroné na lapela.&lt;br /&gt;Trouxemos o futuro ( eu juro que acredito que meu voto lá na máquina ágil é registrado certinho, apesar de não ter sequer uma confirmação disso ) mas as personagens ficaram aprisionadas em um passado que nunca é fechado.&lt;br /&gt;Passamos para o trem bala, não, sem antes, sucatear toda a malha ferroviária tradicional, e isolar o país dramaticamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3717528759102450542?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3717528759102450542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3717528759102450542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/07/maria-fumaca-nao-canta-mais-para-mocas.html' title='Maria-fumaça não canta mais para moças, flores, janelas e quintais'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7523747528036807413</id><published>2010-07-07T19:58:00.002-03:00</published><updated>2010-07-07T20:00:45.962-03:00</updated><title type='text'>Não ao desastre ambiental proposto por Aldo Rebelo</title><content type='html'>Com a aprovação das reformas do Código Florestal na Comissão Especial da Câmara: redução drástica da área de preservação permanente; a destruição da reserva legal – o Brasil pode entrar definitivamente na era do desastre ambiental oficial.&lt;br /&gt;Nos jornais de hoje, informa-se que a consultora do agronegócio “A advogada Samanta Piñeda recebeu R$ 10 mil pela "consultoria". Maravilha, isso é que é uma notícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Minc, que já foi o Ministro do Meio Ambiente: "Esse relatório vai quebrar a biodiversidade. Permite aumentar em até 80 milhões de hectares o desmatamento com a diminuição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um detalhe despercebido no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que modifica o Código Florestal Brasileiro autoriza o desmatamento de 80 milhões de hectares de vegetação nativa, caso a nova regra definida no texto final do parlamentar entre em vigor. O cálculo das possíveis perdas em razão dessa alteração específica da lei, a que o Correio teve acesso, foi concluído pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no fim da semana passada. Os 80 milhões de hectares — equivalentes a 138 territórios do tamanho do Distrito Federal (DF) — são áreas preservadas que não precisariam entrar no cálculo das reservas legais nas propriedades rurais, por meio de um mecanismo definido por Aldo Rebelo sem qualquer alarde.” &lt;br /&gt;Vinicius Sassine Correio Braziliense&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda Marina Silva, a proposta do relator revoga o primeiro artigo do código e faz com que as florestas deixem de ser um bem da sociedade. Além disso, isenta os proprietários de terra da obrigação de proteger as florestas. “A importância do Código Florestal é de conhecimento de todos. Ela representa uma das poucas leis brasileiras que antecipou a necessidade de fazer a conservação das florestas”. Estadão hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão central é que as atividades agrícolas sem controle destroem o ambiente, independentemente da boa ou má vontade do agricultor. A proteção ambiental exige consciência social de quem produz no campo, não só porque é uma garantia para a continuidade de suas atividades como também porque as consequências da devastação afetam de várias formas toda a sociedade. A legislação atual precisa ser aperfeiçoada, não destroçada. Que uma legislação dessa importância vá a discussão em período eleitoral, em que o governo precisa de apoio de todos os partidos para eleger sua candidata à Presidência, dá uma boa ideia de sua finalidade - atender aos velhos anseios da bancada ruralista. &lt;br /&gt;Se passar, será um retrocesso irreversível.&lt;br /&gt;Valor Econômico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números do estudo afirmam que há aproximadamente 200 milhões de hectares de pastagens no Brasil, sendo que 30% dessas terras estariam degradadas. A área agrícola total atual brasileira é de cerca de 70 milhões de hectares. Portanto, somente com a recuperação das pastagens degradas para uso agrícola é possível dobrar a área da agricultura nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as políticas necessárias recomendadas pelo estudo estão o fomento ao aumento da produtividade em áreas já cultivadas, valorização e ampliação do mercado de produtos responsáveis e sustentáveis e incentivo às atividades econômicas que podem ser feitas em áreas de floresta nas propriedades rurais como extrativismo sustentável e pagamento por serviços ambientais.&lt;br /&gt;Estudo do WWF-Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aldo Rebelo continua no argumento especialíssimo de que a não ampliação do agronegócio por meio dessas leis ambientais é uma estratégia dos países produtores para impedir que o país produza mais.&lt;br /&gt;Mesmo com inúmeros estudos que asseguram que o que foi desmatado até agora daria para dobrar a produção.&lt;br /&gt;Não ao relatório do dep. Aldo Rebelo, que a sociedade interfira o quanto antes para que o Congresso vete esse absurdo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou de avvaz de novo, deu certo com o ficha limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7523747528036807413?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7523747528036807413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7523747528036807413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/07/nao-ao-desastre-ambiental-proposto-por.html' title='Não ao desastre ambiental proposto por Aldo Rebelo'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3543019760399697576</id><published>2010-07-02T13:34:00.003-03:00</published><updated>2010-07-03T10:28:36.453-03:00</updated><title type='text'>Viva os truculentos inseguros, não aos marrentos talentosos: deu nisso!</title><content type='html'>Ninguém deveria apedrejar Felipe Melo. Não é ele o responsável pelo fracasso da Seleção. Ele apenas representa a extinta era Dunga, que foi ressuscitada pela direção da CBF. Essa era, onde a raça e a truculência foi tomando o lugar do talento e da ginga morre de novo. Tomara servisse o fracasso para detonar toda politicagem do futebol brasileiro, com a troca de toda a diretoria e seu presidente Teixeira, no poder desde 1989!!! &lt;br /&gt;Duvido, no entanto. Emplacou um técnico que nunca treinou nenhum time. Agora é moda por aqui: os que nunca comandaram nada se apresentam. Isso é o jeitinho estendido a tudo.&lt;br /&gt;3 anos e meio para apresentar isso. &lt;br /&gt;A truculência e a  teimosia em se ignorar os craques da hora e formar um time travado – como se pudesse reeditar 94, com Zagallo dizendo aos que o criticavam: “ vocês vão ter que me engolir”. &lt;br /&gt;Pois é: com Dunga tivemos a alergia ao talento.&lt;br /&gt;Atchim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3543019760399697576?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3543019760399697576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3543019760399697576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/07/viva-os-truculentos-inseguros-nao-ao.html' title='Viva os truculentos inseguros, não aos marrentos talentosos: deu nisso!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3840183196925261814</id><published>2010-06-15T12:54:00.004-03:00</published><updated>2010-06-15T12:58:18.591-03:00</updated><title type='text'>País assiste à flexibilização das fronteiras ideológicas, de Josias de Souza</title><content type='html'>Prisioneiros do próprio impudor, PSDB e PT baniram do debate eleitoral de 2010 um tema antes obrigatório: corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desapareceu da cena política brasileira a presunção de superioridade moral. As legendas que polarizam a disputa integraram-se à perversão comum a todas as siglas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos 16 anos - dois mandatos de Fernando Henrique e dois de Lula - o brasileiro assistiu a uma notável flexibilização das fronteiras éticas e ideológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "social-democracia" tucana e o "socialismo" petista provaram-se capazes de ceder a todas as tentações -da maleabilidade nos costumes às alianças esdrúxulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível, por exemplo, mencionar o mensalão sem especificar o sobrenome. Há o mensalão do PT, o mensalão do PSDB mineiro, o mensalão do DEM de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na composição das alianças, a integridade dos ovos não vale mais nada. Só importa o proveito da omelete, convertida em tempo de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos nem se preocupam em varrer as cascas para baixo do tapete. Acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A união do impensável com o inacreditável não assusta mais. Até a imprensa trata as coligações com notável indulgência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o pano de fundo da decomposição, a ex-militante Dilma Rousseff é uma nova mulher. Dá as mãos a José Sarney, um sobrevivente da ditadura que ela se jacta de ter combatido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Serra abraça Orestes Quércia. E esquece que, junto com FHC, Franco Montoro e Mario Covas, deixara o PMDB para não chamar de companheiro quem agora admite como aliado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT de Dilma converte em heróis da resistência políticos incontroversos como Renan Calheiros e Jader Barbalho. O PSDB de Serra silencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação soaria a pantomima. Renan foi ministro de FHC. Da Justiça! Jader mandou e, sobretudo, desmandou na Sudam e no Senado da era tucana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem observa a sucessão de 2010 tem a impressão de que a política perdeu pelo caminho algo essencial: o recato. Quem se assombra com o já visto não imagina o que está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Institucionalizou-se a impudência sem culpa. A adesão de ex-puros a ex-inimigos, mais que estratégia, tornou-se comunhão de estilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção virou uma bandeira órfã porque, generalizada, a desfaçatez fez da anomalia algo, por assim dizer, normal. Formou-se um insuperável deficit ético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3840183196925261814?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3840183196925261814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3840183196925261814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/06/pais-assiste-flexibilizacao-das.html' title='País assiste à flexibilização das fronteiras ideológicas, de Josias de Souza'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1933822917301397732</id><published>2010-05-26T17:46:00.013-03:00</published><updated>2010-06-05T23:37:23.481-03:00</updated><title type='text'>Uma ameaça sem perigo</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A velocidade da mensagem é o mote para a dicção correta, é esse o tempo.&lt;br /&gt;Também é algo que se demonstra insuficiente, e talvez seja essa a razão do fascínio, sua concisão necessária.&lt;br /&gt;Lá preciso de pensadores contemporâneos para perceber que há seqüências de respostas antecipadas a perguntas mal formuladas?&lt;br /&gt;Nem os filósofos, semiólogos , conseguiriam dar conta desse labirinto sutil de códigos individualizados que não conseguem mesmo produzir alteridade.&lt;br /&gt;Se exemplos são sempre exigidos para materializarem qualquer análise, eles existem aos montes, basta estar atento – ou desatento. A desatenção também é um dos diapasões dessa freqüência.&lt;br /&gt;Parece mesmo que a linguagem eletrônica nos trouxe elétricos, em íons cada vez mais carregados, a justificativas rasantes, nessa comunicação.&lt;br /&gt;Há sempre a necessidade em se transportar o julgamento imediato para o éter.&lt;br /&gt;As ações são vasculhadas em um leque de possíveis montagens: o outro é o imediato.&lt;br /&gt;E há pressa nisso.&lt;br /&gt;Diria éon, em termos esotéricos, em alguma possibilidade de estabilização do silêncio.&lt;br /&gt;Mas ninguém quer que a eternidade vá para o passado.&lt;br /&gt;Também eu não sou obrigado a ser claro – nem a esquina que revela seres ameaçadores, mas avançando-se eram apenas cartazes descolando-se, formas decompondo-se.&lt;br /&gt;É preciso lançar um som para justificar a presença sempre desejada. Presente!&lt;br /&gt;Cada vez mais fora de moda o budismo da aquietação.&lt;br /&gt;Falo nem que seja a demonstração do óbvio, ou a presunção de um inédito demarcado. Chato.&lt;br /&gt;Também não sou obrigado a ficar de fora – nem o disse-me-disse incansável das mensagens espantará o interesse.&lt;br /&gt;Uma lista infinita de spans transpassam o universo de um dia.&lt;br /&gt;Cada vez mais invisíveis os seres que estão nas ruas, imóveis, não terão nenhuma fala.&lt;br /&gt;Do silêncio do prosternado algo se tiraria?&lt;br /&gt;( E eu falei, no Paraíso poluído, para a autoridade: está mal essa mulher. Está imóvel no gelo da calçada. Está tremendo, seus olhos não revelam nenhuma vontade, vamos chamar o resgate. Tá, eu não falei seus olhos não revelam nenhuma vontade para o meganha, foi: ela está com os olhos parados.&lt;br /&gt;Não, ela está sempre aqui, drogada, respondeu, seco. Não vale a pena, em uma hora ela volta, ela sempre volta. ). Para a inércia.&lt;br /&gt;Reconheço: nenhuma humanidade elétrica poderá emanar dos que não se locomovem. Não há resgaste para eles, mas eu lancei sobre aquela mulher as luzes vermelhas do aquecimento.&lt;br /&gt;Raios, relâmpagos, o bate-estaca do pensamento vai produzindo e firmando as idéias da hora. Descartes imediatos, a repetição circula para que se retome sem dramas ao que foi descartado.&lt;br /&gt;Lembrando que corremos, desesperados, para cumprir as ordens do dia, e responder a duzentas mensagens – na gincana montada por um acaso de referências cruzadas.&lt;br /&gt;De alguma forma devo encaixar que sou o deus ex machina para o meu espelho, a produzir mil fortunas para pavimentar um futuro a prestação, aqui.&lt;br /&gt;Eu não sou obrigado a seguir o fluxo, muito menos ele deseja que eu me submeta.&lt;br /&gt;Mas não passo - nem um dia – sem que ele bata à minha porta comunicando sua amostragem:&lt;br /&gt;Eis aqui, senhor, os caminhos, e se for nenhuma escolha é a opção zero.&lt;br /&gt;De onde surgiu essa voz descompassada no meu mp4 de jazz, Jobim e Eduardo Agni?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1933822917301397732?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1933822917301397732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1933822917301397732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/05/uma-ameaca-sem-perigo.html' title='Uma ameaça sem perigo'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7532835671048242409</id><published>2010-05-05T10:56:00.005-03:00</published><updated>2010-05-05T11:04:51.165-03:00</updated><title type='text'>Vazamentos</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A multimilionária indústria petrolífera não poderia investir em pesquisa para criar algo que eliminasse a tragédia dos vazamentos? Tenho certeza que os experts em bioquímica criariam algum produto ou uma superbactéria que se desintegraria depois de realizar o trabalho ( tá, ou se tranformasse numa Ninfa ). &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ou investissem em engenharia para que se inventasse uma máquina de sucção de outro planeta, longe dessa idéia de robôs que nem conseguem virar uma válvula.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; Eu tenho certeza que a ciência criaria.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; A ciência quando estimulada cria a vida e a morte, cria vacinas, medicamentos mágicos e bombas que destroem apenas humanos, ou apenas os inimigos da hora. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Cria até máquinas que podem fazer surgir micro-buracos negros quase proibidos - que se a máquina alcançar velocidade tal talvez...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ela, se quiser, cria até almas, não criaria algo para afastar de vez essa desgraça de vazamentos de navios e poços de petróleo?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Poupem-nos das escusas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7532835671048242409?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7532835671048242409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7532835671048242409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/05/vazamentos.html' title='Vazamentos'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7607981886534540251</id><published>2010-04-25T12:27:00.002-03:00</published><updated>2010-04-25T12:34:11.474-03:00</updated><title type='text'>Mr. America</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Fui assitir pela segunda vez ( já que na inauguração estava mais que superlotada ) à exposição Andy Warhol, Mr America na Estação Pinacoteca .Ver senhoras com suas netas se fotografando em frente às Marilyns e todo mundo fotografando e filmando tudo, e se fotografando em tudo, foi como se estendesse ali, ao vivo, a própria exposição. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Seria uma homenagem maquinada ao acaso pelos impossíveis e inesgotáveis celulares?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Pena não ter levado minha câmera para filmar tudo isso e talvez pudesse ver Flavio de Carvalho entre o público, fugido da exposição bem comportada que, dizem, montaram para ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Seria mesmo demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nos telões, largados nas cadeiras ou em pé, amigos, casais e todo tipo pop assistiam concentradíssimos aos filmes experimentais, como Blow Job, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nem sei o que pensavam vendo o boy pasolínico gemer em pb.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Havia uma atmosfera eletrônica da presença de Warhol@&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Em frente às serigrafias Jackies, onde o texto de Warhol, miúdo, dizia que nas galerias as pessoas passavam pelas imagens e repetiam baixinho: "Jackie", como se uma aura de santa a dominasse, eu ouvi, “e não sei bem se por ironia ou se por amor”, muitos passando e repetindo Jackie, e indo para os elevadores. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eu também falei Jackie, para experimentar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;As polaroids digitais não paravam – ente espe(ta)cular esse Warhol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7607981886534540251?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7607981886534540251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7607981886534540251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/04/mr-america.html' title='Mr. America'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3062768649645596416</id><published>2010-04-20T18:46:00.004-03:00</published><updated>2010-04-21T18:44:17.526-03:00</updated><title type='text'>Brasis</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Bem, se os integrantes do Partido Verde estão conformados com a construção da Usina, não sou eu quem vai lhes ditar a pauta, mas posso perguntar: qual seria, então, a função do Partido Verde? 'Não há como fugir do aproveitamento energético do rio Xingu'', diz Marina e “Eu não tenho uma posição a priori de ser contra ou a favor do empreendimento. Nós temos que avaliar todos os aspectos para verificar se ela é viável ou não”. Ora, senadora, a senhora foi ministra do meio ambiente desse governo por anos e não tem uma posição sobre a obra? A senhora é candidata à presidência desse país! Ou vai ficar igual ao Psol, que carrega socialismo e liberdade no lema e vira as costas para a opressão em Cuba para não afetar o regime de lá? Eu fiz uma pergunta ao Gabeira aqui, mas ele não leu ou não quis responder. Talvez o Facebook não seja para isso, mas não vou ficar aqui trocando figurinhas, se posso como cidadão questionar quem está em destaque há décadas para se posicionar. Soube que ele falou alguma coisa numa entrevista: algo como devemos agir com cautela. Cautela? Estão batendo o martelo. Mas, além da indignação, o que poderia ser feito? O monte de estrume lançado pelo Greenpeace seria só ativismo sem conseqüência?JB: “Segundo o Greenpeace, o custo-benefício da construção da usina seria baixo. “Belo Monte não compensa pelo impacto social e ambiental naquela região. O Brasil precisa de energia, mas não de Belo Monte”, disse Baitelo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu prefiro continuar minha reza ao Ministério Público, e torcer por outras liminares impedindo o leilão.Está na cara que essa usina será uma derrocada para a região amazônica, e sequer vai resolver a questão da energia do país. Classificar essa energia de limpa é no mínimo ingênuo. Na seqüência vão construir outras e outras. E a região terá, em vez de sua preservação, um desenvolvimento típico do século XIX. Chega a ser ridiculamente asqueroso esse argumento de que se os europeus e americanos destruíram suas riquezas naturais, então que nos deixem em paz para destruir as nossas. No fundo, são dois brasis. Ou no fundo tudo é água? Só pode. Uma mega-obra no estilo Geisel, quando decidirem plantar usinas nucleares no cerrado...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;P.S - Agora a tribo do cocoricó do afamado Delphim, o mago das contas da ditadura, poderá sair da sua oca para se instalar uma usina de 30 bilhões de reais, que tem seu potencial médio de energia equivalente à produção de bagaço da cana de SP, palavras do economista da Band Joelmir Betting.Fora outras análises mais rigorosas que afetam seriamente a razão de tal obra, que ninguém na imprensa cita, nem a que se diz independene, estranho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;P.S2 - e todo esse discurso de energias alternativas: solar, eólica, biomassa é só para inglês ver e aplaudir. Há um pacto com a indústria das grandes obras. Eis a realidade mais crua e brasileira.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3062768649645596416?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3062768649645596416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3062768649645596416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/04/brasis.html' title='Brasis'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7209273518952581727</id><published>2010-04-09T16:01:00.002-03:00</published><updated>2010-04-09T16:04:54.570-03:00</updated><title type='text'>A política do chorume</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cara está no poder há 11 anos, seu partido há 15. O secretário de saúde do Estado anunciou que a área era um lixão, assim, por acaso: ele estava no local da tragédia e com a lanterna percebeu o estado deplorável da terra e o cheiro que lhe despertou a desconfiança. Foi o que li no dia. Imediatamente pensei que ele talvez fosse um forasteiro, como tantos. E ninguém o avisou antes da visita ( naquela visão ampliada de saúde pública ), ou ao menos durante ( para não dar essa declaração-surpresa ) que estava em espaço de desova - em terreno de chorume. Quantos forasteiros assumem comandos sem a menor competência ou aptidão para as funções? Seja na política, nas áreas de saúde, nas repartições públicas, na educação. Esses 15 anos de poder na cidade não foram suficientes para o PDT criar um projeto de casas populares, tão ao feitio do próprio partido? E olha que o partido deveria se esmerar por Niterói, praticamente seu último refúgio. Nem isso. Vi uma matéria que 15 milhões de reais seriam suficientes para remover centenas e centenas de famílias, e que irão gastar 19 milhões de reais apenas com uma passarela, ou algo assim, para o disco voador. Depois fica aquele papo chato de política: que eles só servem mesmo para lutar pela própria manutenção no poder, fora os desvios sempre acoplados às administrações, o enriquecimento ilícito e tudo o mais. Aquele tema comum sobre política e seu distanciamento com a realidade social. Repetitivo porque nunca se resolve. 15 anos no poder e a administração da cidade de Niterói não percebeu que tinha uma comunidade se estabelecendo em cima de um lixão! Como isso é forte, emblemático, definitivamente simbólico. Os forasteiros, os incompetentes, assumem as funções e ficam furiosos quando questionados. Pensam que o destaque que possuem é alvo de inveja dos outros, mas não percebem que assumiram comandos que vão de encontro ao próprio talento – faltoso. Quantas vezes, assistindo a aulas na faculdade, eu percebia, constrangido, que alguns professores sofriam por estar ali, num esforço dos minutos, tentando justificar as suas presenças? E que isso era um deslocamento diário da existência. Um peso que todos carregávamos, pois por alguma razão formávamos aquela cena inútil. Esse constrangimento se levado para a área de saúde aumenta os riscos, mas sei que muitos médicos não se atualizam porque já decoraram com o tempo os procedimentos e os nomes dos medicamentos. E, se na área de saúde pública, aplicam esse poder nas filas que só crescem – em busca das hóstias químicas. E os administradores que se matam para se eleger para chegar a esse resultado: colocar água encanada e luz elétrica, criar caminhos para que famílias estejam mais confortáveis num LIXÃO.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Francamente...&lt;br /&gt;&lt;a class="UIImageBlock_Image UIImageBlock_SMALL_Image" title="Daniela Priscila Goldshmidt" href="http://www.facebook.com/profile.php?id=1449972259"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7209273518952581727?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7209273518952581727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7209273518952581727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/04/politica-do-chorume.html' title='A política do chorume'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6775737581746300312</id><published>2010-03-31T00:07:00.000-03:00</published><updated>2010-03-31T00:08:39.334-03:00</updated><title type='text'>Um golpe de estado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ficar explicando que o golpe militar de 64 foi uma merda federal pra quê?&lt;br /&gt;Basta qualquer um ler, pesquisar: o ai 5, a tortura e perseguições, as mortes, as guerras e guerrilhas e tudo o mais.&lt;br /&gt;Insuflado pelos EUA, o movimento de golpes militares na América do Sul nas décadas de 60/70 só trouxe mais atrasos para o continente arqui-explorado, processos corrosivos no trato humano e nada de interessante para a população – não houve nada que permitisse um mísero elogio, pois era regime de exceção, quebra do sistema institu/constitucional e o Karalho a 4.&lt;br /&gt;A Lei da Anistia proíbe que as cicatrizes sejam mexidas, assim como se o esquecimento de toda essa ação nefasta do estado pudesse ser magicamente deletada.&lt;br /&gt;Somos um povo cordial mesmo. A ditadura militar só terminou quando o último presidente general decidiu pendurar o chicote e se preparar para o esquecimento.&lt;br /&gt;E ela acabou mesmo quando o seu homem forte – do setor civil  – decidiu romper com os amigos militares, já exaustos daquilo tudo, para recomeçar do outro lado da trincheira a oposição a seu ex-grupo. É simples assim a política?&lt;br /&gt;E o que temiam, afinal, os americanos do norte – sempre zelosos com as riquezas alheias - e os militares americanos do sul para sacrificarem o Jango e tudo o mais? Temiam a onda ou horda de comunistas comedores de criancinhas que se apoderariam de nossas riquezas, crenças e valores cristãos. Por conta dessa lenda ( e através de ações de muitos que criaram essa atmosfera, e depois picaram mula travestidos de importância) é que a sociedade dos que nem sabiam ou nem queriam ser marxistas, leninistas, stalinistas, trotskistas – ou mesmo pessoas não ligadas a essas listas, nem a toda essa tropa de pensadores do frio e da igualdade forçada - teve que ficar por aqui amargando esse óleo de rícino e reagindo como podia a quem foi treinado para comandar em hierarquia, e mais que isso, sempre ser comandado, mas nunca entender a sociedade humana ilimitada.&lt;br /&gt;E tome porão e estranheza. Gente que desapareceu assim. Alguém me disse que na baía de Guanabara, dos helicópteros – a conexão caiu. Muita coisa caiu, mas não me forcem a me enganar.&lt;br /&gt;E agora chegamos aqui, 46 anos depois, que é o inverso de 64.&lt;br /&gt;E o que se vê, ali, do que sobrou dessa joça? Dessa história inútil e sofrida, toda anistiada? Dessa caça à diversidade?&lt;br /&gt;Os dois principais candidatos ao comando oficial-federal brasileiro ladeados e sustentados politicamente por gente e geração de gente que se nutriu desse movimento da ditadura militar até o osso, e continua aí nas ondas secas da capital goiana mandando e desmandando – mamando.&lt;br /&gt;Quem estaria pavimentando sempre a volta do futuro pródigo?&lt;br /&gt;Dá uma olhada na genealogia dos que adornam o casal que disputará o centro do poder.&lt;br /&gt;Estou com o máximo Cony, cronista: lutamos tanto para termos o direito ao voto e hoje não me sinto sequer na obrigação de votar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6775737581746300312?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6775737581746300312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6775737581746300312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/03/um-golpe-de-estado.html' title='Um golpe de estado'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6097555115391059606</id><published>2010-03-24T18:09:00.001-03:00</published><updated>2010-03-24T18:11:09.853-03:00</updated><title type='text'>Um julgamento</title><content type='html'>Essa história do julgamento da menina defenestrada do ap. – eu não passo os olhos.&lt;br /&gt;É terrível ter que provar o óbvio, e mais terrível deve ser para quem fez essa monstruosidade negar tudo, e envolver toda essa parafernália de detalhes para afirmar uma dúvida sobre a autoria. Buscando uma inocência frívola, amplificam a ação sórdida.&lt;br /&gt;Ou então que se ache logo o lobisomem que, invadindo o apartamento na ausência dos responsáveis pela segurança da menina, em poucos minutos a tenha jogado ao chão, estrangulando-a, e depois, com os dentes, tenha rasgado a tela de proteção e a lançado pela janela. Sumindo pela lixeira, só pode ser. Sem justificativa alguma, posto que lobisomem enfurecido.&lt;br /&gt;Nem em filme classe E vi trama tão absurda. Deveriam nos poupar disso tudo, nos poupar desse casal e de sua defesa.&lt;br /&gt;Fico imaginando crianças e avós assistindo a essa cobertura pela TV. É tudo terrivelmente lamentável e desumano nessa história macabra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6097555115391059606?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6097555115391059606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6097555115391059606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/03/um-julgamento.html' title='Um julgamento'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-4130998712537010094</id><published>2010-03-17T18:19:00.004-03:00</published><updated>2010-03-19T16:32:46.252-03:00</updated><title type='text'>Noticiário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Que esses assuntos todos se misturam sem gradação, nem gravidade de interesse.&lt;br /&gt;Que se o louco, que nunca pegou no pesado, atira e mata o sacerdote chargista e seu filho – e isso passa a ter um mistério que não se sustenta (querem por a culpa num chá?).&lt;br /&gt;Não vejo mistério algum no fato de algum louco cismar com nossa cara. Mas há uma fraqueza nisso, em se dar trela para essa alteração temerária. Nessas horas a capoeira é a melhor reza, uma meia-lua e o surto do outro vai para o chão com arma e tudo.&lt;br /&gt;Eis que surge alguém me perguntando onde fica a Babilônia, e indico o caminho mais próximo do polegar. E como se faz para esfarelar discursos? A Câmara é para o norte, aponto. Que se eu poderia indicar caminhos? A montanha, sempre.&lt;br /&gt;Se os atacantes do meu time estão nas baladas das quebradas, se eles presenteiam os negociadores armados, bem, que se virem na área da polícia, eu tenho mais o que fazer&lt;br /&gt;- ganham muito para dominar uma pelota, entreter a massa e preencher discussões - se os detalhes das análises fogem da trivela ou da folha seca, que ninguém mais faz esse topspin.&lt;br /&gt;Eu ainda estou admirando o Zico, e antes o Geraldo, um super Adílio, herdeiros de Didi, lá atrás, quando se jogava bola. E vou ficar por lá mesmo, cada vez mais para trás melhora. Pode ver.&lt;br /&gt;Que se a exposição da estética gay hiper-borrada que a tv distribui no seu programa nauseante, numa nave seca, me insinua que as coisas vão sim, cada vez mais, para a venda da imagem pré-fabricada, com a fábrica de meninas rebolando para os contratos a seguir, nessa avenida sem fim da vulgaridade auto-sustentada pelo senso comum.&lt;br /&gt;Uma arena eletrônica de fios encapados. Um ato sem interesse, como a crônica colada de gestos marcados do condutor. Um ar sem jeito de que aquilo tem algum interesse. Deve ter. Para ele, ao menos.&lt;br /&gt;Que se um líder afirma que não se intromete em assuntos internos de outros, para tentar deter a morte escolhida por dissidentes de um regime caduco, e depois dito bandidos (no perigo que é a fala ), que se esse líder vai para o olho do furacão milenar do oriente criticar assentamentos – invasivos, é claro, todos são, todos os muros das crenças, suas bênçãos e maldições – alguma importância à incoerência das políticas, e o perigo que se torna tudo isso. Do uso sempre de possibilidades de construções de bombas que podem detonar tudo, de gente que freqüenta outras humanidades e que sequer deseja saber da vida por aqui, no planeta mal habitado que sentem.&lt;br /&gt;No planeta de ímpios dos adoradores de Shiva.&lt;br /&gt;O fogo é menos que o éter, a dança inferior à prece? Aum.&lt;br /&gt;Eu vou passar o rodo nessas importâncias médias, e olhar cada vez menos o noticiário. Se me vendem bobagens, se me intuem esse cerco, esse palavrório pago para se constituir o tédio. Que se afastem de minha tela os corrosivos, e também os bem intencionados de uma figa que injetam a importância da paralisia. Que desapareçam os cínicos profissionais, os construtores do futuro sombrio e os reveladores de trapolla. Ninguém é o cara.&lt;br /&gt;Quero só ver se não freqüentando essas ciladas elas se mantém de pé. Esse acervo montado para esgotar as mentes e formar monarcas de realidades provisórias.&lt;br /&gt;Agora esse ano e seus excessos de propostas.&lt;br /&gt;Ora, ninguém saiu da esquina repentinamente para me dizer que poderá alterar tudo, o tudo mais que defasado ( a se rever ), as coisas que não andam bem e todas as outras que nunca estiveram. Que manterá o assim ou alterará o passado.&lt;br /&gt;É gente que veio do ontem carregando espelhos manchados.&lt;br /&gt;Prefiro o radicalismo do silêncio.&lt;br /&gt;Desligo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-4130998712537010094?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4130998712537010094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4130998712537010094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/03/noticiario.html' title='Noticiário'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7950334177422480966</id><published>2010-02-24T12:34:00.005-03:00</published><updated>2010-02-24T13:36:24.574-03:00</updated><title type='text'>Um Cohiba mofado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O Mundo precisa muito mais que simplesmente se organizar para evitar as crises.&lt;br /&gt;Seria preciso reverter toda política e toda ideologia contaminada pela opressão.&lt;br /&gt;Seja a opressão de todos os lados que faz vítimas civis no desorientado Oriente Médio.&lt;br /&gt;Seja a opressão cristalizada na gigantesca China, seja a opressão disfarçada de eterna revolução na minúscula Cuba.&lt;br /&gt;A opressão é uma espécie de corrupção das mentes que vislumbram igualdade em todos os sentidos, uma igualdade fabricada por idéias que caducaram e se esfarelaram com o muro.&lt;br /&gt;Afeganistão, Irã, Iraque, Palestina e Israel, China e Cuba, as ditaduras na África. É preciso muito mais que bravatas para modificar alguma coisa.&lt;br /&gt;Não há sequer uma coerência por parte do governo brasileiro em relação a processos democráticos. Em Honduras foi golpe, e o Brasil endureceu o discurso ficando sozinho na defesa do ex-presidente. Agora a morte do ativista cubano praticamente na chegada do presidente a Cuba. Os Castro se eternizam num poder que serve apenas a eles, pois de resto tudo já se foi, esse sonho-pesadelo socialista de uniformizar pensamentos e classes, essa postura cruel de cercear o outro porque simplesmente existe e não deseja o mesmo que o establishment de farda ou pijama.&lt;br /&gt;Chega a ser risível o discurso de liberdade que se faz no mundo, quando, tolos, consumimos os frágeis e datados produtos chineses. Produzidos pelos operários do grande formigueiro comunista, esses produtos são tão perecíveis quanto o pensamento de Mao e sua malfadada revolução cultural – que varreu milhões do mapa.&lt;br /&gt;Cuba é apenas uma pequena casca disso. Sufocada por um isolamento ( também auto-imposto ), a ilha tenta sobreviver chamando seus adversários de mercenários e deixando que morram à míngua, detidos em seus hospitais, como ocorreu com Zapata.&lt;br /&gt;Esse nome ecoando agora brevemente no mundo faz lembrar o outro, e isso tudo é de um simbolismo estarrecedor.&lt;br /&gt;Que o governo brasileiro interfira em questões da Ilha?&lt;br /&gt;Ninguém na América Latina ousa criticar uma revolução que, superada pelo tempo, ainda tenta se sustentar num imaginário apequenado do que seria uma sociedade justa. Justiça Social sem liberdade não serve para nada, é como um bom charuto mofado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7950334177422480966?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7950334177422480966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7950334177422480966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/02/um-cohiba-mofado.html' title='Um Cohiba mofado'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2283514380457012021</id><published>2010-02-19T12:47:00.003-02:00</published><updated>2010-02-19T12:56:39.556-02:00</updated><title type='text'>Sua Santidade o Dalai Lama</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Nota de S.S. o Dalai Lama à Imprensa&lt;br /&gt;"Gostaria de aproveitar essa oportunidade para expressar minha gratidão aos líderes mundiais e à comunidade internacional por sua preocupação com relação aos eventos recentes no Tibet e por suas tentativas em persuadir as autoridades chinesas no exercício da moderação ao lidar com os protestos.&lt;br /&gt;Uma vez que o governo chinês tem me acusado de orquestrar tais protestos no Tibet, eu clamo por uma completa investigação da parte de algum órgão respeitável, o que deve incluir representantes chineses, a fim de investigar tais alegações. Tal órgão precisará visitar o Tibet, as áreas tradicionais tibetanas fora da Região Autônoma do Tibet e também a Administração Tibetana Central aqui na Índia. De forma que a comunidade internacional, e especialmente os mais de um bilhão de chineses que não têm acesso à informação não-censurada, possam saber o que realmente está acontecendo no Tibet seria de extrema ajuda que representantes da imprensa internacional também realizassem tais investigações.&lt;br /&gt;Se intencional ou não, acredito que uma forma de genocídio cultural tem lugar no Tibet, onde a identidade tibetana passa por constante ataque. Os tibetanos foram reduzidos a uma insignificante minoria em sua própria terra como resultado da imensa transferência de não-tibetanos ao Tibet. A distinta herança cultural tibetana, com sua linguagem costumes e tradições características está desaparecendo. Ao invés de trabalhar pela unificação de suas nacionalidades, o governo chinês realiza uma discriminação contra as nacionalidades minoritárias, entre elas a dos tibetanos.&lt;br /&gt;É conhecimento comum que os mosteiros tibetanos, os quais constituem nossos principais lugares de saber, além de serem repositórios da cultura budista tibetana, têm sido severamente reduzidos em número e população. Naqueles mosteiros que ainda existem, o estudo sério do Budismo Tibetano não mais é permitido; de fato, mesmo a admissão em tais centros de saber é estritamente regulada. Na realidade, não há liberdade religiosa no Tibet. Mesmo um chamado por um pouco mais de liberdade torna-se um risco de ser rotulado como separatista. Nem mesmo há qualquer real autonomia no Tibet, mesmo apesar de tais liberdades básicas serem garantidas na constituição chinesa.&lt;br /&gt;Acredito que as demonstrações e protesto que ocorrem agora no Tibet são uma explosão espontânea do ressentimento popular acumulado por anos de repressão em reação a autoridades que são cegas aos sentimentos do povo local. Elas erroneamente acreditam que mais medidas repressivas são o caminho para conquistar seu objetivo declarado de unidade e estabilidade a longo prazo.&lt;br /&gt;De nossa parte, permanecemos compromissados em seguir a abordagem do Caminho do Meio e buscar um processo de diálogo a fim de encontrar uma solução mutuamente benéfica para a questão tibetana.&lt;br /&gt;Com tais pontos em mente, busco também o apoio da comunidade internacional em nossos esforços para resolver os problemas do Tibet por meio do diálogo, e incentivo que clamem às lideranças chinesas para que exerçam a máxima moderação em lidar com a situação turbulenta atual e tratem aqueles que têm sido presos de maneira apropriada e justa. "&lt;br /&gt;Dalai LamaDharamsala18 de Março 2008&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.dalailama.org.br/home/"&gt;http://www.dalailama.org.br/home/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2283514380457012021?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2283514380457012021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2283514380457012021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/02/sua-santidade-o-dalai-lama.html' title='Sua Santidade o Dalai Lama'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2483624073883471509</id><published>2010-02-11T23:29:00.001-02:00</published><updated>2010-02-11T23:38:05.221-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/S3SvS2ILkeI/AAAAAAAAAJE/SE6hubCj4ws/s1600-h/portela.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 380px; DISPLAY: block; HEIGHT: 182px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437163388445364706" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/S3SvS2ILkeI/AAAAAAAAAJE/SE6hubCj4ws/s320/portela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Foto: Fabio Motta/AE - 24/02/2009&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2483624073883471509?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2483624073883471509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2483624073883471509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/02/foto-fabio-mottaae-24022009.html' title=''/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/S3SvS2ILkeI/AAAAAAAAAJE/SE6hubCj4ws/s72-c/portela.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5964899148816764025</id><published>2010-01-26T12:05:00.007-02:00</published><updated>2010-02-19T13:22:50.874-02:00</updated><title type='text'>Um tremor de perguntas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Li na Folha de domingo uma entrevista com a geóloga Lisa Grant, da Califórnia. Entre muitas reflexões, disse que o terremoto no Haiti não foi uma surpresa para ninguém da área científica. O terremoto de 92 na Califórnia foi similar mas ninguém morreu. Ela afirma que as construções por lá são seguras.&lt;br /&gt;Incrível como apoios internacionais – como o da ONU – não tivessem dado uma olhada nesses estudos de geólogos. Apoio numa área de risco deveria compreender esse sentido de segurança mais óbvio, ou amplo. Do que adiantou essa força de paz no Haiti por anos se sequer conseguiu perceber que estavam todos em uma área de risco permanente? E sequer imaginaram que as construções no Haiti eram tão frágeis como todo o resto?&lt;br /&gt;O Brasil comanda a missão. Uma missão de paz que, não preparada para a catástrofe, acabou ela mesma vítima do tremor.&lt;br /&gt;Nós temos as nossas tragédias por aqui, e permanentes. A seca é uma. Sim, há um projeto para mudar o curso do São Francisco. Nossos projetos são gigantescos, como o nosso território. Será que não haveria um outro mais modesto e que resolvesse mesmo a tragédia da seca? E que não envolvesse tanta verba e espetáculo? Não dá para dar uma olhada na experiência dos kibuts?&lt;br /&gt;Nós temos áreas inteiras onde impera a fome e a miséria, mas já nos foi revelado pelas próprias autoridades que nós temos dinheiro suficiente para sanar de vez essa maldição. Será que não haveria um projeto mais humano e eficaz do que apenas distribuir uma quantia mínima para as famílias? E que não vinculasse esse projeto a governos da hora, que não fosse objeto de propaganda de partidos esse ato obrigatório de qualquer governo?&lt;br /&gt;Nós vamos em consenso defendendo a Amazônia, quase todos publicamente fazem isso. E a devastação continua, como enxame de gafanhotos em plantação de milho. Em vez de caças caríssimos para proteger o pré-sal ou sei lá o quê não se poderia ocupar a área com barcos e soldados? Também ocupação territorial, porque, ao que se revela, os inimigos da grande floresta moram por aqui mesmo.&lt;br /&gt;Nós teremos problemas com energia. Mas não dá para dar uma pesquisada leve sobre energia eólica e solar? Parece que somos riquíssimos por aqui em vento e sol.&lt;br /&gt;Está tudo assim, improvisado. Nosso passado intocado pela ameaça velada.&lt;br /&gt;Alguém que eu li relembrou a gafe da Folha: se pudesse escolher entre as ditaduras no mundo atual: Cuba, China, Coréia, Irã, teria escolhido a brasileira. As pessoas piraram? Quando a ditadura entra em algum leque de escolha não temos mesmo muito em que pensar.&lt;br /&gt;A ditabranda protegida pelo receio das revelações? Ora, que se abram todos os arquivos, que se busque também a Era Vargas, que se revele logo tudo sobre todas as ditaduras.&lt;br /&gt;Se é que existe alguma novidade nesse triste tema. E parem de vez com essa rede de insinuações, essa tentativa torpe de trocar censura do passado por censura atual.&lt;br /&gt;Isso tudo com discursos de coros em off, das revelações divinas. Recebi não sei quantas mensagens dizendo que a tragédia no Haiti foi para trazer ao mundo uma nova vibração.&lt;br /&gt;Eu não sei então onde estavam essas forças divinas que não soltaram um raio em cima da gestapo, SS ou diabo a 4, ou um veneno ectoplasmático no ar do qg dele, o monstro. Algo que libertasse o mundo do demônio austríaco. Se era nele somente, e não no desejo de grande parte dos alemães da época, que se ancorava essa baixeza do pior dos homens.&lt;br /&gt;Ou alguém vai me dizer que precisávamos ter essa mácula em nossas vidas? Algum positivista extemporâneo falando em carma coletivo?&lt;br /&gt;Talvez eu seja demasiado humano e ingênuo para entender tragédias, políticas, atos demoníacos e ações divinas.&lt;br /&gt;Talvez por isso tenha lutado por anos para salvar uma linda árvore das garras de um sacerdote ( de uma religião que diz cultuar a natureza ). Perdi. Ela se foi. Como se vão as pessoas boas e de boa intenção acometidas por males invencíveis. Estarão mais tranqüilos agora os espíritos dos "índios" cultuados pelo religioso? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Estou aguardando ou guardando minhas expectativas na vitória do bem.&lt;br /&gt;Tomara mesmo que o retorno do Avatar cristão confirme a profecia.&lt;br /&gt;Ele poderá observar pessoalmente que a má fé e a maldade estão camufladas de boa vontade.&lt;br /&gt;Poderá ver o quanto se mata ainda em nome do amor ao divino.&lt;br /&gt;Mas se ele soltar dos céus essa sentença, eu me não me surpreenderia:&lt;br /&gt;“Está tudo muito improvisado irmãos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5964899148816764025?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5964899148816764025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5964899148816764025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/01/um-tremor-de-perguntas.html' title='Um tremor de perguntas'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-4006255476731899984</id><published>2010-01-09T12:03:00.008-02:00</published><updated>2010-01-09T14:07:12.176-02:00</updated><title type='text'>Um Nietzsche em bom português</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em mil novecentos e quinze (?) eu fiz um curso na Faculdade de Filosofia como ouvinte. Era um curso seríssimo sobre Nietzsche, me disseram. Curioso em saber como a Academia tratava, lia e estudava o filósofo, pedi permissão ao professor – educadíssimo. Ele me fez algumas perguntas ( devo ter acertado as respostas, porque ele aceitou minha presença com um aceno firme na cabeça ).&lt;br /&gt;Ser ouvinte num curso de pós-graduação é ir ao encontro do fundamento maior da Academia: pesquisa. Não existe preocupação com monografia, lista de presença e outros adereços desnecessários. Só o curso interessa.&lt;br /&gt;A ementa evocava estudo criterioso do pensamento de Nietzsche. Era o que eu precisava. Meu Nietzsche era solto, pouco sublinhado e totalmente sem métodos. Era um Nietzsche literário – voltairiano. Precisava desse choque de rigor. Ao chegar no primeiro dia na sala lotada, onde encontrei lugar lá no canto da janela barulhenta, verifiquei pequeno constrangimento: todos tinham o Nietzsche original no colo e nas mesas. E agora? Não tinha na ementa pré-requisito do conhecimento do alemão. Para mim, nessa minha diluição, a linguagem do filósofo era única, algo assim como um anti-esperanto, uma fala que afrontasse os limites de um idioma. Era apenas uma burrice minha, pois eles estavam justamente ali para decifrar o refinado jogo de palavras que o filósofo fizera com a língua alemã!&lt;br /&gt;Desses jogos e trocadilhos, aglutinados ou não, sairiam interpretações cada vez mais frescas e sofisticadas – como extrair o supra-sumo das idéias dele.&lt;br /&gt;Mas eu não podia recuar, não podia me esconder embaixo da carteira ou sair de fininho. Levava comigo, escondido, a coleção de Os Pensadores, com tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho e pós- fácio de Antonio Cândido.&lt;br /&gt;O professor entrou lentamente, bem diferente das palestras-relâmpago de Escobar.&lt;br /&gt;Começou, sem mais nem menos, um ritmado virar de páginas: &lt;em&gt;Reden e überreden&lt;/em&gt;. Voei. Guerra interna na classe. &lt;em&gt;Dieses Suchen nach meinen Hein wan meine Heimsuchung.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hein? Todos estavam judeus no livro, um ruivo flutuava na carteira da frente e aproveitei para ver que texto se tratava, na menina ao lado. Saquei discretamente Os Pensadores e localizei o texto – Zaratustra.&lt;br /&gt;A discussão ia acalorada, mas ninguém se desviava do texto e anotações. Parecia uma reza de descobertas e advinhações.&lt;br /&gt;“ Essa procura pelo meu lar, Ó Zaratustra, bem o sabes, foi minha tortura particular, ela me devora”.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Verscherzen und verschmerzen&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“ Tu perdeste o alvo: ai de ti, como irás folgar e desafogar essa perda?&lt;br /&gt;Eu falei só para ajudar, para ver se desempacava aquilo. Foi minha timidez que me fez ler em voz alta a tradução.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O professor levantou a cabeça lentamente e disse:&lt;br /&gt;- Bom, ouvinte, muito bom. É isso gente. Achamos o significado. Claro que é isso.&lt;br /&gt;Todos se viraram para mim, me medindo. Meus joelhos espremeram a mochila e a fraude. Na verdade queria revelar na hora que era a tradução do ilustre Rubens mas eles, superado esse problema de quinze minutos, partiram para outras complicações semânticas. Também fiquei temeroso em afetá-los com tal ação menor, um livro que se compra nas bancas, na esquina...&lt;br /&gt;Claro que na semana seguinte nem passei perto do curso do mestre Bentinho.&lt;br /&gt;Porque meu Nietzsche voltava a ter essa tradução, essa voz em português que sempre foi a dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-4006255476731899984?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4006255476731899984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4006255476731899984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/01/um-nietzsche-em-bom-portugues.html' title='Um Nietzsche em bom português'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2026093566984563611</id><published>2010-01-03T13:13:00.003-02:00</published><updated>2010-01-03T13:30:57.615-02:00</updated><title type='text'>Tragédias encomendadas e gafe ética</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi um geólogo afirmando, do alto de seus conhecimentos técnicos, que jamais poderia haver construção naquela área da Praia do Bananal, na Ilha Grande. Ele foi categórico: terra sobre pedra em declive, e não é I Ching.&lt;br /&gt;Isso resume a irresponsabilidade do poder público. Para se construir precisa-se do alvará concedido pela prefeitura. E não houve nenhum geólogo da prefeitura nessa análise do terreno na época da construção? Conheço bem a Ilha Grande, o outro lado bem mais. Há inúmeras casas enfiadas nas matas, encostas e até nas praias. Há um desleixo completo nas ocupações, fora o desmatamento ( antes do tombamento? ) para as construções. Outro geólogo, esse morador da Ilha, Alexandre Cuellar de Oliveira e Silva “reclama que um decreto assinado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em junho de 2009, flexibilizou &lt;a href="http://noticias.r7.com/rio-e-cidades/noticias/cabral-permitiu-maior-ocupacao-de-regioes-atingida-por-deslizamento-de-terra-em-angra-20100101.html" target="_blank"&gt;construções em áreas onde antes eram proibidas.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- A área que o novo decreto libera para construção são as áreas das costeiras da Ilha. Áreas que não eram permitidas a construção pela preservação da vida silvestre. Esse novo decreto vem a liberar essas áreas.”&lt;br /&gt;http://noticias.r7.com/rio-e-cidades/noticias/geologo-diz-que-falta-de-fiscalizacao-de-obras-na-ilha-grande-coloca-moradores-em-risco-20100102.html&lt;br /&gt;Agora todos ficam perplexos, e devemos ficar mesmo pois se o órgão público responsável pela autorização, Instituto Estadual de Ambiente, permite construção em área instável, o que fazer?&lt;br /&gt;Para antecipar o clima pesado do início de ano (e eu estava bem longe disso, me preparando para salvar um ciclista sem freio e abraçar o barranco ), o âncora da Bandeirantes revela pelo microfone indiscreto sua escala de valores e valores da escala de trabalho. Uma vez foi um ministro, já recuperado pelo tempo, que soltou suas pérolas via parabólica sobre o que se deve divulgar para o povão. Agora o âncora, que tem em seu bordão isso é uma vergonha o corretivo diário, graceja de forma cruel aos augúrios dos garis. Do alto de suas vassouras nos desejam feliz ano novo, e o âncora analisa isso como uma merda. Eu analiso o âncora: completamente fora de qualquer importância ética seu pensamento mesquinho. Se há alguma escala na importância do trabalho, certamente ocupa um lugar especial quem limpa a sujeira do outro. Em uma sociedade que a sujeira é varrida para debaixo do tapete, onde a grana vai para a cueca, meias, sutiãs, contas numeradas, cinismos os mais variados, a importância de quem limpa tem que ser enaltecida.&lt;br /&gt;Eu agradeço os votos de feliz ano novo de quem limpa a sujeira dos outros, a nossa sujeira.&lt;br /&gt;Na escala ética de ser humano, para mim, o âncora naufragou. Não são desculpas que limparão agora a fala anunciada sem querer, esse lixo de comentário.&lt;br /&gt;Eu teria vergonha em aparecer em público de novo. Mas como nessa sociedade a vergonha deixou de ter algum valor, continue, senhor âncora, a criticar a politicagem macabra que nos assola.&lt;br /&gt;Só não vale dizer que a recusa dos votos dos garis – por estarem em escala baixa nos labores – foi algo impensado. Tem muita gente que ama uma sujeira daquelas, ou essa.&lt;br /&gt;É realmente uma vergonha tudo isso!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2026093566984563611?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2026093566984563611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2026093566984563611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2010/01/tragedias-encomendadas-e-gafe-etica.html' title='Tragédias encomendadas e gafe ética'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8984504708972844455</id><published>2009-12-24T12:07:00.009-02:00</published><updated>2009-12-24T22:37:24.370-02:00</updated><title type='text'>Falando para o Google</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se eu disser que o blog vai entrar em recesso estarei falando para o vazio? Não, pela contagem e por alguns e-mails que recebo, sei que é lido. Além de tudo, está no Google, essa gigantesca Hidra ou esse espelho virtual que a nada deixa escapar. Um porto eletrônico de Cila e Caribidis.&lt;br /&gt;Não sei se também é o espírito de Natal que se apossou de mim, mas tenho que dizer que estou feliz por ter pensado projetos e concretizá-los. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tive contatos com muitos intelectuais, gente que fala dezenas de línguas, que sabe de cor poemas de Poe, de Rilke e Milton, gente que sabe das luzes de Borges e das repelências de Sartre. Gente que consegue traduzir do sânscrito as intenções dos deuses e de Wilde alguma sofisticação inútil e bela: as tais franjas do tapete persa.&lt;br /&gt;Mas de alguma forma isso transparece um manto pesado.&lt;br /&gt;Sim, meu círculo se estende também aos que nada sabem disso e podem, sem se comprometer, emitir saudações ao comum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas garanto que me surpreendeu a nobreza daquele que artificialmente catalogam como arrogante, uma altivez particular, num contato quase diário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A simplicidade que descompôs qualquer soberba.&lt;br /&gt;Devo também a algumas pessoas um afastamento, por força, do que seria o menor em mim – e só conseguiram isso porque revelaram em seus olhares e ações essa mácula.&lt;br /&gt;São pessoas que me delimitaram o perigo do vulgar, porque o possuem.&lt;br /&gt;E as que se despediram de minha amizade sem sequer um adeus, jogando em pó pelas vias o que foi construído pelo carinho, deixando comigo alguma saudade esquecida.&lt;br /&gt;Muito próximo do piegas o emotivo, mas minha fortaleza sempre foram as emoções. São elas que me movimentam. Minhas convicções sempre foram as dúvidas. Se há algo de lógico na existência, ainda não passou por aqui.&lt;br /&gt;De sorte, que a sorte venha e me lance para onde sequer imaginava ir: para minha absoluta simplicidade.&lt;br /&gt;And the winner is... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8984504708972844455?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8984504708972844455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8984504708972844455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/12/falando-para-o-google.html' title='Falando para o Google'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6201567340265834272</id><published>2009-12-13T16:12:00.016-02:00</published><updated>2009-12-14T23:05:34.897-02:00</updated><title type='text'>Apenas um domingo de cão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que o vizinho levou sua mulher corpulenta e seu filhote sapeca ruim de bola para algum lugar longínquo – seu carro ficou esquentando na manhã por uns 10 minutos. Carro a álcool.&lt;br /&gt;Mas o vizinho se esqueceu do cachorro – e ele desde às 09 e 15 desse domingo frio de fim de primavera emite um som melancólico. Algo assim: &lt;em&gt;inhauuuaoô&lt;/em&gt;. Saí, comprei a Folha que nem abri e cá estamos nós: eu, o domingo chuvoso e o vira-lata abandonado do vizinho. Na Europa, os franceses ( acho que mais por lá ) abandonam os cachorros nas ruas quando viajam no verão. Na volta arrumam outros, adotam ou compram. Uma maldade, nenhum sentimento com o animal existe nisso. Mas também vi na Itália muitos levarem seus cães para campings, bares, nos carros velozes. Na Alemanha eles trocam a criancinha por um belo pastor e eles estão embaixo da mesa dos bares, nas praças, fazendo cocô na neve, te cheirando as partes nos trens.&lt;br /&gt;Esse vizinho certinho, metódico, consegue arrumar direitinho seu cotidiano: aos domingos ele sai com sua família programada e larga o pequeno cão preto e branco a chorar seus inhauuuaoôs milhares de vezes, compassado. Já fiz de tudo para esquecê-lo. Já ouvi Brian Eno, Sivuca, Meredith Monk, Tetê, Tom, fiz pastel ao som de todo mundo. Bebi a cerveja aberta, tomei café com canela. Já li poemas de Marco Lucchhesi para ver se entendia o mundo de lá, já li um ensaio do Prof. Luiz Edmundo Bouças Coutinho sobre António Botto: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;António Botto estende novas realizações estéticas, com estratégias de imagens poeticamente idealizadas. Como aclamação de um esteticismo movedor de sucessivas invocações do desejo, na persistência especular do corpo-poema, ele reaquece os sonhos sobre a beleza viril, insistindo no desafio de saber celebrá-la. Assim, as miragens bottianas de “beleza na forma” ajustam-se à feitura visceral de versos que – instigados por imagens físicas – espelham e espalham “corpos em dispêndio”.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E me senti poeta mesmo com &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O poeta é o homem que sabe interessar-se pelas coisas que os outros desprezam e não entendem. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Porque eu me interesso por esse choro do cão desprezado, eu entendo o cão – não que não me afete os nervos mas eu já pensei em levar para o cãozinho um pedaço de pão, em gritar da janela: ei fica quieto! Vamos parar hein! Olha, pára! Eu já pensei em sair só, ou com ele amarrado em um barbante, enlouquecido pela chuva ácida. Não existe. Cada vez que penso nisso o tempo passa, mandando para a noite o domingo. Melhor se esse cão tivesse seguido viagem com seus donos. Ele é tão pequeno, tão fácil de se levar, tão portátil, tão amante de seus donos. Eles tinham que levá-lo, isso é uma transgressão com o amor. Pensei em deixar um bilhete para eles, relatando o sofrimento do cão, e todas as agruras que os inhauuuoôs revelavam, mas se eles se irritassem com meu gesto? As pessoas hoje estão por um fio. Porque, acho que não é só em SP, especialmente por aqui a máxima da individualidade impera, com a impossibilidade de comunicação e interferência. Eu me lembrei disso. Uma cara séria da guerra do amanhã. Mesmo que seja uma família cristã que tenha se esquecido do cãozinho na varanda, preso, cantando sua dor ritmada, com seus 1395 inhauuuaoôs. Mesmo assim, pode ser de guerra a tal família evangélica, o santo preservar-se - que o inferno é sempre mesmo o outro.&lt;br /&gt;Ai ai. Domingão de dezembro, que o especialista das Alagoas disse que é a era glacial que chega, para congelar de vez a atmosfera.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Hermeto mistura tudo na vitrola.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6201567340265834272?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6201567340265834272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6201567340265834272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/12/apenas-um-domingo-de-inhauuuaoos.html' title='Apenas um domingo de cão'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5042529122398903965</id><published>2009-12-10T13:24:00.005-02:00</published><updated>2009-12-10T13:47:09.066-02:00</updated><title type='text'>O iceberg se soltou porque estava a fim de circular</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alguém precisa ser um físico magistral para perceber que o poder econômico quer congelar essa constatação de aquecimento global e mudanças climáticas por ação do homem? Acho que não. Agora, com os tais e-mails roubados dos pesquisadores da Climatic Research Unity tudo se concentra nisso: foi um truque, uma armação de informações e dados para chegarmos ao clima de catástrofe. Lorota. Nem me guio pela lógica de que o desmatamento progressivo em todo o planeta em séculos daria em algo pernicioso. Nem é mesmo necessário discutir que a emissão imensa de CO2 na atmosfera é de uma agressividade suicida. Basta olhar o planeta como um espaço saqueado, esfalfado, dinamitado. As geleiras derretendo, o desmatamento, as camadas polares, os icebergs soltos nos mares a um ritmo acelerado. As imagens não valem por si? Uma das máximas agora desse mundo hiper informado é negar as evidências. Nega-se com a mesma convicção do que se mostra. As imagens esperam por interpretações.&lt;br /&gt;Achei isso num blog:&lt;br /&gt;“Uma propaganda de 1962 previu o destino das camadas polares. A gigante petrolífera Humble Oil - que viria a se tornar a &lt;a href="http://www.exxon.com/" target="_blank"&gt;Exxon&lt;/a&gt; - lançou naquele ano uma propaganda curiosa, pra não dizer infeliz. Na foto está uma grande geleira e a legenda diz:&lt;br /&gt;“Todos os dias a Humble produz energia suficiente para derreter 7 milhões de toneladas de gelo dos glaciares”. &lt;a href="http://books.google.com/books"&gt;http://books.google.com/books&lt;/a&gt; e http://www.energiaeficiente.com.br&lt;br /&gt;E o texto abaixo continua:&lt;br /&gt;“Os glaciares tem permanecido intactos por séculos. Mas a Humble poderia derreter tudo numa velocidade de 80 toneladas de gelo por segundo…”. Acho que realmente eles podiam…”&lt;br /&gt;Pois é, temos por aqui algo similar: já li comentaristas auto intitulados lógicos e detentores da verdade confirmarem a tese do agronegócio que temos ainda muito espaço para plantar soja e criar gado – ou seja, o espaço do cerrado e da Amazônia.&lt;br /&gt;Estamos chegando a essa encruzilhada: avançamos para o precipício da auto-destruição ou criamos uma nova estratégia do uso do planeta para amenizar os estragos e buscar a sobrevivência das gerações seguintes.&lt;br /&gt;Simples assim. Como uma redação infantil. Como uma percepção de animal. Não há discurso que bloqueie os cataclismos, as mudanças climáticas, o mundo se derretendo pela poluição, não há discurso que justifique as imagens. Ou será que a seqüência de icebergs se desprendendo é um truque? Acabei de ler que o pequeno arquipélago Tuvalu não assina o tratado de Copenhage porque seria um suicídio. No O Globo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com 2 graus a mais, não estaremos mais aqui. Se assinarmos esse acordo, será um pacto de suicídio.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu posso negar a existência de tanta coisa, queria mesmo que minha negação tivesse o poder de retirar do mundo tanta mesquinharia e perversidade. Queria mesmo desaparecer com tanta miséria. Mas a negação, por si só, não desaparece com a tragédia anunciada há décadas no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5042529122398903965?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5042529122398903965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5042529122398903965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/12/o-iceber-se-soltou-porque-estava-fim-de.html' title='O iceberg se soltou porque estava a fim de circular'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2449773705625165130</id><published>2009-11-29T15:56:00.003-02:00</published><updated>2009-11-29T16:11:46.398-02:00</updated><title type='text'>A caixa de cinismos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não sei se é o fim de ano que se aproxima rápido, não sei se são as quadraturas de planetas ( não entendo muito, mas deve ter Saturno no meio, nada de Júpiter ), ou se algum vírus novo que se aloja na mente. O que sinto, muito, é que as relações estão estranhas. As relações, tensas, passaram a ser ditadas por um mero compromisso formal. Algo de um telemarketing estilizado. Na pressa, tentam vender o vazio das ofertas, sem muita credibilidade.&lt;br /&gt;As relações políticas azedaram de vez cansando as imagens nada originais de mãos políticas capturando grana pública, políticos que vão e vem como as ondas do brejo ( e ao que parece sempre haverá uma mãozinha sendo esticada para receber o dinheiro surrupiado, filmada por uma câmera escondida ) ou com insinuações pesadas retiradas lá da cela do fim da ditadura, que apenas serviram para intoxicar mais ainda o ar. E que servem apenas para tentar dinamitar a personagem, mas estranho guardar a péssima anedota por tanto tempo, na esperança (talvez? ) de que o sindicalista assumisse ares de fidalgo inglês? Ou a revelação assim, subitamente posta, solta na presunção de estilhaço, não estaria no patamar do cinismo da galhofa? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um banquete feito por aquelas panelas alienígenas que são vendidas por apresentadoras inábeis de shoptime, que fazem as gororobas práticas para dispensar visitas, farofa de micro-ondas, .&lt;br /&gt;As relações profissionais, também cansadas, buscam apenas confirmar a rotina do ganha pão ou panetone obrigatório ( que começou lá na punição a Prometeu ).&lt;br /&gt;Parece que o cinismo tornou-se a capa dos discursos. Nos espaços destinados a mostrar o que surge de novo há a velha artimanha dos agrupamentos das tribos eleitas por simpatias, nos contatos profissionais o cinismo retoma a velha forma da preservação: não venha se formar aqui. Nos supostos espaços sofisticados do pensamento e escritura, o cinismo está encapado por um elo perverso e tenso – que faz muita gente débil, esperta e com poder tentar impedir a aproximação de quem tenha mais talento – o que revelaria, por força, a debilidade dos titulares.&lt;br /&gt;Pode-se abrir a caixa de Pandora hoje, ela está vazia. Já temos derramado no cotidiano os áridos movimentos da vulgaridade, a pequenez do gesto humano sobrepujando-se aos gestos nobres, os fétidos odores do cinismo. Resta apenas a esperança, seca, no fundo.&lt;br /&gt;Uma desconfiança do outro – algo contínuo. Que se o outro existe, isso passa a ser um problema. Encapado pelo cinismo, o discurso tenta justificar o conteúdo da caixa: que se há fome no mundo, alimentemos o mundo. Que se há guerra e perseguição no mundo, rezemos. Que se o exagerado uso das maquinarias e detritos detonou a natureza, reciclemos, replantemos com eucaliptos as matas originais, e sobrará papel para contar todas as histórias. Que se houve um momento radicalizado do pior do homem, que dizimou milhões, a culpa está datada e localizada. Que se você não pensa assim, modernize-se ou caia fora.&lt;br /&gt;Apodera-se, como uma gosma, o cinismo do discurso. Não há mais espaço para auto-crítica, mea culpa e até mesmo harakiris, que honra o quê!&lt;br /&gt;Há apenas um movimento sedento para seguir, como se a caixa de Pandora aberta há muito não já tivesse lançado também seus precipícios.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2449773705625165130?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2449773705625165130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2449773705625165130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/11/caixa-de-cinismos.html' title='A caixa de cinismos'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-665264065228482800</id><published>2009-11-21T13:03:00.006-02:00</published><updated>2009-11-21T16:01:28.741-02:00</updated><title type='text'>Vinda de Ahmadinejad: meu repúdio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Receber uma autoridade que ousa afirmar que o maior crime já ocorrido na história da humanidade não existiu é uma afronta ao próprio país. A negação pelo presidente do Irã de extermínio de judeus, ciganos e homossexuais realizado pelos nazistas é algo repugnante e agride a toda a humanidade.&lt;br /&gt;Uma ação hedionda e demoníaca dessa jamais deveria ser esquecida, quanto mais negada. Nem quero discutir que o Irã hoje protagoniza perseguições às pessoas que estejam fora do padrão da moral da religião que ali impera. Vi o documentário Cartas ao presidente, de Petr Lom, e o que se revela ali é que na capital do país há uma certa resistência a isso, algo persa que não se perdeu. O que é significativo é acentuar que o governo do Brasil recebe uma autoridade que agride a memória de milhões e da própria humanidade, um ente que quer promover a aceitação, pela força, de suas crenças.&lt;br /&gt;Sei bem que os americanos também impuseram a diversos países essa estratégia: na seqüência de ditaduras na América Latina, no Vietnã, na invasão do Iraque e etc. Todo esse movimento dos EUA configurava um argumento paradoxal: a invasão ( com mortes de civis ) para garantir a liberdade do país invadido. Penso que essa estratégia maquiavélica tenha terminado no governo Bush, e que os próprios americanos consigam perceber o paradoxo que criaram. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Possam eles rever as ações, como também o fez a Igreja Católica, no seu pedido de perdão a índio e negros.&lt;br /&gt;Agora, esse presidente do Irã move-se por causas religiosas ortodoxas, move-se por interpretações do seu livro sagrado – o que não deixa nenhuma margem para revisões. Se o texto sagrado – na interpretação – assegura-lhe a certeza de estar fazendo a coisa certa, só haveria a aceitação, por parte dos diferentes, como solução para um embate. No cristianismo também tivemos o Deus que ditava: quem não está comigo, está contra mim. Essa questão religiosa tem esse agravante: ela justifica as ações como desígnio. Eliminar o ímpio não é algo difícil de se achar em várias escrituras sagradas.&lt;br /&gt;Imaginemos que uma seita radical-ortodoxa assuma o poder político no Brasil. E que imponha aos diferentes credos a submissão e a aceitação de sua doutrina, que obrigue aos desajustados a recondução para o caminho certo. Imagine a guerra civil que por aqui se estabeleceria. Se no passado os índios foram dizimados na disputa da terra e na não aceitação do cristianismo, se os negros foram escravizados porque o discurso religioso de alguma forma dava aval a isso, hoje ainda vemos pequenas cenas localizadas de intolerância e confronto – na TV e nos templos, principalmente contra os ritos afro-brasileiros.&lt;br /&gt;Esse escárnio com o extermínio na segunda guerra coloca em suspensão o direito do governo brasileiro em recebê-lo em nome do país. Eu posso dizer: em meu nome não!&lt;br /&gt;O brasileiro – com sua intensa diversidade cultural e religiosa – deveria repudiar essa visita, rejeitando a presença de Mahmoud Ahmadinejad nesse país onde a diferença e o respeito a ela tem que ser cada vez mais acentuado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-665264065228482800?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/665264065228482800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/665264065228482800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/11/vinda-de-ahmadinejad-meu-repudio.html' title='Vinda de Ahmadinejad: meu repúdio'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1672346024810446089</id><published>2009-11-17T17:40:00.010-02:00</published><updated>2009-11-18T19:18:09.470-02:00</updated><title type='text'>A Loira da Uniban</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Meu pitaco sobre a loira da Uniban – se o assunto ainda interessa, que tudo passa na velocidade das cenas: a loira da Uniban foi atacada porque é meio gordinha.&lt;br /&gt;Isso mesmo. Por ser meio gordinha e buscar a sensualidade foi seqüenciada por esse corredor de ojerizas. Certo que um público de faculdade particular não é lá essa sumidade em projeções da diferença. Se nem o corpo discente das federais se posta como algo visível para fora do muro senso comum, não vamos agora inflar a análise para a galera dessas particulares. Eu conheço bem esse público. Já enfrentei turmas que queriam muito menos o que eu poderia oferecer – ou queriam matérias mesmo, dessas que colorem os cadernos organizados, e que qualquer ida ao Google hoje resolve. Já fui atacado por uma aluna ( de pós!!!) que simplesmente me enfiou a caneta na barriga porque não estava bem ( isso ficou claro, e minha sorte é que a adiposidade suavizou o seu movimento impensado, ficando apenas um sangue azul na camisa ), ou tenha perdido ela a atenção buscada, alumnos sempre buscam uma atenção especial, ou estava com algum encosto, que existem muitos disponíveis. Já vi coisa de bastidor: vi aluno me entregando nas coordenações porque queria a explicação pormenorizada de reflexões, aluno que estava ali apenas para decorar a matéria fugindo do espírito acadêmico – raridade em qualquer instituição. Já viajei com uma professora que me contou que numa turma no Sul recusaram uma colega por ser ela negra. A turma simplesmente não apareceu: de 40, apenas 3 gatos pingados constrangidos. Tentei saber quem era, qual local, detalhes desse fato tão imundo, mas me disseram que a própria professora não queria publicidade sobre seu caso e. É. Melhor voltar, então, à cena da loira da Uniban – que na piada paulista virou Taleban. Sim, os talebans que obrigam suas mulheres a se cobrirem com a burca – e elas, quase inexistentes, arrastam-se pela poeira da região para confirmar que a tradição é cruel. No final, sempre sobram para as mulheres. Ah, as Amazonas sumidas que não voltam nunca!&lt;br /&gt;Volto ao caso da loira da Uniban: o problema ali foi por ela ser rechonchuda, e não desfilar nos corredores da Renascença. No império da era da academia ( de malhação ) o que se mostra é o músculo trabalhado, a barriguinha sarada, as pernas sequinhas, glúteos torneados. Talvez a revolta tenha-se iniciado aí. Ao se mostrar com vestido tão destacado, e vermelho, a loira atingiu um dogma estético, dos poucos que se tem hoje: o corpinho sarado. E todo martírio para se alcançar esse estado.&lt;br /&gt;Um outro episódio, com a Preta Gil, pode ajudar essa análise psicológica meia-bomba: Preta Gil posou para uma revista, como se modelo fosse, e a repercussão foi tamanha, um escândalo. Tantas beldades extemporâneas e celebridades instantâneas, como dizia o bicheiro do Zé Wilker, posam, abrem-se e são clicadas, e no máximo pousam em alguma oficina mecânica, por fim. É normal a gostosa se apresentar, com ou sem reparos técnicos, para o grande público. É seu mérito. A loira da Uniban queria apenas chegar a mais uma aula do curso de Turismo. As escadas devem ter aumentado as escalas, suas dimensões fora do padrão. Ora, um público domesticado pelo olhar senso comum logo logo farejou a diferença. E leu como provocação terrível, um estranhamento repulsivo. Que se a loira fora do padrão cobiçado ainda assim afrontava o pátio com seu corpanzil – era uma vagaba. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Alguém que se ache bonito, que se goste e queira se mostrar (talvez porque o espelho a admira e reduza as partes), mesmo que alguém se ache assim, possível, para que na pista acadêmica demonstre que seu corpicho está apto a ser demonstrado. Não pode!&lt;br /&gt;A loira da Uniban fez a direção da faculdade ficar mais perdida que cachorro em mudança. Que se ela, ferindo a dignidade acadêmica, merecia ser jubilada, depois não, ou que ela se adaptasse então para voltar para a dignidade acadêmica. Que se cubra, ou emagreça! Um padrão sempre deve ser reverenciado – nas academias.&lt;br /&gt;Esse termo, dignidade acadêmica, onde esse termo poderia ser parâmetro para a academia, dos novos e velhos tempos?&lt;br /&gt;Que se a dignidade, ferida nos corredores, corresse para as salas e os projetos e os trabalhos e as reflexões e as produções e textos, textos e mais textos, e suas originalidades, ih, que revolução se daria nos detratores e em seus corretores!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Seria mesmo uma saia justa!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1672346024810446089?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1672346024810446089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1672346024810446089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/11/loira-da-uniban.html' title='A Loira da Uniban'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7411147102989834891</id><published>2009-10-22T17:21:00.007-02:00</published><updated>2009-10-22T21:58:00.124-02:00</updated><title type='text'>Tudo uma confusão</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sim, está tudo muito confuso. Não me atrevo a falar mais em política. Não entendo mais nada. Nem a mundial, nacional ou pessoal. Política é o fim, já o disse o poeta baiano. Aqui, na nacional, estamos mais ou menos assim: os éticos se uniram aos picaretas para se manterem no poder. Os picaretas voltaram então ao poder, depois de cassados, excomungados, alijados. Os éticos, que deixaram pra lá a ética por um tempo, pensam a situação do Brasil por este prisma: resgatar os picaretas e mostrar-lhes que é possível sustentar uma política de resultados, dentro de uma certa margem positiva. Ocorre que os picaretas, com um veneno sem antídotos no sangue, acabam por revelar sem querer aos ex-éticos essa contaminação. E tudo, contaminado, passou a ser um cenário comum, no mantra invertido do sempre foi assim. Os ex-éticos se surpreendem com esse vazio, conseqüência do poder ( ? ), com esse desnível do discurso maquiando ações não republicanas, sentiram que foram levados a isso. Mas seguem em frente, farejando a tal da ética, para no futuro dela fazerem uso. Porque foi ela quem os alçou a esse patamar de ouro, ou cobre. Foi ela que mapeou o caminho das pedras. Ela é a pedra de toque, de troca (?).&lt;br /&gt;Os da esquerda rodopiaram tanto para convencer o mundo que criariam uma nova esquerda inofensiva aos mercados ( os ex bam bam bans da parada mundial, que da jogatina virtual e real dos montantes quase destruíram tudo ) que foram parar no centro, tendendo à direita ( têm horror dessa análise, como se fosse uma acusação ). Os da direita, sempre escapulindo dessa classificação, pesada no país, por causa da ditadura, assumiram um ar de social-democratas, tentando conjugar com os ex-social democratas (adoradores da privatização fácil ) que fingem jamais terem governado o país. E apontam a aliança dos ex-éticos com os picaretas como algo repulsivo, esquecendo-se que fizeram no passado recente uma aliança dos acadêmicos com os coronéis. Profícua e disforme.&lt;br /&gt;Os verdes buscam depurar-se da política marrom, do inchaço, correndo contra o tempo, para ver se dará tempo de se apresentarem com o novo discurso, limpos. Querem o desenvolvimento sustentável. Tomara que apresentem ao menos uma solução para o lixo – e os plásticos. E que pensem em algo realmente novo, que tal transporte leve sobre trilhos?&lt;br /&gt;O maior partido é forte e fraco, um saco de lebres. Seu valor é o tempo que empresta a outrem para, na TV, revelar-se o projeto, de algum poder que virá.&lt;br /&gt;Na minoria, os trotskistas cristãos aceitaram uma parcela de anarquistas enamorados pelo esquema oficial e pós-católicos enérgicos, mas levam com mão fechada as chaves do partido. Temem o crescimento que pode trazer-lhes a tal contaminação. E nunca entendi muito esses pensadores/ativistas russos. Os stalinistas falam de democracia social e estão cada vez mais ligados aos desportos (?). Bem, tá certo, os times usam uniformes.&lt;br /&gt;No mais, quase tudo que seria maracutaia – provada ou divulgada – se desfaz no órgão máximo que julga pela técnica, na interpretação da Lei. Acreditam-se neutro na política. Mas eles foram indicados pelos acadêmicos e coronéis e pelos éticos, ex-éticos e picaretas. O que não quer dizer que se comprometeram, eis, creio? E cumprem, como sacerdotes, um ritual que transforma em pó qualquer material pesado.&lt;br /&gt;No campo pessoal, não, não irei falar, não tenho o poder de transformar em pó nada, nadinha. Quisera transformar em pó as pedras que tanto me perturbaram. Em outras ocasiões já quis rolar as pedras sobre desafetos e gente sacana.&lt;br /&gt;Tudo comigo cresce numa terceira dimensão, como se as relações tomassem vida própria e se expandissem e falassem comigo em terceira pessoa. Quero falar que o Rio está tenso e disfarça geral essa uruca da guerra do tráfico. No tráfego todos querem se livrar da rua. Na rua todos querem se livrar da esquina. E fiquei pensando nesse movimento tenso, que passou por mim. Na fragilidade exposta com tanta gente alegre. Um norte para o Rio. Uma nova Zona Norte. Um parangolé em cinzas dançou no Jardim Botânico, isso foi inacreditável. Como o helicóptero pousando suas chamas. Ou os meganhas furtando o coordenador do Afroreggae baleado por bandidos, liberados. Falar o quê?&lt;br /&gt;Hoje meu norte é somente oferecer água que eu beba para visitas, mesmo as indesejadas. Mas não deixo de colocar a vassoura atrás da porta. E defumar toda a casa depois. Para afastar a confusão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7411147102989834891?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7411147102989834891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7411147102989834891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/10/tudo-uma-confusao.html' title='Tudo uma confusão'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1934321773155594587</id><published>2009-10-03T12:30:00.005-03:00</published><updated>2009-10-03T15:26:44.426-03:00</updated><title type='text'>Rio 2016</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;A euforia que tomou conta das autoridades e da população em geral com a decisão de se fazer as Olimpíadas no Rio em 2016 ainda não me arrebatou. Seja porque o Rio é uma cidade acostumada a grandes eventos, com um Réveillon dos mais desejados e o maior carnaval do mundo, seja pela dualidade em se festejar e ao mesmo tempo questionar o desperdício de dinheiro público que já se antevê: essa questão foi colocada em vários e variados comentários sobre a escolha da cidade, como uma conseqüência natural, praga de nossa cultura política.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Evidente que o Pan-Americano ainda está como um fantasma assombrando a lisura das obras, sua perenidade e utilidade. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Rio tem, naturalmente, condições de receber e produzir uma Olimpíada singular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há, como o Rio, cidade que saiba festejar mais, interagir mais com visitantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;Os problemas de violência e segurança, tão propalados, sequer chegam próximos de outras cidades onde a possibilidade de atos terroristas desfazem qualquer ideal olímpico. Ou mesmo, como em Pequim, onde o peso do regime comunista pairava pesado sobre tudo. Uma antítese radical com o ideal olímpico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Será uma oportunidade única para que o Rio receba o tratamento que merece. Uma cidade que, em seqüência, teve prefeitos que fizeram no máximo experiências de urbanização, absolutamente temporárias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Rio Cidade, ou favela bairro, calçadas maquiadas, obeliscos, pinturas de fachadas, uma perda de tempo e grana numa cidade que sequer tem um metrô que chegue à rodoviária, que nega ainda o poderio do transporte sobre trilhos ou por mar, tão óbvio para uma cidade com uma baía ( que precisa urgente de tratamento sério de despoluição) e de uma cidade que não preserva seus casarios e história. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A urbanização de favelas precisa enfrentar o que sempre se simulou mas nunca de fato se enfrentou: um poder paralelo que foi se formando diante de uma população dominada e subjugada. Diante de autoridades quase sempre omissas ou sem um projeto real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;O que ocorre é que o tema de investimento inicial da ordem de 25 bilhões reais para o evento já acionou um sinal vermelho: a possibilidade das nada transparentes licitações ou aplicações do dinheiro já produziu propostas de uma comissão especial para acompanhar as obras. Vamos ver. Tomara que além da transparência nas contas, as obras sirvam de fato para a cidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que tal se a euforia das autoridades não se transmutasse em uma nova atitude: conjugar a alegria da Olimpíada no Rio de Janeiro com um projeto honesto de aproveitamento desses investimentos de fato para a cidade, e lógico, tudo dentro de uma rigorosa prestação de contas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A cidade merece o respeito e a admiração de todos. Espero que, da euforia, surja o jogo limpo. E a cidade assuma de vez o seu imenso potencial turístico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1934321773155594587?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1934321773155594587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1934321773155594587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/10/rio-2016.html' title='Rio 2016'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5418232574029140214</id><published>2009-09-29T19:22:00.010-03:00</published><updated>2009-09-29T20:23:25.752-03:00</updated><title type='text'>Parabéns ao Jabuti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parabéns aos vencedores do Prêmio Jabuti 2009. Esse prêmio não é à toa que está desde &amp;shy;&amp;shy;1957 homenageando a produção editorial no país.&lt;br /&gt;A belíssima tradução de Marise Moassab Curioni A Morte De Empédocles / Friedrich Hölderlin, publicado pela Iluminuras, mereceu o destaque. O que não quer dizer que Cláudio Aquati com SATÍRICON Cosac Naify e Paulo Bezerra com Os Irmãos Karamázov – em 2 vols. Editora 34, não mereçam elogios, apesar de não ter lido este último.&lt;br /&gt;Surpreendeu-me que o Prof. Mauricio Sant’Anna não tenha sido relacionado, pois seu 40 novelas de Pirandello tinha uma introdução leve, bem costurada e familiar, e levou o prêmio da BN 2008, mas cada prêmio tem lá seu marco de julgamento.&lt;br /&gt;Na poesia, outra surpresa: Cinemateca, de Eucanaã Ferraz, também da Cia das Letras, tão incensado, divide o terceiro lugar com Outros barulhos”, de Reynaldo Bessa (edição do autor). Vejam: edição do autor. O Jabuti de novo reconhece a produção independente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alice Ruiz ganhou com Dois em Um, pela Iluminuras. Ela foi casada com um poeta mais que admirado: Paulo Leminski.  Peguei um poema do livro premiado no site dela. .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="5" width="521"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td height="20" width="372"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td height="20" width="111"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="8"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td valign="top" colspan="2" align="middle"&gt;&lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="5" width="500"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr valign="top" align="left"&gt;&lt;td height="35" width="346"&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;jamais amei um santo&lt;br /&gt;nem cantei um hino&lt;br /&gt;só quero morar&lt;br /&gt;contígua a um sino&lt;br /&gt;som que continua&lt;br /&gt;desenhando templos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Para mim, a surpresa maior foi que Scliar levou o de melhor romance com Manual da Paixão Solitária, Cia das Letras, não li, ganhou de Milton Hatoum Orfãos do Eldorado, também Cia das Letras, que eu li com grande prazer – uma novela que nos remete a imagens e mitos. Hatoum, a despeito de alguns do meio literário, é um ótimo narrador. Reproduzo aqui um trecho da crítica de Júlio Pimentel Pinto em &lt;a title="Paisagens da Crítica" href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/"&gt;&lt;span style="color:#265e15;"&gt;Paisagens da Crítica&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Órfãos do Eldorado é uma novela de 103 páginas. Concisa, conforme exige a coleção de mitos da Canongate para que foi concebida. Concisa, como só a maturidade de Hatoum atinge. Bela e forte como Relato de um certo oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte, mas com dicção própria e plenamente definida, que se ajusta ao limite de espaço e resulta num texto de que – calcula o leitor – não é possível tirar uma palavra, um sinal, uma das frases definitivas que a pontuam e fazem o leitor parar seguidamente para pensar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parabéns ao Jabuti, cada vez com mais credibilidade e cada vez mais um prêmio cobiçado.&lt;br /&gt;Espero que o mercado editorial no Brasil se aqueça, que atinja a um público leitor que geralmente não vai a uma livraria comprar livros.&lt;br /&gt;O principal motivo ainda é o preço, não entro nessa em dizer que brasileiro não lê porque não gosta. Os livros tem um custo editorial alto e chegam nas prateleiras com um valor que impede sua aquisição pelo consumidor de renda média para baixa.&lt;br /&gt;Prêmios desse quilate só nos fazem acreditar que o Brasil tem um potencial e tanto para expandir o mercado editorial. Vejo o exemplo do belo projeto da L&amp;amp;PM com seus livros de bolso, vendidos em bancas a um preço atraente.&lt;br /&gt;Talvez esteja faltando essa visão das grandes e médias casa editoras.&lt;br /&gt;Mas é questão de tempo e - por quê não – de sobrevivência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5418232574029140214?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5418232574029140214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5418232574029140214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/09/parabens-aos-vencedores-do-premio.html' title='Parabéns ao Jabuti'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5595890589279025754</id><published>2009-09-25T13:38:00.007-03:00</published><updated>2009-09-25T13:55:56.452-03:00</updated><title type='text'>Se o petróleo não for fóssil...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Li e pensei sobre os discursos. Todos querem que tudo fique bem, que não impere a miséria, a fome, o terrorismo. Um território neutro, uma macro embaixada encravada em NY acenando para a reconstrução sempre urgente do mundo. Um mundo que não sabe mais como deixar de se destruir, porque só sobrevive se continuar poluindo-se. Não consegue ver outra saída – se reinventar seria lançar fora muitas conquistas, e são elas que pesam nos discursos. A tenda, sem lugar para se armar, porque não foi para um camping selvagem? O presidente deposto pela corte, ninguém sabe se é um golpe. Confuso. Os discursos formam-se assim nas intenções dos mundos. Onde estão os ciganos que não foram lá explicar uma pátria estranha, andarilha? Isso subverteria todos os discursos, se o mundo sou eu que o carrego, e dele posso me desfazer – e não há mais nada fixo. Nem um pre-conceito do que seria o outro, e o perigo de sua existência, nem o enterro da memória na tragégia maligna do holocausto. Asneira pesada. Há um nazista escondido em cada convencimento? Uma tenda na estrada para diluir tudo, mas não é esse o mundo da Onu, imagine.&lt;br /&gt;O mundo da ONU é um mundo fixo, demarcado pela história e pelas conquistas. Eu li uma matéria com um historiador ( José Augusto Pádua ). Ele dizia exatamente que achar mais petróleo não pode ser considerado mais riqueza somente, mas muito mais ruína. Diz ele: (...) &lt;em&gt;não se trata, como se imaginava na década de 70, de um esgotamento das reservas de combustível fóssil, mas da impossibilidade de continuar utilizando-as no longo prazo&lt;/em&gt;. Folha de S. Paulo 13/09/09 A14.&lt;br /&gt;Por outro lado, vi um outro especialista da área de vendas de carros dizer que a frota no Brasil pode aumentar ainda em 40 milhões de automóveis. Diz ele: &lt;em&gt;podemos sair da relação de um automóvel para três para 5 habitantes.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre cinco habitantes do país, três teriam um automóvel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Verdade, parece que não faltará petróleo.&lt;br /&gt;Esse é o mundo pra frente – e para o precipício. Se antes o discurso da ciência era de criar o progresso, agora parece que é o de alerta vermelho: se continuarmos nesse ritmo atrairemos tudo: cataclismas, falta de ar, de comida, de água e muita ruína.&lt;br /&gt;O mundo da ONU não discute esse xeque-mate, ele quer redesenhar o erro de atalho que o mundo tomou, se muito. Longe em pensar outro caminho.&lt;br /&gt;Um erro que pode nos custar a vida, único bem que não podemos perder. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Planeta morrendo com a boca cheia de petróleo, que imagem horrível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5595890589279025754?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5595890589279025754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5595890589279025754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/09/se-o-petroleo-nao-for-fossil.html' title='Se o petróleo não for fóssil...'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1210523291198407932</id><published>2009-09-22T00:56:00.005-03:00</published><updated>2009-09-22T01:15:39.931-03:00</updated><title type='text'>Ciro e o peteleco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A entrevista do deputado federal Ciro Gomes ao Canal Livre nesse domingo confundiu mais ainda minhas tentativas de entender a política brasileira.&lt;br /&gt;O deputado, que se postou como um analista apaixonado das questões nacionais, revelou que o processo agudo por qual passou o governo no escândalo do mensalão foi uma artimanha, ou uma estratégia, de parte da elite para retirar o presidente do posto.&lt;br /&gt;Eis uma afirmação que me confunde mais ainda. Ele chegou mesmo a estender esse procedimento ao processo de impedimento de Collor: só que ali a sociedade deu respaldo à estratégia da elite, traída pelo presidente ( como assim? ). No caso de Lula, a sociedade segurou e minguou o artifício. Ou seja: a sociedade não engoliu a isca.&lt;br /&gt;Claro que entre os jornalistas presentes, experientes e informados, houve alguma tentativa de refutá-lo. Fernando Mitre tentou dizer que a oposição foi até amena na ocasião, por comprometimento em Minas etc, mas apenas tentou. O deputado estava convicto de que havia ali no episódio uma tentativa clara de desestabilização do governo, e revelou que foi a líderes da oposição expor o perigo de uma chavinização no processo brasileiro. Foi atendido em suas reflexões.&lt;br /&gt;O que entendi disso: a elite golpista tentaria tirar o presidente mas o povo iria às ruas para garanti-lo.&lt;br /&gt;Fiquei pensando, no entanto, o que quis dizer o deputado Ciro de fato. Talvez mesmo tudo não passe de divulgação excessiva de atos que contrariem uma ação republicana. Esse escândalo não foi conhecido por conta de brigas internas então? Então, ardilosa, a tal parte da elite, déspota esclarecida, como ele a denomina, subjuga os fatos a sua revelia? Não temos acesso realmente ao que ocorre? A imprensa, contaminada por interesses, enfatiza apenas o que serve a seus proveitos?&lt;br /&gt;Muito confuso pensar assim. Ou seria perigoso?&lt;br /&gt;Descarregar sobre a imprensa, ou sobre um grupo, a responsabilidade de revelações do que ocorre nos bastidores da política federal não seria uma forma de pautá-la? Seria como dizer: não divulguem isso ou tudo pode ir para os ares. Muito cuidado com o que divulga. Ele mesmo soltou um pensamento lá pelas tantas, que num peteleco o Brasil pode regredir politicamente. O que significa isso? Devemos preservar a democracia protegendo os atos canhestros dos próprios políticos? Não divulgar as maracutaias nos dará a sustentação do regime democrático? Ou: a interpretação dos fatos políticos, ou a intensidade de sua propagação, são de fato a construção da verdade ou da realidade?&lt;br /&gt;No caso do mensalão – que nem sei mais se interessa – a acusação maior seria de que o executivo patrocinava as decisões do legislativo, daí o nome – corruptela de mesada.&lt;br /&gt;Uma acusação gravíssima que está sendo julgada pelo poder judiciário. Na época da reeleição de FHC também houve esse boato, de que houve compra de votos. Mas, se me lembro, no caso do mensalão o estopim veio de dentro, e foi algo tão forte que desmantelou o poderio da casta do governo, com a saída do ministro da Casa Civil, do presidente do partido e muitos outros.&lt;br /&gt;Foi uma investigação da Polícia Federal quem revelou tudo, basta reler o que se apurou. Foram órgãos federais de investigação que sustentaram a tese de compra de votos, não um mero boato lançado ao vento com intuito de retirar um governo legitimado pelas urnas. O deputado fez um recorte para, também ele, elaborar sua análise?&lt;br /&gt;Eu posso colocar sob suspeição os jornais e revistas quando afirmo que eles tem sua opinião vinculadas a grupos que buscam o poder. Alguém pode dizer: santa ingenuidade, descobriu isso agora? Bem, até ontem eu acreditava que a imprensa tinha por mérito ser independente, mesmo sendo pró ou contra um governo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Explico, no estilo de Ciro: mesmo sendo Marlene ou Emilinha não poderia eu, jornalista, deixar de admitir que minha predileta tenha desafinado em tal música ou show. Êta quase Estado Novo!&lt;br /&gt;Se for realmente assim, do jeito que ele mandou ver na entrevista, o peteleco pode ser realmente mais embaixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1210523291198407932?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1210523291198407932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1210523291198407932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/09/ciro-e-o-peteleco.html' title='Ciro e o peteleco'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3138181618189024689</id><published>2009-09-14T13:54:00.005-03:00</published><updated>2009-09-14T15:00:00.902-03:00</updated><title type='text'>Sempre me quis só</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sempre há algum perigo nos rondando. Se não algo físico, o pensamento.&lt;br /&gt;Meu perigo atual, depois de uma seqüência absurda de ataques metafísicos, é a música que se repete e se repete sem parar no apartamento de cima. Quando se aproxima o sábado, ou a noite festejada, sei que Calcanhoto vai começar a cantar. Gostava dela, assim como se gosta de fruta-de-conde – há temporada para tudo. Mas, hoje, Adriana tornou-se meu desespero por conta da paixão do vizinho de cima.&lt;br /&gt;Mesmo nos momentos de silêncio sei que ela está cantando, e seu canto vem, como um incenso, invadindo minha janela e teto, modificando tudo. Eu tremo. Pensei em convidá-la um dia para vir aqui, nesse condomínio estranhado, cantar para meu vizinho.&lt;br /&gt;Uma vez a vi no aeroporto internacional com um violão encapado, enorme, sozinha, esperando um carro vir buscá-la. Uma imagem bonita, capa de disco.&lt;br /&gt;Eu só o conheço de costas, quando desce para entrar em seu eco sport 2012. Atrás dele, uma fila de músicas, dela, se forma, charanga, para entrar no possante vermelhão.&lt;br /&gt;Ele dever ser o tal macho alfa que o Vamp falou. Um macho alfa romântico.&lt;br /&gt;Pensei um dia em conversar com ele, mas desisti. Cheguei a comprar uma Beth pra ele.&lt;br /&gt;Ousadia: oferecer-lhe uma Ná Ozzetti.&lt;br /&gt;Queria pautar seu gosto para ouvir, de cima, variações.&lt;br /&gt;Como posso interferir na sua paixão por Calcanhoto, na paixão que a traz, repentina, quando estou no banho ou quase dormindo? Estive relendo as peripécias do homem comparado aos deuses em astúcia. Nada, o distanciamento que esta cidade impõe não permite implementar nenhuma estratégia. Noves fora, zero.&lt;br /&gt;Meu mp3 lotado de músicas freqüenta meus ouvidos, não há uma música dela. Ela reina lá em cima, necessária. Absoluta.&lt;br /&gt;Sua voz bossa nova lamenta o frio do Leblon glacial. Em São Paulo alguém, refugiado do Leblon, lembra-se do frio do bairro bacana. Isso é uma loucura. Só se for o da casa de Mariana, onde o ar está sempre em 16 graus. Onde se usa casaco em dezembro.&lt;br /&gt;Tentei uma vez cantar junto para ver se, na freqüência, eu neutralizava a repetição infinita dos cds. Não sei a maioria das músicas, e esqueci meu diapasão nas aulas de música abandonadas. E, além do mais, sou muito desafinado para acompanhá-la.&lt;br /&gt;Uma vez reagi com uma estratégia, já abandonada.&lt;br /&gt;O que poderia rebater a malemolência gaúcho-carioca da cantora? Quem para neutralizar o cantarolar macio de um banquinho e violão de Adriana?&lt;br /&gt;Cássia Eller. E quando percebi, estava me infernizando e ao vizinho de baixo com o rebote da Cássia. Um sábado, tendo que montar três aulas, lancei mão do jazz, blues, samba e Chico Science. Nada. Adriana vinha de cima costurando o ar, presente nos espaços dos silêncios, imperando no tempo de minhas escolhas, no tempo do meu vacilo, como se um soldado, surpreendido ao recarregar sua espingarda, dá de cara com o inimigo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Toda sexta-feira todo canto é santo e toda conta toda gota toda onda toda moça toda renda&lt;br /&gt;Cariocas nascem bambas Cariocas nascem craques Cariocas têm sotaque Cariocas são alegres Cariocas são atentos Cariocas são tão sexys Cariocas são tão claros Cariocas não gostam de sinal fechado&lt;br /&gt;O Parangolé Pamplona Faça você mesmo E quando o couro come É só pegar carona Laranja Vermelho&lt;br /&gt;Cada um um Cada um um sim Cada um um simbiótico&lt;br /&gt;Caminho ao longo do canal Faço longas cartas pra ninguém E o inverno no Leblon é quase glacial&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E tem algo que jamais se esclareceu:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como e porquê ao embalar minhas caixas para a mudança ( o deus Mu – Dança ) eu me embalo ainda com as canções?&lt;br /&gt;Você não é doce de côco, mas enjoei de você, isso é de quem: Jerry ou Wanderlei?&lt;br /&gt;Nem vou ver no google, espero que ela grave um dia. E que ele, meu vizinho amado, seja feliz. Porque eu, eu &lt;em&gt;Sempre me quis só No deserto sem saudade, sem remorso só Sem amarras, barco embriagado ao mar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3138181618189024689?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3138181618189024689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3138181618189024689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/09/sempre-me-quis-so.html' title='Sempre me quis só'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-4685448527607492666</id><published>2009-09-07T15:06:00.009-03:00</published><updated>2009-09-07T15:43:30.728-03:00</updated><title type='text'>Paz no futuro e glória no passado.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se tenho alguma relação com essa data de sete de setembro, ela está retida em fragmentos da infância. Lembro-me que éramos obrigados a cantar todo dia, em fila e com a mão no ombro dos colegas, em formação, o Hino. Era um ritual desgastado pelo cotidiano. Uma ante-sala para as aulas repetitivas dos professores oprimidos. Muitos não gostávamos dessa enfadonha necessidade escolar, mas como poderia uma criança ir de encontro a uma ordem de um sistema? Já entrávamos para a formação no pátio.&lt;br /&gt;Um sistema que pairava como uma nuvem chumbo sobre nossas cabeças sem revelar ao certo o que ocorria. Havia um medo escondido nas escolas, isso captávamos. No colégio estadual tínhamos um sistema de som que vigiava as aulas das professoras. Uma caixa de som marrom fixada sobre o quadro-negro, um câmbio com o poder da diretora Dilma. Uma vez eu falei a palavra comunista. Perguntei a professora de história porque xingar uma pessoa de comunista era assim tão ruim? Saiu assim, sem querer, num questionamento infantil. Quando não gostávamos de alguém: &lt;em&gt;seu comunista! Vou falar pra todo mundo que você é comunista!&lt;/em&gt; Uma ameaça. Era uma infância contaminada pelas instituições, engessadas pela ditadura. E a professora foi chamada imediatamente pela direção, disso me lembro. Me olhavam, no recreio, como se eu pudesse, aos nove anos, contaminar a ordem nacional. Fiquei de castigo nesse dia. E minha irmã foi bater boca, dentro da cautela, com Dona Dilma: que criança fala as coisas sem saber etc. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hoje acho que o sobrenome Viola tinha uma força negativa, pois remetia imediatamente ao verbo, e não à cor, em italiano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De família anarquista, nem imaginava que sair às ruas nas paradas para honrar a pátria era minha obrigação. Honrar a independência passava pela honra dos militares, e os símbolos ficaram assim, exilados, em minha lembrança. A bandeira, o hino, tudo sempre remetia à época de uma reverência à força dos militares, de uma submissão que nem passava perto de meu interesse, ou de minha famíla. Lembro que tinha uma colega que o pai estava sumido – isso era um assunto proibido na escola. Era como se na família dela uma doença contagiosa e terrível ameaçasse toda a comunidade. Era uma criança, a Joana, que muitos evitavam. Mas ela se vingava ao cantar o hino e, como uma Danusa antecipada, misturava as estrofes, atrasava a melodia. Embolava a homenagem máxima à pátria. Sempre o riso perigoso era preso por mim e meus colegas, próximos a ela, que fazia uma cara incrível de séria. Sua voz, fina, feria a harmonia. E ninguém podia fazer nada, porque a mão no peito impedia movimentos. Apenas os olhos da temida Dona Dilma buscava aquele som estranho, desafinado e dissonante, sem nunca encontrar, pois protegíamos Joana, nossa guerrilheira.&lt;br /&gt;Na minha ida à Aeronáutica, para o serviço militar, sequer agüentei um mês. Esquecia de fazer a continência inesgotável, não era apto ao sistema rígido das repetições que domesticam para a obediência. E, posto lá por uma amiga do coronel, espírita positivista, saí pela porta dos fundos feliz da vida. E também ficou feliz meu pai, que tanto lutava pela minha inclusão no excesso de contingente.&lt;br /&gt;Hoje leio que o país vai gastar 22 bilhões e meio de reais para comprar helicópteros e submarinos da França. Minha intuição estava certa: somos riquíssimos. Cada vez mais surgem montantes aos montes revelando isso.&lt;br /&gt;E nos preparamos para montar um arsenal daqueles, esperando o inimigo – caso ele venha atrás do petróleo enterrado abaixo do fundo do Oceano.&lt;br /&gt;Independência ou morte. Brasil, dos raios fúlgidos. Em teu peito, ó liberdade. Seio.&lt;br /&gt;Se o governo me ouvisse, eu diria para ele gastar esse montante astronômico na restauração das linhas férreas. Só uma parte já seria suficiente. Ligar o país de novo com os trens. Se o governo Lula tivesse investido nisso, poderia até não contar com esse número altíssimo de aprovação revelado nas pesquisas ( e eu já fiz essas pesquisas, conheço bem: o governo está tão em alta que o presidente, diretamente envolvido na disputa em São Paulo, perdeu a eleição para um candidato desconhecido, de fala complicada e sem filhos. Sua candidata era mais conhecida que &lt;em&gt;minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá&lt;/em&gt; ).&lt;br /&gt;Ele, o governo, ao menos poderia sustentar que deu uma certa mobilidade ao povo, na contramão de Juscelino, fazedor de autos, permitindo a ligação dos lugares pelos trens. Será que nesses sete anos ninguém nunca soprou essa idéia tão útil nos ouvidos do presidente? Nenhuma Joana para cantar atravessado o hino dos investimentos?&lt;br /&gt;Mas como aprendi na escola, cada vez mais estamos perfilados, com as mãos nos ombros dos colegas balbuciando um hino que nos revela: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E vamos, todos, como na aula de história, pensar o passado – outra imagem do hino: &lt;em&gt;Paz no futuro e glória no passado.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-4685448527607492666?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4685448527607492666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4685448527607492666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/09/paz-no-futuro-e-gloria-no-passado.html' title='Paz no futuro e glória no passado.'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6775028742579892743</id><published>2009-08-31T16:27:00.009-03:00</published><updated>2009-08-31T17:20:18.480-03:00</updated><title type='text'>" O Brasil não é para principiantes"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Devo dizer, antes de mais nada, que me surpreendi com o excesso de e-mails me criticando por eu criticar o governo. E é por isso que escrevo esse texto. Ué, será que essa gente está lendo meus arquivos? Será que quando se entra na internet entra-se também em tudo que está no pc ( ops )? Isso é uma loucura. Sempre desconfiei que a privacidade é algo mesmo do passado. Outro dia no metrô uma mulher discutia a relação no celular, e relatava até mesmo aos brados os últimos acontecimentos com o parceiro. Tipo aquilo mesmo. Tudo assim, espremida, exprimindo-se, a roupa suja lavada no vagão lotado. E afastava o celular do ouvido para que ouvíssemos seu amante também. Ou então lera que os ingleses descobriram que o celular dá aquela doença, quando se encosta muito o aparelho na cabeça.&lt;br /&gt;Claro que não vou reproduzir aqui o barraco, essa vida fractal.&lt;br /&gt;Não escrevi nada sobre isso de bolsa-família – ainda. Tinha um texto meu sobre Pirandello no Blog do dramaturgo Gerald Thomas. Foi isso. E ele acoplou no texto que o presidente era um personagem do siciliano. Eu li lá. Gerald é, além de todo talento que possui, um leitor de qualidade. Ele lê mesmo. Poderia dar um curso na academia, para os orientadores fakes e os críticos de plantão. Por certo, ensinaria que só lendo se escreve. Não há outra saída, ou entrada.&lt;br /&gt;E no sucesso do IG e do seu blog – portal gigantesco – vieram para cá (um por cento dessa margem volante de leitores ), onde meu blog vive, uma ilha tranqüila, sem comentários, uma página pessoal, um diário assim, que qualquer um pode ter. E manter.&lt;br /&gt;Eu, voltando da prainha do pentagrama, ainda pensando no que ocorreu comigo, nas bobagens particulares, no esvaziamento da alma. Na captura do espírito. Um ataque do meu ego negativo, me disseram no templo esotérico. Uma vaidade, sentimento pequeno, o meu. A sacerdotisa disse: faça um banimento desse estado. Ele pode te sugar. Faça um ritual de limpeza. Farei.&lt;br /&gt;Mas não é estranho quando você vê seus projetos e suas idéias funcionando por outras mãos? Não podemos ser possessivos: se quiser tenho mais.&lt;br /&gt;Escrevi isso no twitter ( até agora não entendi bem para que serve esse tal de twitter ).&lt;br /&gt;Sim, mas aí não estavam só em arquivos, são textos e projetos falados e escritos para pessoas do meio acadêmico, em comunicações, concursos. E pessoas que recusaram os textos e projetos agora dão uma ajeitada neles. Uma reciclada bacana. Ou seja: deram um chega pra lá em mim e releram o que interessava. Os projetos estavam parados mesmo, o que que tem né? Realmente, é um assunto bem difícil de abordar. Porque fica parecendo justificativa de quem não publicou ainda (por ene motivos) e agora fica invejando quem fez. Ai ai. Depois a gente fala mal do parlamento. O Brasil não é para principiantes, é do Tom Jobim essa.&lt;br /&gt;Mas os e-mails: 78 mensagens (não li todas), vi logo que os que escreveram queriam mesmo em sua maioria fazer propaganda do PT, que conseguiu despolitizar a sociedade, desmobilizar uma sociedade que o construiu. Ou não? Será que era para isso mesmo que o partido foi, por longas décadas, sustentado? Inclusive por mim.&lt;br /&gt;Dizem lá nas mensagens que eu não sei o que é uma família sem grana, o que é o Nordeste e outras análises. Errado. Emeios e fins errados. Sei muito bem o que é uma família sem grana, conheço bem o Nordeste, conheço muito bem o país. Já perdi a conta de quantos cursos de pós-graduação dei para professores no interior do NE. Até em avião de duas hélices já entrei para chegar nos lugares, nossa mãe! Até de táxi já cruzei uma parte da transamazônica e seus buracos gigantescos, quando a Tam nos fez perder a conexão. E sempre bem sucedido, sempre trabalhei com a maior competência possível só para dizer aos professores: educação não é repasse de informações! Sempre muito bem recebido nos lugares. Somos um povo cordial. Aliás, vi isso ontem na entrevista do presidente do Senado. Cheguei a ficar constrangido e quase convencido com as injustiças sobre ele lançadas do poço sem fundo da política. Se eu não conhecesse o Maranhão, acreditaria. Mas eu conheço. E de trem já fui de Imperatriz para São Luiz, o Estado passou por mim. Vi de camarote o abandono do povão. Se houvesse trabalho de fato, digno, com empenho e lisura, não se veria tanta miséria nesse país. Não estou vinculado a nenhum partido, não voto nem na UDN nem no PSD. Mas estou esperando a Marina surgir. Se votar em alguém será nela. Acho.&lt;br /&gt;Ainda me mandaram um super cavalo de Tróia de presente. Ocorre que eu já li muito Homero, e tenho a proteção de Apolo. O cavalo não entrou, um muro de fogo e flechas o afugentou.&lt;br /&gt;Sobre o bolsa-família tenho uma opinião mais complicada ainda: não sou contra, sou a favor. Apenas acho que 60 contos de réis é uma tutaméia ( ainda se fala em Minas, onde o genial Rosa pegou ). Eu defendo que o governo pague ao menos o salário mínimo do Dieese (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;R$ 1994,82) como complementação da renda. Sim, e daí para cima. Quero mais que se distribua geral a nossa grana. Melhor seria uma distribuição verdadeira para cada cidadão.&lt;br /&gt;Quem sabe se assim as pessoas poderiam se consultar com especialistas ( sem precisar da humilhação das filas e tantas outras humilhações) ou conseguiriam mesmo uma educação de qualidade para seus filhos. Quem sabe não iriam aos cinemas, teatros, circos, pudessem comprar livros, e quem sabe se não viajariam nas férias? Eu creio.&lt;br /&gt;Seria mais ou menos assim: para uma família que ganha até três salários mínimos – desses, comuns e ralos, um acréscimo de mil novecentos e noventa e quatro reais e oitenta e dois centavos. Sempre o PT lutou pelo salário-mínimo necessário, do DIEESE. Pelo cpf, diretaço. Quem não tem, fizesse. Tanta gente ganhando indenização para ser brasileiro – isso seria o máximo!&lt;br /&gt;Para mim, distribuição de renda é isto. Uma distribuição direta e reta, sem atravessadores. Melhor que distribuir essa grana para uma obra que não sai do papel, ou quando sai, pior ainda. Ou pagar juros de juros de juros para o insaciável mercado financeiro. Melhor esse dinheiro aí na mão dos cidadãos que entregue aos bancos, ou perdido em contas numeradas nos paraísos fiscais. Viram? Eu sou mais pro-bolsa-família que vocês. E aí coloquem como cláusula pétrea – para sempre, para que nenhum governo disso se aproveite, para que não vire moeda eleitoral. Talvez seja esse o problema, o que se critica. O x da questão.&lt;br /&gt;Seria o Estado que forneceria o dinheiro a seus donos. E a economia ia bombar de vez. Uma China tropical, sem a ditadura. É uma coisa meio renda mínima Suplicy, mas mais comedida, ou sem medida.&lt;br /&gt;E digo mais: o que não ouço ninguém dizer, nem mesmo o movimento negro afiadíssimo: aproveitem e indenizem os negros pela Escravidão. Essa mácula que levamos nas costas e na história. Essa vergonha de se construir um país escravizando um povo. Paguem aos negros a dívida pela riqueza gerada por eles. Já que virou moda modificar o passado, vamos ao que interessa. E também os índios pelo genocídio ( aí a Igreja pode dar uma contribuição ). Perdão é bom, se acompanhado de dinheiro.&lt;br /&gt;De onde vai sair essa mufunfa toda? Eu digo: ela já existe, só está mal explicada, digo, aplicada. Muitos não sabem: o Brasil é riquíssimo. Recuperem somente o que foi desviado nesses séculos e veremos a montanha de dinheiro surgir.&lt;br /&gt;Então, aos 78 queridos mensageiros: redirecionem seus e-mails para Brasília – com ou sem o cavalo de Tróia.&lt;br /&gt;Eu por aqui, estou sem lenço e sem documento. E sem a tal caneta mágica.&lt;br /&gt;Tenho mais idéias, se quiserem, tenho muito mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Só que sempre serei um principiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6775028742579892743?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6775028742579892743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6775028742579892743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/o-brasil-nao-e-para-principiantes.html' title='&quot; O Brasil não é para principiantes&quot;'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5614880927071544032</id><published>2009-08-26T23:33:00.002-03:00</published><updated>2009-08-26T23:46:50.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Barco Bêbado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Arthur Rimbaud&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando descia Rios impassíveis, a salvo&lt;br /&gt;Eu não mais me senti, pelos rebocadores:&lt;br /&gt;Índios, aos gritos, os tomaram como alvo&lt;br /&gt;E os amarraram nus aos postes multicores.&lt;br /&gt;Eu não me preocupei com as tripulações,&lt;br /&gt;Levando trigo belga ou algodão inglês.&lt;br /&gt;Serenadas enfim essas agitações,&lt;br /&gt;Liberaram-me os Rios para me ir de uma vez.&lt;br /&gt;Eu, o inverno passado, entre as fúrias dos mares,&lt;br /&gt;Muito mais surdo do que os cérebros infantes,&lt;br /&gt;Viajei! E nem nas secessões peninsulares&lt;br /&gt;Não ocorreram confusões tão triunfantes!&lt;br /&gt;Sagrou-me a tempestade as vigílias marítimas.&lt;br /&gt;Mais leve que uma rolha eu dancei nos lençóis&lt;br /&gt;Marinhos - um eterno imolador de vítimas -,&lt;br /&gt;Dez noites, livre enfim do olhar chão dos faróis.&lt;br /&gt;Mais doce do que para as crianças o creme&lt;br /&gt;Das maçãs, a água entrou por meu casco de pinho&lt;br /&gt;E me lavou, dispersando âncora e mais leme,&lt;br /&gt;Dessas manchas azuis de vômito e de vinho.&lt;br /&gt;Desde então me banhei no Poema do Mar,&lt;br /&gt;A devorar o verde azul, e lactescente,&lt;br /&gt;E infuso de Astros; onde, esquálido a flutuar,&lt;br /&gt;Um pensativo náufrago desce a corrente;&lt;br /&gt;Onde, tingindo de repente os céus, loucuras&lt;br /&gt;E ritmos lentos sob os diurnos resplendores,&lt;br /&gt;Bem mais forte que o álcool e as liras mais puras,&lt;br /&gt;Fermenta-se o vermelho amargor dos amores!&lt;br /&gt;Eu sei o céu rasgado em relâmpagos, trombas&lt;br /&gt;E a ressaca e a corrente: eu sei o entardecer,&lt;br /&gt;A Alva exaltada tal qual um povo de pombas,&lt;br /&gt;E vi alguma vez o que o homem creu ver.&lt;br /&gt;Manchado eu vi o sol de místicos horrores,&lt;br /&gt;A iluminar seus altos coágulos purpúreos,&lt;br /&gt;Como de dramas muito antigos os atores,&lt;br /&gt;Com as águas a tremer seus distantes murmúrios!&lt;br /&gt;Sonhei a noite verde em neves ofuscadas,&lt;br /&gt;Beijo lento a subir até os olhos do mar,&lt;br /&gt;O circular da seiva inaudita, e alvoradas&lt;br /&gt;Amarelas e azuis dos fósf’ros a cantar!&lt;br /&gt;Segui, mês após mês, tal qual as vacarias&lt;br /&gt;Histéricas, a onda a surrar os corais,&lt;br /&gt;E sem pensar que os pés de luz das três Marias&lt;br /&gt;Fossem pisar o rosto aos Mares agonais!&lt;br /&gt;Topei com Flóridas incríveis que misturam&lt;br /&gt;Às flores olhos de pantera em pele humana!&lt;br /&gt;Com arco-íris como rédeas que seguram,&lt;br /&gt;Por sob os mares, a uma glauca caravana.&lt;br /&gt;Enormes pântanos eu vi se fermentarem,&lt;br /&gt;Ciladas onde um Leviatã todo apodrece!&lt;br /&gt;Águas em meio à calmaria esboroarem,&lt;br /&gt;Onde aos abismos a distância a pique desce.&lt;br /&gt;Geleiras, sóis de prata e chuvas, ondas foscas,&lt;br /&gt;E naufrágios de horror em golfos de negrume,&lt;br /&gt;Onde a cobra gigante entre assaltos de moscas&lt;br /&gt;Pende das árvores com negro e mau perfume!&lt;br /&gt;Gostaria de mostrar os dourados às crianças,&lt;br /&gt;Peixes de ouro no azul do mar, peixes cantantes,&lt;br /&gt;- E as espumas de flor ninaram-me as andanças&lt;br /&gt;E um inefável vento alou-me por instantes.&lt;br /&gt;Mártir cansado desses pólos e calores,&lt;br /&gt;O soluço do mar a viagem serenava&lt;br /&gt;E subia até mim, sombrias, as suas flores:&lt;br /&gt;Tal qual uma mulher, de joelhos eu ficava...&lt;br /&gt;Quase ilha, balançando aos meus bordos as bostas&lt;br /&gt;E as discussões das aves bravas de olhos louros.&lt;br /&gt;E eu ia, quando náufragos, vindo de costas,&lt;br /&gt;Vinham dormir em meio aos meus amarradouros!...&lt;br /&gt;O furacão lançou-me ao éter sem mais ave,&lt;br /&gt;Barco perdido nos cabelos da enseada;&lt;br /&gt;Eu - e minha carcaça ébria d’água, de nave,&lt;br /&gt;Já não seria pelas Hansas resgatada -,&lt;br /&gt;Livre, fumando, envolto em brumas violetas,&lt;br /&gt;Eu, que furava o céu vermelho como um muro&lt;br /&gt;Que mostra, doce fino ao gosto dos poetas,&lt;br /&gt;Líqüens de sol e mais catarros de céu puro;&lt;br /&gt;Sujo de elétricas feridas eu corria,&lt;br /&gt;Qual prancha louca, entre hipocampos tenebrosos,&lt;br /&gt;Quando julho, na marra, escorrer-se fazia&lt;br /&gt;O céu ultramarino em seus funis fumosos;&lt;br /&gt;Eu a tremer, ouvindo a cem léguas gemidos&lt;br /&gt;Do cio dos Behemots e os cerrados Maelstroms,&lt;br /&gt;Fiandeiro eterno dos azuis permanecidos,&lt;br /&gt;Sinto falta da Europa e os parapeitos bons!&lt;br /&gt;Vi arquipélagos, ilhas celestes, siderais,&lt;br /&gt;Cujos céus loucos são, sim, do navegador:&lt;br /&gt;- Nessas noites sem fundo é que vos exilais,&lt;br /&gt;Ó milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor?&lt;br /&gt;Mas já chorei demais! Alvas são enervantes.&lt;br /&gt;Toda lua é atroz e todo sol, amargo:&lt;br /&gt;Encheu-me o acre amor de sons embriagantes.&lt;br /&gt;Que minha quilha exploda! E que eu me perca ao largo!&lt;br /&gt;Se alguma água de Europa eu desejo, é a poça&lt;br /&gt;Escura e fria onde, na tarde em seu desmaio,&lt;br /&gt;Um menino agachado e triste solta e esboça&lt;br /&gt;Um barquinho que vai, borboleta de maio.&lt;br /&gt;Não mais, ó vagas, posso em vossa languidez&lt;br /&gt;Roubar sua trilha aos vendedores de algodões,&lt;br /&gt;Nem dobrar da bandeira e da chama a altivez,&lt;br /&gt;Nem nadar sob o olhar terrível dos pontões.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tradução de Ivo Barroso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5614880927071544032?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5614880927071544032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5614880927071544032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/o-barco-bebado-arthur-rimbaud-quando.html' title=''/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3945993574713745064</id><published>2009-08-23T13:46:00.005-03:00</published><updated>2009-08-23T15:44:07.655-03:00</updated><title type='text'>Enrico IV - Delírio pirandelliano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A reflexão, portanto, da qual eu falo, não é uma oposição do consciente contra o espontâneo; é uma espécie de projeção da própria atividade fantástica: nasce da fantasia, como a sombra do corpo, tem todos os caracteres da “ingenuidade” ou natividade espontânea, está no próprio germe da criação, e de fato emana dela isso que eu chamei o sentimento do contrário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Humorismo, Essência, características e matéria do humorismo, parte III&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Trad. Alan Viola&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Salão rigidamente decorado, de modo a figurar aquela que pode ser a sala do trono de Enrico IV, na casa imperial de Grolar. Mas em meio aos antigos pilares dois grandes retratos a óleo, modernos, de grandeza natural. Nessa descrição cenográfica inicia-se a peça Enrico IV, o personagem mais desesperado e mais trágico de Pirandello, como bem analisa Leone De Castris. Assim como Seis personagens à procura de um autor, foi escrita em 1921, ano bem fértil para a biografia do autor, se se pensar na qualidade incontestável das duas obras.&lt;br /&gt;Considerada a obra na qual Pirandello mais se identifica com seu personagem por grande parte da crítica, que parece conhecer a fundo a personalidade do autor, esta peça também causou grande estranhamento no público. Formulada numa história simples, um grupo de amigos abastados resolve, no carnaval, se travestir de personagens históricos e sair em cavalgada. Nesse passeio festivo, o que representava Enrico IV - imperador alemão excomungado - cai e, batendo a cabeça, incorpora em definitivo este personagem trágico . Após vinte anos - que a peça sugere serem leves vinte anos - seu sobrinho resolve curá-lo, por prometer isso a sua mãe. E, em caravana, leva um médico-psicólogo, a mulher que o ex-são amava junto com a filha, donzela sensível, e aquele que seria seu rival e amigo à época.&lt;br /&gt;Enrico IV vive um ambiente cuidadosamente preparado para manter a imagem da corte. Lá estão três escudeiros e um padre para prestar-lhe assistência e formarem seu mundo imperial. Após explicar ao novato funcionário que, apavorado, ali serviria com eles, que estudara a vida de outro imperador ( Enrico IV da França ) e não esse que em breve entraria em contato, é assaltado esse grupo pela visita desse grupo articulado pelo sobrinho. Na ante-câmara vestem-se como emissários desse tempo que já vai longe e que ao mesmo modo se encontra ali, guardado pelo louco. O psicólogo, como sendo dos bons, investiga aqui e ali os detalhes para treinar um laudo, uma saída ou cura para o doente. A perspicácia do paciente faz logo ver ao psicólogo tratar-se de refinada loucura, algo como uma especial enfermidade ocasionada por este choque físico da cabeça com o chão. Um choque que por certo lubrificara a inteligência do louco que, paralisado nesta forma de imperador, tinha inteligência ‘aguda e lúcida’, como afirmaria numa primeira impressão: “ tem perfeita consciência de si por si, diante de si mesmo, uma imagem” que até chegava a “uma melancolia reflexiva”. A preocupação com esse desafio - de lidar com um louco dessa estirpe - faz com que requeira ao grupo imaginação num mesmo grau, no que acabam por sucumbir. Enrico IV faz um joguete comovente com a noção de tempo e a busca de imagens. Eis o que diz ao doutor, fantasiado de Monsenhor, que se curvava inicialmente a seus argumentos, ou por não querer com ele polemizar, ou por estar mesmo surpreendido de não encontrar nada parecido em seus compêndios médicos:&lt;br /&gt;“ Deus me guarde de mostrar desgosto ou maravilha! - Veleidade - ninguém pode reconhecer aquele certo poder obscuro e fatal que assinala limites à vontade. (...) Eis quando não nos resignamos, aparecem as veleidades. Uma mulher que quer ser homem... um velho que quer ser jovem. Nenhum de nós mente ou finge! (...) Monsenhor, a vida! E sois surpreendidos quando a vede de improviso assim diante de vós aparecer fugidia, despeitos e iras com vós mesmos, ou remorsos, também remorsos. Ah, se soubésseis, eu me encontrei com tantos diante de mim! Com uma face que era a minha mesma, mas assim horrível, que não poderia fixá-la...”1&lt;br /&gt;Vejamos bem com que louco foi se meter o doutor, com que caso ele se depara. Aos poucos vai percebendo que ali está realmente um imperador, um imperador das pequenas cenas, alguém que consegue reger sua estranheza, reger seu cotidiano por tanto tempo sabendo-se farsa. Talvez essa a maior das loucuras, que Pirandello tanto sublinha. A um completo estranhamento de si, de sua forma, e ainda assim, avante. Porque se esse louco, mesmo se não soubesse que não era Enrico IV, conseguia manter de improviso uma identidade no trato com seus serviçais e suas esporádicas visitas, esse homem que se improvisava no aparecimento dessas veleidades que ele mesmo acusa, a veleidade que o transformou em um imperador, no afrontar o desconhecido que carrega durante duas décadas, em montar e desmontar toda aquela farsa em sua vida. Pirandello apimenta mais ainda essa sua perseguição pelas formas diante de um fluxo que impunha que se assumisse formas, que estabelecesse formas, diante de vontades severas que forçassem o homem a se manifestar. Aquele homem sabe que não é Enrico IV, revela isso a seus serviçais, revela como se revelasse qualquer outro sonho o imperador a seu áugure. Não importa que ele saiba e sustente isso, importa sim que ele viu que um dia era outro, que uma vez saiu fantasiado de imperador e com a cara no chão, com o tombo sofrido, fixara-se imperador. Ele sabia da representação, a fomentava, e optando cada vez por ela era por ela também representado. Formavam-se espaços especiais em que pudesse circular, as pessoas transfiguravam-se para visitá-lo e ele, nessa absorção, nessa costura de um mundo ultrapassado, festejado e risível numa festa carnavalesca, estava ali alicerçando essa forma. A loucura que demonstra é a representação de todos, ‘nenhum de nós mente ou finge’ diz ao psicólogo. Todos submetidos a uma representação porque tudo pode ser etéreo como tirar ou por uma capa de um imperador - tudo se transforma num sentido vazio e por isso factível. Enrico IV revela ser farsa toda aquela tentativa de atraí-lo para uma atualidade composta por palavras e conceitos, como por móveis e escudeiros. Se opta por permanecer Enrico IV, quando aumenta a temperatura com seu rival que diz ser ele são, e é esfaqueado, morto, prova que não é mais são. Ele vira, naquele instante das fantasias postas, a propriedade de ser outro. Pirandello insiste nisso, nas formas incompatíveis com a vida, nesse trágico moderno. Qualquer forma, a atual, a de um imperador, a da filha de sua amada que está ali, retratada em seu grande quadro. Um quadro que engana o tempo, como ele engana os outros.&lt;br /&gt;Enrico IV está louco - porque quer. Anuncia a loucura a todos, aos serviçais, ao velho padre que toda tarde vem ao seu encontro para rezar, aos visitantes que para entrar em seu mundo de centenas de anos atrás, se mascaram como ele, para tocá-lo nesse tempo, nessa abstração bastarda do tempo. Se ele, louco como poucos, consegue ver toda aquela tentativa dos que o rodeiam para sustentar seu mundo especial, se ele os absorve nisso, ou mesmo, se eles - como crianças - se entusiasmam com a fantasia que lhes dá a senha para freqüentar esse mundo, tudo pode vir a ser assim entrada-saída de realidades provisórias. Seria tudo provisório, a não ser que o médico, que diz não ser taumaturgo, o convencesse de que eleger o que se vive seria escolher sua forma. Pois ele escolheu, ele é Enrico IV, senhor de si, reinando em um momento que se manteve, o que afasta de si admoestações de um presente maquiado que o condena, que o acusa de são. Ele que apenas é essa forma condenada pelo juízo da razão, mas uma condenação sem força para ele que ficou do outro lado do vestíbulo, que se vestiu de outro, afrontando esse tempo dos que tentam persuadi-lo, mas que para isso visitam seu estado e suas impressões. Impressões, a vida! De improviso, a vida. Consistindo diante de nós numa fugidia forma...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1 Pirandello, Luigi. O falecido Mattia Pascal; Seis personagens à procura de um autor. Trad. Márcio da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Rina Malerbi Ricci. São Paulo: Abril Cultural, 1981&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3945993574713745064?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3945993574713745064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3945993574713745064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/enrico-iv-delirio-pirandelliano.html' title='Enrico IV - Delírio pirandelliano'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-824886425419406067</id><published>2009-08-21T23:08:00.012-03:00</published><updated>2009-08-22T00:22:27.373-03:00</updated><title type='text'>Seis personagens à procura de um autor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seis personagens invadem um ensaio de uma peça de Pirandello. Querem um autor para alinhavar seus dramas, posto que foram abandonadas, depois de criadas ( pelo próprio Pirandello ?):&lt;br /&gt;“ Mas por que - disse para mim mesmo - não escrever um caso como esse, realmente inédito, de um autor que se recusa a dar vida a algumas das suas personagens, já nascidas vivas na fantasia (...) Assim fiz. Naturalmente aconteceu o que devia acontecer: uma mistura de trágico e de cômico, de fantasia e de realidade, numa situação humorística completamente nova e bastante complexa; uma verdadeira tragédia devido às personagens que a vivem e a sofrem já ao respirarem, ao falarem e ao se mexerem. Tragédia que impõe, de toda maneira, sua representação e, finalmente, a comédia que sempre surge da tentativa vã de uma representação cênica feita de improviso”.&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Pirandello chamou essa peça de&lt;em&gt; comedia da fare&lt;/em&gt; e o que é um ponto a se discutir neste teatro no teatro é justamente o fato de o autor (Pirandello ) assumir-se o autor desta peça onde as personagens abandonadas pelo seu autor reclamam assistência em ensaio de uma peça ( de Pirandello ). Parece que consegue levar a fantasia a um grau elevadíssimo. Ou mesmo trazer a própria encenação para esta sua introdução à peça.&lt;br /&gt;O diretor que ensaia os atores assusta-se depois de desacreditar na veracidade de que são mesmo personagens os que interrompem seu trabalho, e acabam por obsediá-lo nessa busca da realização. Algum crítico chamou de meta-teatro, o dramaturgo de teatro no teatro, outro de fundação do teatro grotesco, e assim vai cada qual tentando decifrar o talvez um dos textos dramatúrgicos mais desconcertantes da moderna história do teatro ocidental. O que querem essas personagens? Sentem-se angustiadas pela prisão da história, sabem que nada mudará, estarão sempre submetidas ao mesmo desenlace, pedaços de ações, marcações, falas, gestos, etc.&lt;br /&gt;O que querem essas personagens? Sentem-se donas do texto de tanto repeti-los, sabem que o drama familiar vai prosseguir, e que sofrerão. O pai cada vez vai ser surpreendido em ato incestuoso com a enteada - interrompido pela mãe, que sofre. A mãe, já o disse a crítica, é o único personagem humano. Os outros, no sentido de representados por uma ação dirigida, personagens. A mãe sofre. A enteada, agressiva, acusa o padrasto, este tenta convencer o diretor que fora vítima de um engano, há um rapaz que pouco fala, tem ojeriza daquela história e aversão a seus familiares, companheiros da cena, as duas crianças não têm fala.&lt;br /&gt;O diretor entusiasma-se com o tema, o argumento, abandona o ensaio, leva-os para seu camarim, o que fala com eles nesse segredo? Ensaiá-los não precisa porque dão aula aos atores que os imitam - para eles pura mímica de sua falas. Entra a dona do bordéu - a sexta personagem - que só aparece quando não está presente a mãe. Entrada triunfal, ela, obesa, espanholada, contracena com a enteada, sua funcionária,  na platéia. O pai, tenso, culpado, tenta se explicar, é ele quem faz a mágica para aparecer aquela enorme personagem, utiliza-se de casacos que, pendurados, criam atmosfera de bordéu para o aparecimento da cafetina. O pai cenografa a cena. Está feita a tragédia, ou a comédia. A partir de cada interesse dos atores, ou do diretor, cresce a cena, materializam-se os personagens. O autor, que eles buscam, parece ser a atenção. A história já existe, e é boa. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O autor, sendo o interesse, a atenção, faz com que vivam, com que passe a se concretizar a cena. A cena precisa da atenção - o teatro especula a relação especular, o speculum da ação é o público que abastece de resposta, apreensão e suspiros a cena, quando a assiste. O diretor se perde, tenta aqui e ali comandar, acomodar em lógicas as falas, mas perde-se em tentativas de alterações. Nada pode fazer, a história já existe. O que interessa mesmo é sua realização. A vontade das personagens sobrepõe-se a qualquer organização extra. As personagens ensinam aos atores como se faz, porque tudo já está feito, em algum lugar isso já se repetiu, ene vezes a cena já se concretizara. O que pode ser modificado? O que pode ser alterado? Senão pequenos detalhes de cenários, pequenos detalhes de feitios diversos, como outros espectadores. O que existe não se modifica, mesmo que ajustem-se, debatam-se, criem-se novos diálogos, nada pode com o já feito. Estão constituídos os personagens de uma história, e ela é o autor. Que buscam, senão demonstrá-la? Ludibriam o diretor, os atores, nessa busca, apenas os atraiem para sua tragédia, ou comédia? São como fantasmas do teatro, como que fabricados no camarim da intenção da própria representação, têm sua força própria, sua dinâmica, a tez do texto decorado - atropelam o que está para ser construído porque se repetem, se manifestam sempre os mesmos.&lt;br /&gt;Pirandello dá um nó no teatro com esta peça. Ainda hoje. Personagens que buscam um autor, ou que buscam o autor? Parecem perguntar quem seria capaz de modificar seus temas, temem pelas suas vidas mas elas se repetem &lt;em&gt;ad nauseam&lt;/em&gt;, o que lhes assusta mais é a eternidade, querem um outro fim, sucumbem no intento dessa busca e driblam a intenção de quem vê possível alterar suas direções. Cantam a pedra do que vai lhes acontecer com uma firmeza de que é isto mesmo, assim foram criados. Onde está esse autor que os deixou sobre a mesa, perdidos, feitos e abandonados à própria cena - e acenam perdidos para a platéia que os assiste para que nessa assistência os façam viver, essa platéia transparente que é o representar a si mesmos. Não existe outra forma para a vida - eles sabem disso, e acabam satisfazendo-se com o próprio destino incompleto que o autor desconhecido lhes traçou. Nota-se que se a mãe parece humana em seu sofrimento, é, no entanto, a mais frágil, parece que vai sumir a qualquer momento. Quanto mais artificial for a busca de se mostrar natural maior o convencimento, são personagens à toa, à deriva no procênio. Quanto mais a vontade de se mostrarem, mais intensa a apreensão da cena. A maquinaria da cena. O humorismo da cena. Para encenar basta começar. Eles já estão preparados - e sugam qualquer outra alternativa que não as deles - porque já são. O diretor não pode dirigir, o ator não pode ser o personagem - forma criada que está ali, solta, a advinhar o que já está descrito, excessiva. Se existe angústia, seria a de não se realizar nada, esta torcida para que outra história surgisse num labirinto - mas não há outras saídas, só uma: a do palco - espaço da existência deles. Um espaço que seria de invenção, mas subvertido, tona-se o espaço das suas aparecências.&lt;br /&gt;Distorcidas as funções, determinados os papéis, começam - que era o simples desejo deles; quem se atreverá a entrar nesse jogo? Quem ousará a ser autor? Responsabilizar-se por destinos. Tramar destinos, quem pode? Quem autor para isso? E, começado o jogo, rodada a roleta das falas - entrecortadas com opiniões de quem as vivenciará - quem tangenciará qualquer mudança, alteração no corte do determinado, no pontiagudo do já escrito, mesmo que em pedaços. As cenas se sucedem, fabricam-se com tal consistência que resta por fim uma tela (um ectoplasma de seus cortejos) onde quase todos desfilam - em sugestões de suas imagens - na consciência do público, voando imutáveis para outros palcos, sombras do realizado, fantasmas da imaginação, representação máxima da vontade de existir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Prefácio&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; de Seis personagens à procura de um autor &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brutus Pedreira e Elvira Ricci, trad. Brutus Pedreira; abril cultural, 1981&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-824886425419406067?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/824886425419406067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/824886425419406067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/seis-personagens-procura-de-um-autor.html' title='Seis personagens à procura de um autor'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7145894578239226028</id><published>2009-08-18T18:45:00.000-03:00</published><updated>2009-08-18T18:46:33.458-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SoshKCILekI/AAAAAAAAAHM/TVPwJunRJgY/s1600-h/pentagrama.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; DISPLAY: block; HEIGHT: 241px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371423436823034434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SoshKCILekI/AAAAAAAAAHM/TVPwJunRJgY/s320/pentagrama.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7145894578239226028?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7145894578239226028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7145894578239226028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SoshKCILekI/AAAAAAAAAHM/TVPwJunRJgY/s72-c/pentagrama.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8236397988211802156</id><published>2009-08-13T13:13:00.009-03:00</published><updated>2009-08-15T00:38:49.691-03:00</updated><title type='text'>Não há nada lá fora</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Mas o que posso fazer se isso não me interessa? Pensei, enquanto na mesa todos comentavam as notícias, inúmeras, lidas e decoradas no Estadão virtual.&lt;br /&gt;Olhava fixo para os que diziam naquele bar da Vila Madalena que os crentes injetavam cada vez mais dinheiro na igreja e essa grana voltava para o país para que os líderes comprassem tevês, perfumes e ouro. E daí? Quieto, mas perguntava-me: e daí? Não é a telogia da prosperidade? E os fiéis estão lá no jogo. Eu, com dinheiro, sei onde gastá-lo. Minha salvação sempre foi a saída. Sei meu caminho.&lt;br /&gt;Depois os atos secretos e essas coisas tolas que tomaram de importância as mesas dos bares. Se a Marina ia ser mesmo candidata, e se Marina ia derrubar mesmo a Dilma. Tá, tá, eu voto na Marina, foi a única coisa que falei. Mas desconfiava que ela também poderia se trair.&lt;br /&gt;Depois, Cecília falou de sua peça – de rua. E das leis de incentivo fiscal. Do ator que não quer ser chamado de ladrão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se o ator não quer a Rouanet, ótimo, há quem pague para assistir a seu espetáculo. Eu vi muito o Oficina a dez reais. O Gerald a quinze, o Antunes a trinta, não ia ver o Antônio a cem. Nunca. Com cem eu compraria as frutas do mês&lt;/em&gt;. Rimos. Cecília é engraçada. Espero que nunca vá a um talk show macaquear-se. Desses que o entrevistador quer aparecer mais que o entrevistado, e nessa busca coloca-o em situações de desconcerto, e arremedo.&lt;br /&gt;Eu me preocupava com outras coisas sem nome, e vi quando Cecília ameaçou acender o cigarro, mas deixou a bomba apagada no canto da boca. Uma cigana ciscava de mesa em mesa, mas ninguém queria saber do futuro. Vi que tinha dentes de ouro e tinha um olhar de desprezo. Talvez sentisse frio pela saia de seda amarela. Talvez tivesse visto nosso futuro, de graça, no giro das mesas. Saiu.&lt;br /&gt;Olhei para o bar lotado: havia alguma coisa estranha ali.&lt;br /&gt;Havia alguma encenação em viver. Observei que ao garçon cabia o ato principal, o abastecimento daquela cena. E alguma música francesa era abafada pelo assunto da igreja e do senado. E da Marina.&lt;br /&gt;Vi que o contista de contos mínimos me olhava, sua crença em acreditar em seu texto, seu marketing direto, encerado. Isso atrairia a fama almejada, por certo.&lt;br /&gt;Alguém me disse: não é o contista mínimo? Sim. Eu notei que era seu personagem, pois ele me olhava e escrevia, como os desenhistas de rua. Pedi a Hermes para me lançar o véu.&lt;br /&gt;Não sei, será que foi a valeriana que tomei em excesso, o fato é que uma descrença tranqüila foi me cercando – e o silêncio daquele bar foi tomando tudo. Comentaram o filme de não sei quem, o que o crítico falou de tal poeta, que o Mais publicou uma prosa estranha, que...&lt;br /&gt;Alguém encostou sua perna na minha, não senti nada. Fiquei pensando no cigarro apagado de Cecília. Observei que ela o depositava no cinzeiro limpo de guardanapo, depois de tragá-lo. Um mundo melhor. Encenado. Falas prontas, marcações. Uma platéia adestrada.&lt;br /&gt;Um mundo sem crenças e sem segredos. Um mundo aberto, sem o futuro da cigana, narrado pelo contista mínimo. O bar me apresentava isso. A Vila Madalena, uma mistura de Vila Isabel e Santa Tereza, concentrava-se mas não saía, como o bloco. O chopp aguado na noite fria cortava a possibilidade de algum conforto. A pizza gordurosa lubrificava os dedos, os beiços, os celulares.&lt;br /&gt;Éramos presas da diversão fabricada.&lt;br /&gt;Havia um confronto surdo naquele ambiente de festa, talvez fosse a ausência da fumaça, se os pensamentos antes da lei – mesmo inúteis – desenhavam-se pelas pequenas nuvens dançantes.&lt;br /&gt;Olhei para meus amigos. Eles queriam falar de mais coisas importantes, mas só se se voltassem para Fellini, Glauber, Machado ou Proust. A atualidade estava muito apagada, eis que ainda iríamos descobrir Rimbaud. Descobrir seu barco bêbado.&lt;br /&gt;O contista mínimo, cada vez mais feérico, escrevia no guardanapo, num cinzeiro de papel.&lt;br /&gt;Não havia nada lá fora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8236397988211802156?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8236397988211802156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8236397988211802156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/nao-ha-nada-la-fora.html' title='Não há nada lá fora'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5884941102055455730</id><published>2009-08-10T16:45:00.005-03:00</published><updated>2009-08-10T22:37:21.615-03:00</updated><title type='text'>A quebra do coro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vi, em partes, duas entrevistas ontem. Dois senadores que se opõem à vulgarização, em todos os sentidos, do Senado. Simon e Vasconcellos. O primeiro insiste para que estudantes, intelectuais, donas de casa, trabalhadores e indignados em geral ocupem as ruas: &lt;em&gt;vocês têm que ir para a rua, porque daqui não sairá nada&lt;/em&gt;. O outro, respeitado político pernambucano, analisa a crise responsabilizando o governo: a conivência do governo com o que está fora do círculo da ética levou a esse estado de coisas, ou a essas coisas do estado, sei lá.&lt;br /&gt;Fiquei pensando no cansaço disso tudo. No excesso de importância a que se dá a essas personagens enfurecidas e engravatadas que vociferam ameaças veladas e ocupam o noticiário. Gente que já tinha sumido na poeira do planalto, gente que chegou por lá sem um votinho sequer. Ocupam nosso tempo, construindo uma realidade que interessa só a eles mesmos – e são pela imprensa veiculados como as pessoas que decidem nossas vidas e a do país.&lt;br /&gt;São o deus ex machina do nosso cotidiano, do nosso drama banal, da nossa vidinha mais ou menos.&lt;br /&gt;Fiquei pensando se essa deformação não enquadraria ( infestaria ) o ambiente que se poderia criar em um país que buscasse algo maior que não somente essas revelações cada vez mais misturadas – revelações de atos estranhos à &lt;em&gt;res publica&lt;/em&gt; e a manutenção de posturas e costuras políticas heterodoxas.&lt;br /&gt;Não Senador Simon, os senhores ganham uma grana preta para criarem algo além de um chamado às ruas. Ou cantarem num Senado vazio. Falar é uma das funções primordiais para vossas excelências. É um fundamento de Senador. Que falem – nunca deixarão de ter um agrupamento de repórteres ávidos pelas vossas informações – preciosas ou perniciosas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há quantas décadas não se reúnem nesse conhecimento absoluto e íntimo, nesse clube de decisões, vinculações e camaradagens?&lt;br /&gt;Não irei para a rua, não levantarei faixas nem cartazes, mas posso inverter vosso chamamento.&lt;br /&gt;Posso imaginar soluções individuais, eu que possuo apenas um mandato de sobrevivente. E posso enviá-las. Não que queira que as engula ou digira, pois quem faz isso sou eu, que suporto essa mesquinha política caseira. Essa ladainha entrelaçada de hostilidade com decoro. Essa permanência do pequeno.&lt;br /&gt;Posso convidá-los para ir para a rua também.&lt;br /&gt;Algo quase ingênuo, mas bem revelado, então lá vai:&lt;br /&gt;Nobres senadores: vossas excelências podem ir para a rua, o quanto antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5884941102055455730?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5884941102055455730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5884941102055455730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/quebra-do-coro.html' title='A quebra do coro'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8207747891634847037</id><published>2009-08-05T17:29:00.003-03:00</published><updated>2009-08-05T22:11:47.468-03:00</updated><title type='text'>Um Drum na palha de milho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em um jantar em Roma fiquei chocado: depois do segundo prato – dos cinco – eles acenderam cigarros. Os italianos comem cigarros, e até desisti de fumar por isso. Sou fumante, daqueles dependentes, mas fiquei realmente chocado. Eles perceberam meu espanto. Ainda iríamos continuar o jantar, mas eles disseram que ali era assim mesmo: pausa para o cigarro. Esperei a fumaça defumar a pasta e continuamos. Caroços de azeitona nas cinzas.&lt;br /&gt;Uma vez em uma trilha na Ilha Grande, uma amiga acendeu um cigarro. Brigamos. Eu sou aquele fumante ecológico, daqueles que guardam suas guimbas para jogá-las no lixo e depois... Lógico que já tentei e continuarei a tentar a parar de fumar. Estou procurando a fórmula da Tabagina – que perdi. Nux Vomica e outros elementos associados. A estricnina parece ser o único veneno forte o suficiente para deter a dependência. Há a força da vontade, algo lendário porque a crise de abstinência pode levar a pessoa a cometer loucuras. O cigarro é uma droga poderosa e poucos conseguem parar sem acompanhamento médico. Se no Brasil, antes das tenebrosas imagens estampadas nos maços, tivessem, os fumantes, conseguido obter tratamento sério para se livrar da dependência era outro papo. As imagens deram à indústria tabagista o salvo conduto e o impedimento de processos que nos EUA já ocorriam. O alerta do governo livrou a indústria das responsabilidades sobre as conseqüências do fumo.&lt;br /&gt;Agora essa lei do Governador Serra. Há quem goste mesmo de fumar e tomar sua cerveja num bar. Há quem, como os italianos que conheci, acenda o cigarro antes mesmo de terminar a refeição. Se for um Drum numa palha de milho, nossa!&lt;br /&gt;Chega a ser risível e irônico que uma cidade como São Paulo se preocupe com fumaças de cigarro. Li uma pesquisa que dizia que uma pessoa andando na paulista fuma uns 2 cigarros por dia.&lt;br /&gt;"As chances de ocorrer um infarto em meio a um congestionamento crescem em duas vezes e meia" A poluição nas grandes cidades tornou-se um grave problema de saúde pública, principalmente para as doenças cardiovasculares.”&lt;br /&gt;A matéria completa está em &lt;a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/560"&gt;http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/560&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: os carros que entopem a metrópole, e os ônibus, caminhões e toda a indústria que polui o ar, a água e tudo o mais continuarão a despejar sobre nós – num raio de 400 km - o raio da fumaça maligna. O idiota fumante, já tomado pelo álcool, que se esquecer de ir para o meio da rua poluída, para baforar seu veneno, pode ser preso, multado ou abatido ali mesmo na mesa.&lt;br /&gt;Poupe-me Governador. Poupe-nos dessa poluição que destruiu o Tietê, dessa poluição que se vê do avião quando se chega e quando se sai de São Paulo. Proíba que o desmatamento nas nascentes e mananciais acabe de vez com a água no Estado.&lt;br /&gt;Concentre-se na defesa da Cantareira. E do que sobrou.&lt;br /&gt;Recupere os rios, as florestas, a vida nesse estado comprometido.&lt;br /&gt;Não estou defendendo o cigarro, fuma quem quer, e de preferência longe de quem não fuma. A poluição do ar é menos democrática: todos estamos submetidos ao mal, querendo ou não, e nem dá para beber uma cerveja tragando uma fumaça de óleo diesel daqueles que os caminhões soltam sem lei nem pena.&lt;br /&gt;Que tal se proibíssemos também as fumaças todas de transitarem pelo ar?&lt;br /&gt;Que tal se em vez de uma pessoa por carro houvesse transporte público de qualidade?&lt;br /&gt;O Metrô de São Paulo sequer tem ar condicionado. Sua superlotação afugenta o usuário.&lt;br /&gt;E as indústrias? O Governo realmente fiscaliza a poluição que produzem? Se fiscaliza mesmo – por quê esse resultado péssimo da qualidade do ar?&lt;br /&gt;Não venham me dizer que é por causa do Zé que fuma seu Derby no boteco da esquina.&lt;br /&gt;Bem, do jeito que vão as coisas no país, eu poderia até acreditar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8207747891634847037?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8207747891634847037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8207747891634847037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/08/um-drum-na-palha-de-milho.html' title='Um Drum na palha de milho'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5574372453468798004</id><published>2009-07-31T13:03:00.003-03:00</published><updated>2009-08-03T18:15:34.663-03:00</updated><title type='text'>A rebeldia do figurante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nas novelas e seriados os figurantes aparecem, andam pelas ruas, estão nos bares, participam e servem às personagens. Não expressam reação. Acenam com a cabeça, em geral com gesto afirmativo, nos diálogos. São seres afásicos, sem fala e sem nenhuma expressão. O mutismo beira o ridículo, mas o padrão em apresentá-los assim domestica o olhar do consumidor do entretenimento. Ninguém nota ou reclama de sua nulidade. Uma vez vi uma cena numa novela dessas de grande audiência. Uma mesa gigantesca. Empresa. Reunião. Debate acalorado entre duas personagens e o restante. Uns oito figurantes  apenas simulavam uma intenção de fala, ou de existência. Eram sombras necessárias para compor o cenário.&lt;br /&gt;Simulacros de homens que se mexiam pouco, permaneciam inertes.&lt;br /&gt;Há algo de comum nesses bonecos de carne e nós. Estaríamos nos tornando figurantes em todo esse processo?&lt;br /&gt;Um país que se simula: grande, rico, diversificado, amável e belo, mas sempre com a mão na cumbuca do pequeno. Um país de nós invisíveis.&lt;br /&gt;Acenamos com a cabeça, não para que alguém perceba, mas apenas para marcar uma posição inútil para nós mesmos. Diante do jornal televisivo e impresso, do blog opinativo, do site carregado de propagandas, ficamos concordando ou discordando no silêncio apenas para mostrarmos que temos ainda alguma opinião. Sabemos antecipadamente que mesmo que fizéssemos explodir pelas janelas nosso grito de derrota ou de vitória pouco ou nada se alteraria. Já foi-se o tempo das foices e martelos, tempos em que também se transformavam a realidade em um opinião truncada e única, onde uniformes eram produzidos para todos os figurantes. Já se foi embora o desejo de modificar tudo, com ocupações de ruas, organizações de classes e sem classes, debates, proposições que produziram sempre lideranças raposas, prontas para definir o melhor, prontas para decidir o caminho.&lt;br /&gt;Estamos hoje numa espécie de regime de sindicato, fechado, verticalizado, e enquanto os líderes decidem pelo pior ou pelo melhor, observamos acenando com sim ou com não com a cabeça. Nosso envolvimento está na prestação de contas do espetáculo do desenvolvimento que nos ofertaram, e no desligamento geral que se aproxima com o fim de semana, onde decretamos nosso habeas corpus desse cotidiano maçante.&lt;br /&gt;A realidade, inventada, fica apenas para as personagens.&lt;br /&gt;Nossa torcida está em que alguma fala se aproxime daquilo que desconfiamos ser o melhor, como se nosso pensamento, aprisionado pela ineficácia, buscasse um consolo de opiniões parecidas e pronunciadas pelas lideranças forjadas por si mesmas.&lt;br /&gt;Estamos no umbral das salas decisórias.&lt;br /&gt;No momento em que a comunicação é mais exaltada, no momento em que a tecnologia nos convida a opinar, eis que surge um silêncio torto, um ar cinza que se assoma a uma indiferença figurante. Nenhum escândalo pode nos afetar porque não estamos no patamar das somas astronômicas. Os bilhões pra lá e pra cá fazem parte de uma fala que não está em nosso roteiro de gestos. Nós não alcançamos a sofisticação maquiavélica dos que manipulam corações e mentes. Nós não trabalhamos caras de pau em nenhuma marcenaria de subsolo. Nossos castelos são no máximo a pizzaria da esquina.&lt;br /&gt;Nós ficamos na estrada pedindo carona enquanto as personagens passam zimpando com seus corcéis dourados. Os líderes que se agridem e lançam verdades e escândalos uns contra os outros estão no mundo de outro diretório. As somas e as decisões estão nas salas dos poderes construídos por um discurso incansável, e esse discurso enfadonho nos afasta, apenas nos faz cumprir tabela. Estamos nessa sociedade, mas nosso apelo e nossa reivindicação parece sempre querer girar ou gerar esse sim ou não descompromissado com a cabeça. Não deixamos marcas, nos cansamos delas. Nossa exposição foi excessiva: queríamos mudar o país e isso resultou não na revolução de costumes ou reflexões elaboradas sobre a sociedade. Resultou em nosso cansaço.&lt;br /&gt;Nós nos envergonhamos de ter entregue nossa juventude a uma causa que era apenas uma troca de grupos. Nós nos envergonhamos do engano ardiloso contra nossa boa fé. O sindicato do poder nos vampirizou o desejo.&lt;br /&gt;Os líderes que inflamos e inflamamos usaram a escada montada pela nossa energia e foram lá assumir o posto de decisão do que já estava pronto: por isso eles falam, defendem absurdos, distorcem qualquer lógica e adulteram os sentimentos. Por isso agora ficamos – entediados- convidados a continuar um jogo em que pensávamos ser juízes, mas revelados apenas como figurantes montados na expressão mecânica do figurante: um tumulto surdo fazemos, um acenar indiferente. Não podemos renunciar integralmente a isso, porque fomos nós que ajudamos a criar e sustentar esse cenário. Fomos nós que seguimos a estrada do brejo onde um belo atoleiro nos cerca.&lt;br /&gt;Em vez da mudança a inércia. Resta-nos lançar um número numa caixa de Pandora que apita depois de nos mostrar a imagem de alguém – tudo muito asséptico.&lt;br /&gt;De alguma forma, no entanto, o aceno do figurante demonstra um antítese da criação da cena. O seu silêncio demarca que há um estranhamento no texto. O seu jeito sem jeito faz a marcação da cena artificial em demasia, a sua presença inócua não confere à cena nenhuma integridade, enfraquece a busca pela verossimilhança. O movimento do figurante está na contramão do enredo, uma narrativa castrada, uma vontade escondida de anulação da cena.&lt;br /&gt;Se somos figurantes nesses processos, se somos apenas acenos de contrariedade controlada ou de afirmações sem fulgores, se somos isso nos processos arrastados que comandam, somos também uma força neutra, uma saída à francesa de uma aristocracia esfarelada, de um discurso formulado para a assistência vazia ou muda.&lt;br /&gt;Pode ser que as personagens busquem a deixa do aceno de cabeça dos figurantes e pode ser que eles não estejam mais lá para que a cena se dê.&lt;br /&gt;O que queremos mesmo é nossa vibração de volta, a solidão - antídoto da aglomeração das massas guiadas. O que queremos mesmo é retomar nosso prazer, longe desses líderes estranhos e estrangeiros. Para longe do espírito de gravidade. Eis que queremos respirar um ar de montanha.&lt;br /&gt;O que queremos mesmo é abandonar essa novela chata, essa direção torpe. Abandonar essa farsa.&lt;br /&gt;O que queremos mesmo é calar essa cena mal escrita .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5574372453468798004?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5574372453468798004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5574372453468798004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/07/rebeldia-do-figurante.html' title='A rebeldia do figurante'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2000211018347565763</id><published>2009-07-15T15:19:00.004-03:00</published><updated>2009-07-15T15:26:24.325-03:00</updated><title type='text'>Ele não é um bom escritor? Escreva melhor, mas mostre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Trecho de&lt;em&gt;&lt;strong&gt; Leite Derramado, &lt;/strong&gt;de &lt;strong&gt;Chico Buarque&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;" Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das joias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz elétrica, providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa. Minha mulher, sim, suava bastante, mas ela já era de uma nova geração e não tinha a austeridade da minha mãe. Minha mulher gostava de sol, voltava sempre afogueada das tardes no areal de Copacabana. Mas nosso chalé em Copacabana já veio abaixo, e de qualquer forma eu não moraria com você na casa de outro casamento, moraremos na fazenda da raiz da serra. Vamos nos casar na capela que foi consagrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro em mil oitocentos e lá vai fumaça. Na fazenda você tratará de mim e de mais ninguém, de maneira que ficarei completamente bom. E plantaremos árvores, e escreveremos livros, e se Deus quiser ainda criaremos filhos nas terras de meu avô. Mas se você não gostar da raiz da serra por causa das pererecas e dos insetos, ou da lonjura ou de outra coisa, poderíamos morar em Botafogo, no casarão construído por meu pai. Ali há quartos enormes, banheiros de mármore com bidês, vários salões com espelhos venezianos, estátuas, pé-direito monumental e telhas de ardósia importadas da França. Há palmeiras, abacateiros e amendoeiras no jardim, que virou estacionamento depois que a embaixada da Dinamarca mudou para Brasília. Os dinamarqueses me compraram o casarão a preço de banana, por causa das trapalhadas do meu genro. Mas se amanhã eu vender a fazenda, que tem duzentos alqueires de lavoura e pastos, cortados por um ribeirão de água potável, talvez possa reaver o casarão de Botafogo e restaurar os móveis de mogno, mandar afinar o piano Pleyel da minha mãe. Terei bricolagens para me ocupar anos a fio, e caso você deseje prosseguir na profissão, irá para o trabalho a pé, visto que o bairro é farto em hospitais e consultórios. Aliás, bem em cima do nosso próprio terreno levantaram um centro médico de dezoito andares, e com isso acabo de me lembrar que o casarão não existe mais. E mesmo a fazenda na raiz da serra, acho que desapropriaram em 1947 para passar a rodovia. Estou pensando alto para que você me escute. E falo devagar, como quem escreve, para que você me transcreva sem precisar ser taquígrafa, você está aí? Acabou a novela, o jornal, o filme, não sei por que deixam a televisão ligada, fora do ar. Deve ser para que esse chuvisco me encubra a voz, e eu não moleste os outros pacientes com meu palavrório. Mas aqui só há homens adultos, quase todos meio surdos, se houvesse senhoras de idade no recinto eu seria mais discreto. Por exemplo, jamais falaria das putinhas que se acocoravam aos faniquitos, quando meu pai arremessava moedas de cinco francos na sua suíte do Ritz. Meu pai ali muito compenetrado, e as cocotes nuinhas em postura de sapo, empenhadas em pinçar as moedas no tapete, sem se valer dos dedos. A campeã ele mandava descer comigo ao meu quarto, e de volta ao Brasil confirmava à minha mãe que eu vinha me aperfeiçoando no idioma. Lá em casa como em todas as boas casas, na presença de empregados os assuntos de família se tratavam em francês, se bem que, para mamãe, até me pedir o saleiro era assunto de família. E além do mais ela falava por metáforas, porque naquele tempo qualquer enfermeirinha tinha rudimentos de francês. Mas hoje a moça não está para conversas, voltou amuada, vai me aplicar a injeção. O sonífero não tem mais efeito imediato, e já sei que o caminho do sono é como um corredor cheio de pensamentos. Ouço ruídos de gente, de vísceras, um sujeito entubado emite sons rascantes, talvez queira me dizer alguma coisa. O médico plantonista vai entrar apressado, tomar meu pulso, talvez me diga alguma coisa. Um padre chegará para a visita aos enfermos, falará baixinho palavras em latim, mas não deve ser comigo. Sirene na rua, telefone, passos, há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono. É a mão que me sustém pelos raros cabelos. Até eu topar na porta de um pensamento oco, que me tragará para as profundezas, onde costumo sonhar em preto-e-branco."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2000211018347565763?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2000211018347565763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2000211018347565763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/07/ele-nao-e-um-bom-escritor-escreva.html' title='Ele não é um bom escritor? Escreva melhor, mas mostre'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7988365015790752978</id><published>2009-07-11T10:25:00.007-03:00</published><updated>2009-07-11T11:03:15.363-03:00</updated><title type='text'>Ser ou não ser Geraldo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(...) “Um tipo deixa de ser ele próprio, nessas alturas, e é doloroso não ser ele próprio,&lt;br /&gt;ainda mais doloroso do que quando o é, digam o que disserem. Porque, quando se é,&lt;br /&gt;sabe-se o que é preciso fazer para ser menos, mas, quando já não se é, é-se um tipo qualquer, irremediavelmente. (...)&lt;br /&gt;Samuel Becket&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Vi dois capítulos de Som e Fúria com direção de Fernando Meirelles. Uma adaptação da série canadense Slings and Arrows. É uma série estrangeira, como se dizia antigamente. Estrangeiro também é o diretor que foi demitido – por odiar o teatro - e ter em seu currículo peças onde há muita fumaça e onde um cavalo caga no palco. Parece que é uma caricatura, ou seria uma micagem?&lt;br /&gt;É uma micagem de Gerald Thomas. O nome da personagem é Oswald Thomas ( Antonio Fragoso ). Ele não se lembra de algumas palavras em português, despreza o texto ( Hamlet ) e é quase um dândi, aviadadíssimo. Fiquei olhando aquilo, rindo. Caricatura aumenta o nariz, micagem deforma o jeito – ou revela o imitado assim, tresloucado. Oswald, chamado de Oswaldo por seu desafeto, é uma situação estrangeira para o meio: e ele com o ator global vivendo o príncipe ( de Copacabana ) embarcam para um teatro que estranha os clássicos, como Shakespeare. Esse porte de clássico das peças anula de alguma maneira o estrangeiro, pois etiqueta o universal ao nosso sabor. Sempre poderemos pensar pelos clássicos.&lt;br /&gt;E não há nada cada vez mais atual que Hamlet. Na história há inclusive o velho diretor morto ( Pedro P. Rangel ) que aparece para Dante. E um Dante levado pelo espírito zombeteiro do amigo ao inferno de um elenco medíocre.&lt;br /&gt;Então Oswald vai se perdendo nisso como um neon entre as luminárias douradas, um excremento de cavalo no palco sagrado do teatro. Um som gutural e anglo-saxônico diante do chiado male molengo carioca ( o Municipal é de São Paulo ).&lt;br /&gt;Oswald é o experimento da trans-vanguarda que irrita o diretor. É a porta de saída, não da coxia, ele simplesmente precisa evaporar ( dizem que ele voltará e amará o texto ). Até onde vi, finaliza com um direto no queixo, na rua. Já estava com o braço ferido no duelo com Dante. Só se voltar como o cavaleiro da triste figura, insistente e ridicularizado.&lt;br /&gt;O peso do Municipal requer o ritual do teatro – e é ensinado o fingimento à atriz posta na companhia por influência política. Eu disse: vi dois capítulos. O seriado busca o tom humorístico, e talvez consiga mesmo chegar nele.&lt;br /&gt;Mas surpreendentemente observei que o diretor artístico Dante ( Felipe Camargo ) é quem realmente se parece um pouco com Gerald. Há uma reverência à irreverência. Uma referência à aceitação de platitudes, mesmo com o ator de tv e sua especialíssima maneira de criar a personagem.&lt;br /&gt;Pelo menos o que conheço de algumas peças e por ele mesmo, Dante é mais Gerald que a metamorfose Oswald. Que tal se lembrar de Mattogrosso, onde se fez cinema no teatro( Municipal ). Ou a densa tragicomédia Terra em Trânsito, com tudo o que o teatro exige – inclusive uma diva ( Fabi Gugli )? Ou seria melhor Um Circo de Rins e Fígados – aristofanesca obra que a platéia ria, meio sem saber se podia? Ih, são tantas. Perdi algumas. Deixa eu lembrar. Deixa eu lembrar para de repente rir de Oswald Thomas e sua excelente micagem do espectro de um Gerald geléia geral remontado pelo olhar comum de uma crítica que tentou exilar estrangeirismos &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( estranhamentos ? ) por aqui, mas fracassou.&lt;br /&gt;Lembrou personagem de teatro amador, o Oswald. Quando se queria fazer rir no teatro amador metia-se logo uma mona de equê metida à besta no palco. Fácil. Todos riam. Nós rimos sempre daquilo que desejamos para o outro. A tal risada da casca de banana que faz desabar o desconhecido.&lt;br /&gt;Alguém desejou Gerald Thomas assim, e semeou essa energia sobre ele no seriado.&lt;br /&gt;Uma nuvem de pó de arroz sobre a imagem do dramaturgo que transforma o espaço em nuvens de palavras, ou silêncios de diálogos.&lt;br /&gt;Ou seria impressões sobre Hamlet, seu olhar beckttiano e sua língua claudicante?&lt;br /&gt;O olhar amortecido para o fantasma que sempre chega: esse fantasma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7988365015790752978?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7988365015790752978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7988365015790752978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/07/ser-ou-nao-ser-geraldo.html' title='Ser ou não ser Geraldo?'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6192379818390031744</id><published>2009-07-07T13:18:00.014-03:00</published><updated>2009-07-08T14:01:23.520-03:00</updated><title type='text'>Títulos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lesado, eu li os títulos enfileirados do poeta ( no círculo, já aprovado ) como um poema. No início estranhei. Depois segui. Desconfiado da minha visão, ainda forcei uma leitura amena ( às vezes entende-se um poema desfazendo-se do seu rigor, por sorte ). Depois, a poesia sempre aglutina imagens – em versos de uma palavra. Uma gênese. Ela nunca quis nexo. Assim, fácil. Percebi a ausência daquele jogo, daquela forma de imagens. Mas estavam lá, eu que não alcançava? O poeta é acadêmico &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;( esses conseguem esconder atrás de construções a poesia, muitas vezes ). Reagi, porque não gostei. Reli. Lesado, nem mesmo em duas leituras percebi que eram entradas dos títulos.&lt;br /&gt;Aí, ao entrar, por clicar o mouse ( a mão se contraiu por ela ), pude ver que eram os poemas com tudo o que ofecerem: imagens, estalo, estilo, estirpe e a tal da expectativa em ser poema. Os poemas estavam conformados para a admiração geral.&lt;br /&gt;Como acontece a um leitor tal absurdo?&lt;br /&gt;Se o poema, acostumado a ser lido em seu ritmo elaborado, se trava – atravanca.&lt;br /&gt;Era o sinal dos nomes. O impedimento da leitura. Quase me lembrou o caso daquele poeta, em escala, menor, metido na crítica de artes plásticas, mexido pela lata de lixo, que leu arte. E tudo poderia, para ele, no Masp, ser instalação. Duchamp riu disso.&lt;br /&gt;E olha, estranho: eu até, por momentos, já me afeiçoara ao poema truncado de títulos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6192379818390031744?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6192379818390031744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6192379818390031744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/07/titulos.html' title='Títulos'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6943723726292154565</id><published>2009-07-06T13:10:00.020-03:00</published><updated>2009-07-07T22:45:47.169-03:00</updated><title type='text'>O eclipse da serpente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;( ... )&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entendimento rompido, frações de realidade, realidades inventadas, sentimento tardio, ironias virtuais, estresses reiniciados... Há um pacote de atitudes falidas e de silêncios fabricados nessa era. O mal desse século ainda não se formatou bem. Se há o excesso de informações, há também um grande tédio pelas suas repetições. Se há excesso de comunicações, há um excesso de banalidade em tudo o que se diz e faz. E se há uma busca intensa pelo novo, o natural cada vez fica mais sofisticado e raro.&lt;br /&gt;Ontem zapeei, e o maior canal aberto apareceu para mostrar pessoas em lamas brancas catando trocados, flutuando em águas, por onde passeava uma cobra inocente - ela buscava a fuga daquela contaminação. Aquela água de estanho espelhava a euforia do espaço limitado, desenhado para ser uma ruína. Aquela serpente, alheia, roçando as pernas dos determinados, injetava um estranho veneno do inútil. Uma audiência montada em ações de busca por dinheiro molhado. E a dicção do ator, que comanda o entretenimento, entediava o resto de uma aventura falida. Um embarque na bobagem de ambientes montados para borrões de sentimentos.&lt;br /&gt;Ou embarco na leitura da doutrina do choque, de Naomi Klein? Mas quem ficaria relaxado numa praia de tsunamis? Tomando o seu solzinho e sonhando levemente com a possibilidade de uma onda de 30 metros banhá-lo na areia?&lt;br /&gt;Lembro do mal de Lua, dos contos-fábula de Pirandello. Mudou a Lua, mudou o homem. Algo mais humano quando a Lua justifica alterações, se somos mais líquido do que carne. Se somos mais fleuma que mente. Se há o eclipse – como hoje – vamos nos eclipsar, o que quer dizer recolhimento e silêncios? Nada disso, o silêncio está em férias. Voltemos aos males ocasionados pela natureza. É uma boa saída para quem já perdeu contato com a humanidade, com a sua e com a do mundo.&lt;br /&gt;Mas que se por qualquer percalço ou enrosco eu buscar entendimentos, projeto-me em círculos de cinzas. Não há saída para.&lt;br /&gt;Mas a bella barthesiana se calou, interpretando alguma voz minha como réplicas. Eu disse: abre o jogo pra mim? Era para o oráculo que ela usa, ela leu: para os segredos menores? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Me disseram que há uma espora no logotipo do governo. E sempe que leio o texto ele se altera para ... um país de tolos. Toldos.&lt;br /&gt;Há sempre um arroba entre minha voz e o outro. Há sempre uma arroba a mais na minha dedicação a uma estética perdida. Há sempre arrobas destroçando a grande floresta, para encher o prato de carne e as contas bancárias. O perigo do que se abre, abreu.&lt;br /&gt;Sim, o mal do século talvez seja o arroba. Ele possibilitou uma facilidade para o dizer, para a pressa de uma realidade avessa. No inverso da intenção, a comunicação hiper dinâmica quer se fazer – e se faz pela velocidade e embriaguez do arroba.&lt;br /&gt;Cherez de absinto.&lt;br /&gt;Talvez seja esse mal um antídoto ao excesso de exposição. Um para trás em redemoinho cinza. De novo o cinza. Cinzas.&lt;br /&gt;O criador, mais que inteligente, me observa. Percebe meu delírio. E inquieta-se. Depois diz, sem mais nem menos, ultrapassando toda minha análise rala:&lt;br /&gt;- Você está oprimido?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6943723726292154565?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6943723726292154565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6943723726292154565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/07/o-eclipse-da-serpente.html' title='O eclipse da serpente'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5389463631393109601</id><published>2009-06-29T13:08:00.008-03:00</published><updated>2009-06-30T11:52:48.795-03:00</updated><title type='text'>Mais ou menos Jackson</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se me assustei com a repercussão da morte de Michael Jackson? Sim, e muito. Não, nem um pouco. Depois de demonizado pela maxmídia por atos que ele mesmo construiu ( afinal um top pop star não vive sem ela nem ela sem ele ) Jackson vai ter a morte prolongada.&lt;br /&gt;Um anti-Narciso que tornou a cena do pop seu recanto tumultuado.&lt;br /&gt;Lembro que a morte de Lennon me atingiu muito, eu era muito novo, foi como se um sequestro de algo superior. Lennon expandia a virtude do homém além do sucesso, era um ativista de si mesmo, um iconoclasta romântico.&lt;br /&gt;Não que eu queira pesar ou medir as duas perdas. Prefiro ver Jackson como um novo Fred Astaire, e está de bom tamanho. Entendo nada de ídolos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua viagem com a terra do nunca ou sua possível viagem com a força da goécia contra supostos inimigos ( Vanity Fair 2003 ), com sangue de bois e ovelhas, há uma repulsa nisso tudo, um afastamento imediato. Se pensamos em seu nome - Michael, Mikael, tudo passa a ser uma inversão geral.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há algo de imposição do particular para o excesso da visibilidade. Há algo de estranha anti-natureza encapada em ingenuidade, em tempos paralisados. Nunca embarquei nessa. Mas gosto de Dorian Gray.&lt;br /&gt;Também se seu embranquecimento era por motivos de doença física ou psicológica, se a redução do seu nariz era consequência disso ou daquilo pouco me importa. Cada um que escolha sua cor e desenhe seu nariz como quiser. O que me passa sua imagem, se do monstro que se revela em Triller, ou se o andrógino em black or white, alguma admiração fica pela exuberante performance e a superprodução dos filmes - vídeoclipes.&lt;br /&gt;Para mim é tudo estranho, alheio. Como sua imagem. Há algo de egípcio nisso tudo, uma mumificação em vida, uma renúncia ao natural. Vi uma cena: com seu filhinho no colo, com um véu, mamando. Um buraco no véu por onde passava a mamadeira. Não sei se é o mesmo que ele brincou de atirar pela janela. Triller purinho.&lt;br /&gt;Fato para os estudiosos do decadentismo, de Praz e cia.&lt;br /&gt;Como para um jovem que cresceu cantando Noel, Cartola e Chico, como alguém que passou os anos ouvindo Clara, os mineiros e Jobim possa se envolver com isso tudo? Se saísse disso, ia para Stones ou Lennon. O meu pop sempre foi o rock de Jagger. Havia algo de Jagger em Jackson, como uma máscara turva. Ou uma máscara furada.&lt;br /&gt;Dizer, então, que Jackson influenciou o planeta em cada canto e se tornou um ícone absoluto para todos e etc não vira para mim. Não atinjo isso. Se a mídia fará essa morte ser longa e detalhada? Se vai vasculhar os últimos dias, minutos e seus atos secretos, se ainda havia algum? Não tenho dúvida.&lt;br /&gt;Alguém precisa vender a notícia, nem que seja um frágil e poderoso menino preto-branco que flutuava nos palcos canções banais e geniais ( a pedidos ), e muito ritmadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5389463631393109601?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5389463631393109601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5389463631393109601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/06/mais-ou-menos-jackson.html' title='Mais ou menos Jackson'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1278725034586346664</id><published>2009-06-21T15:15:00.013-03:00</published><updated>2009-06-29T20:03:16.602-03:00</updated><title type='text'>O ato secreto de Ninguém</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desde o processo de renúncia/impeachment de Collor não se parou mais com a onda de escândalos e suas revelações. Não separamos mais a política de maracutaias – espécie de extensão natural da profissão não regulamentada. Passamos pelo lodo do mensalão escandalizados com o PT, que criou-se e se fortaleceu na tese da ética na política. O partido parece que também não sabia que o jogo do poder – o poderio do jogo – poderia levá-lo para onde sempre pautou sua crítica. O PT frequenta hoje o espaço de suas críticas ferozes por décadas. Que doido. Ou era apenas um estratégia? Um discurso roteirizado para forçar a aceitação do círculo, uma contra-senha?&lt;br /&gt;Havia, e há, uma palavra mágica que adere a antigos, e novíssimos, movimentos de atos políticos, uma aceitação generosa da agilidade e maneira peculiar de se fazer política, tradicional, e supermoderna. A palavra é: governabilidade. Ela que sustenta as línguas dobradas e os conchavos. A governabilidade, para não se romper, impedindo a suposta ação benéfica dos governos, é uma aceitação a priori do outro, com suas manias, idiossincrasias e jeito diversificado – uma ação para além do comum. A governabilidade e seu fim tem que superar essa cisma do comum, de que as coisas tem que estar submetidas a uma ética. Tem uma expressão que lhe assegura os atalhos e lhe dá a camada de importância: &lt;em&gt;Em nome da governabilidade!&lt;/em&gt; Depois disso, portal e porteira abertos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, expressões novas e bastante usadas também vão se acercando de nós como o chatíssimo diferenciado, que já deveria partir sem saudades, pois quer ser um adjetivo de marketing do diferente, e já tornou tudo igual. Expressões servem para isso às vezes, nos fazem entender que nem tudo é como nos parece.&lt;br /&gt;São elas que a política brasileira adotou com carinho e buscam significar uma indignação ingênua: &lt;em&gt;não sabia , não me lembro e não sabia ( juntos), desconheço, estava distraído quando assinei, me enganaram, eu nunca soube disso, isso é tudo uma armação, uma conspiração&lt;/em&gt; etc. As revelações pela imprensa de escândalos perdem seu vigor, e domesticados pelo &lt;em&gt;não sabia&lt;/em&gt;, voltam-se violentamente contra quem os revelou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aí incluímos as Ongs, quase culpadas por existirem vários desmatamentos e fazendas e grileiros e tudo o mais na Amazônia. Devastam a floresta mas &lt;em&gt;eu não sabia&lt;/em&gt; faz com que se reconheça que o ato, enfim, foi inevitável, e necessário oficializá-lo. As Ongs, elas devem ter outros interesses, pois mentem, afirmam. O que elas dizem, afinal? Que o desmatamento está a toque de caixa, 11 mil quiilômetros em um ano, que agropecuária não é uma atividade para a Amazônia, que há terras devastadas e abandonadas ( nasce um capim duro que dificulta a pastagem e os produtores optam por devastar novas áreas ). Que o projeto para a região tem que ser de manejo de recursos florestal ( até agora não li nenhuma referência a Chico Mendes, era sua ação magnífica, foi assassinado por isso ), atividades que incluam a Floresta e não atividades que exterminem a Floresta. Utilizam dados do Inpa, ou seja: dados do próprio governo. O governo com seu discurso dúbio vai permitindo uma realidade já bem conhecida: assim fizemos com a Mata Atlântica, o mesmo discurso de desenvolver uma região e desmatar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos bem.&lt;br /&gt;Vamos bem também se reconhecermos que o desmatamento da Amazônia não é benéfico para o Brasil porque o mundo está de olho no nosso ato secreto, e pode impedir investimentos e exportações. São os interesses internacionais que nos impedem de construir o maior pasto a céu aberto do mundo então? &lt;em&gt;Não sabia&lt;/em&gt;, pensei que pensávamos a Amazônia como algo vital para nós por ser um ambiente multi-ambiental. Uma reserva natural do planeta que sobrou do macro – expansionismo. E criar um novo conceito de desenvolvimento - sustentável- na região.&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;eu sou um homem comum, qualquer um&lt;/em&gt;, e não sei mesmo lidar como esse arcabouço ( calabouço ) de interesses e jogos de poder. Ou então, fico pasmo, daqui a pouco eu terei que ser responsabilizado porque um homem não comum, incomum portanto, tem sobre si a responsabilidade de sua história? Se é não é um qualquer, seria natural que as críticas tenham o peso de sua notoriedade. Ou será que só aos comuns, como aquele motorista do ex-ministro, deva se dar tratamento investigativo especial? Se o poder legislativo - ou qualquer poder - se abala ou se enfraquece com descobertas de maracutaias, então não se investigue mais nada e deixem em paz os eleitos, nas suas salas de mármores, tramando merecimentos.&lt;br /&gt;E me deixem em paz também, porque se nem a revelação de escândalos, nem o detalhamento de todas as ações do tradicional jogo político modifica o cenário, o que fazer? Será que alguém ainda espera que os profissionais irão largar o osso de ofício, e irão postular que outros assumam a condução do estado? As opções que temos para a sucessão disso tudo são exatamente o seu prosseguimento, piorando aqui ou melhorando acolá. E as não opções também são a marca de que sequer conseguimos sair dessa dialética barata, dessa notória lorota de país enrolado em suas próprias artimanhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém imagina que depois da própolis do &lt;em&gt;eu não sabia&lt;/em&gt; alguma infecção dos que querem mudança vai se instalar?&lt;br /&gt;Parece mesmo que o ato secreto foi realizado por Ninguém, aquele mesmo Ninguém que o saqueador de cidades se intitulou quando fugia do Ciclope, depois de tê-lo furado o olho: &lt;em&gt;diga que meu nome é Ninguém&lt;/em&gt;, gritou o industrioso do seu navio para o monstro cego e raivoso.&lt;br /&gt;Eu não sabia que Ninguém fizera seu ato secreto. Eis a manchete estampada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o país que construímos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1278725034586346664?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1278725034586346664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1278725034586346664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/06/o-ato-secreto-de-ninguem.html' title='O ato secreto de Ninguém'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5481226198772522258</id><published>2009-06-11T15:00:00.000-03:00</published><updated>2009-06-11T15:01:54.726-03:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Até procurei fios para ligar essa história, caro G., mas minha história é um fio desencapado. Qualquer ligação ou encaixe resultará em um culto circuito, o acaso irremediavelmente se agregou a mim. E em texto de blog, o tempo do texto, você sabe melhor que eu, um blog quer, mas não pode, dar a réplica a um autor. Os comentários acariciam ou arranham o que podem, e o  que não podem. O outro – essa presença.&lt;br /&gt;Deixar os lugares é um movimento inviolável, acima de qualquer receio ou retidão, é se atirar pelo mundo, buscá-lo, e a dicção do mundo é o movimento, a saída, o caminhar. A literatura também me fez viajar tanto que até me levou à exaustão.&lt;br /&gt;Passar por entre outros estados, outros lados, pórticos de outras civilizações. Houve épocas em que o desejo se estabelecia mais. No que ficou em relatos de personagens, no nosso imaginário, Ulisses ( o que porta o deus ) e Dante que nos narra em painéis sinestésicos  o homem, o seu espírito sobre a realidade.&lt;br /&gt;Pode-se olhar o tempo, que faz sua viagem própria, sem se contaminar ( o que assusta ).&lt;br /&gt;Os grandes navegadores, como num desespero idílico, registrando em palavras os dias que lhes passam. Mas cabe dizer que o que passa pelo viajante isto também o torna. Entorno de olhadas agudas para as pedras em ruas estreitas de uma Paris, Benjamim deixa-se sucumbir em trânsito, no pânico da fronteira, ele que tão bem sabia ler a vida. O monstro austríaco não lhe alcançou. Alcançou a todos nós, mas não a ele.&lt;br /&gt;As viagens, as fronteiras ( dos perigos ). Eu também viajo e como tal que estado novo sempre me dá o vôo, a linha de ferro, o asfalto, as águas em que flutuo. As imagens da água, terceiras visões da imanência, a viagem se esvai, vai e vem em ondas de lagos. Culturas nas dimensões dos espaços  ocupados, os nórdicos, pagãos, como que os vi por sobre as longas pernas divisarem infinitos para trás – desfiles de corso. E a Roma dos césares petrificada em aragens de monumentos, em terrestres alusões aos tempos tão fortes que nos ficam impressões disformes. Ou quando mudam - como animais migrando - minhas vontades de ver o desconhecido.&lt;br /&gt;No que então agora vejo Anchieta se curar de doença grave com os ventos salinados do Pacífico, preparando-se para salvar - como um Sócrates - o que já estava salvo. Ele que entra em aldeia antropófaga para na hora h dar extrema-unção ao índio-comida. Anchieta deus de si, o que transforma tupã em Diabo. Mas eu pedi perdão a Cunhambebe em uma prece-poema.&lt;br /&gt;Há quem veleje e narre sua apostadas corridas, cruzadas pessoais. Há as três margens para o poeta cavaleiro que lê o cântico dos simples, o Rosa das terceiras margens, do pai na canoa, do diabo em seu redemoinho, das transmutações trecheiras  que o amor produz, ou induz, em faces, desenhos do olhar. Descemos com os criadores a lugares  desnavegados, cruzadas de navios, bandeiras negras e piratas que somos de nosso eixo, roubamos o ar - as viagens nos elevadores da lembrança - o que regurgita e revela em pátria nossa - cria de viagens - a nossa própria exploração. Ação de ontem, tempo de estio. A América do Norte num carro, o narrador como que susta o sonho que ainda guardava, despedaçados os sonhos do país da liberdade, que é o país da grana, Henry Miller inverte a América e seu deus dólar para saborear a Ásia. Simulacros de luz em travessia noturnas de trem, a Sibéria glacial, o samouvart pelando para derreter a língua da neve, a resistência então do humano,  o animal que mais viaja, que fornece, que conhece, invade, constrói e devasta. Os vinte anos da volta, os tapetes da espera, a espora do tempo.&lt;br /&gt;Literária viagem que me vem em flashes, em mantras nas malas, em coloridas e miseráveis índias, ou o mago, magno, imagístico dom do que comanda aliados em milhares de exemplares, Borges por entre todas as fronteiras, sedutor do caos-labirinto em suas sete noites. Rimbaud acaba por colorir suas vogais todas de vermelho sob o sol e chega a lugares onde nunca se vira branco Rimbaud ( o nauta ).&lt;br /&gt;Hemingway nos dá roteiros onde não se saboreiam cheiros de café em tardes geladas de Paris, a falta de dinheiro o faz burilador de frestas e criador de imagens inéditas.&lt;br /&gt;Não conto as viagens internas. Para as viagens é preciso lugares, vegetações, extemporâneos trejeitos do que parecia estar para sempre ali. As viagens são sensações externas e delas se narra as amarras mínimas de um ato esguio. No solavanco ultra-rápido da palavra. No seu estalo. E o sal, o fogo, o ar. Os fortes incrustados nas nossas mais belas praias, ali chegaram eles que seríamos nós, todos raças estrangeiras. O Brasil é para ser chegado, é o país de chegada que nasci, me vendo nele sempre narrado num exotismo sem fim. Viagem circular, quadrada, quebrada, em montanhas. O meu idioleto incapaz de balbuciar algo de certo nestas andanças, ou minha incapacidade de sentir o sentido por outro, por outros criado. Tapam suas vergonhas, mas não o caráter, deveria ter escrito Caminha, as matas que brotam gente perfeita. Acabo, como  Miller, renunciando a  meu sonho de Brasil e cito, forçado por ser antenado a isso, o Velho Mundo. A Itália-moura de meus avós e do meu  nariz. O cheiro do ar não me impede visões menores. Pise no freio que a viagem se perpetua, se insinua, que cercado sempre fico zonzo - pois até no sono me visitam. Recordações do não vivido. Eis o texto.&lt;br /&gt;Pedaços de viagens que me infestam a mente. No sonho meio que solto em imagens inéditas. O transiente sinal do sonho também tempera todo o maiúsculo desejo de se eternizar. Basta então mar aberto para aspirar  o futuro - símile coesão com o que é. Como então sonhei que volitava por templos dos Maias repousados em eternos mistérios, em seus ministérios coloridos. A civilização esquecida como se avistada em panorâmicas espaciais me tragando em ruídos de sombra. Os sonhos capturando intenções perdidas inauguram junto a visões fellinas sentimentos sem nomes. Oníricos portais, os postais de meus vislumbres. A literatura fotografa sensações como se houvesse à porta um outro Fausto tão bem acompanhado. Chaves que trancam os cadeados do mundo do comum.&lt;br /&gt;A viagem no passado do Casmurro ressentido, perdido no  “viajar de uma viagem” sem volta pelos meandros do outro, publicando a solidão e a melancolia - febre estranha à nossa natureza tropical, Casmurro europeu - ex-suburbano.&lt;br /&gt;Artaud em atalhos pela Síria nos acena novos antiqüíssimos  deuses.&lt;br /&gt;Outra rota, outro atalho, outra via não vista, volto que nublada  já ficava a minha face: como que dizem, maldosos, que o poeta-filósofo da alegria era sisudo e triste? Ele que transita pelas pensões da Europa demolindo com o texto altivo as próprias edificações partidas da mentira. Iconoclasta sem bagagens, Federico que se recusa a adorar ao deus fogo em noite de inverno italiano, diga-se, então, por Ovídio no ancestral do português:  Ut desint uires, tamen est laudanda uoluntas. Diga-se então pelas musas de Camões ou pela hybris avançada. Viagem longa a de Nietzsche ( o enforcado do tarô ? ); o andarilho das pensões gargalha os 10 anos de desrazão ainda mais vilipendiados pelos  “seus” críticos urubus. Como seria esse olhar? Olhar íntimo o de Nietzsche. O personagem Cortázar também alpinista em Ryuela ( diz Nietzsche: da montanha as torres da cidade, como as vejo pequenas ) entre janelas de edifício portenho, tábuas bambas atadas a peitoris abarrotados de roupas, ou o comum na corda bamba derrubado pelo risonho diabo? O tempo buscado em jogos de calçadas ou o rastrear o ar atrás do passado num compostura sôfrega, atrás de um jogo sutil em papel japonês, no feixe magistral do texto de Proust que embrulha em marfim nomes e emoções à toa e vê  Florença através de Giotto.&lt;br /&gt;À toa, em tom de convés, a rapariga scomparsa, tudo assim meio que tudo no meio do papel, tela de escritor, pincel do olhar. Olha que interminável seria a descrição do descrito, mesmo ocultando-se quase tudo, trazendo a granel o sugerido, o cerzido, tecido em letras.&lt;br /&gt;E me enrolo em pergaminhos esquecidos, em porões de bibliotecas, em olhares venais de traças e troços que serão traças, porque não se desfazem as traças quando se lê o livro esquecido, o poema soterrado no pó, o texto escondido por manchas, máculas do tempo. Mágico o texto no seu picadeiro de sílabas faladas ao alto. O livro liberto da garrafa, do mofo, da fama. Nenhum guru, nenhum sábio, nenhum leitor, nada o possui. Só, o livro, esconde para si estórias, maravilhas de dias, espetáculos, estradas, ambientes, campos, sertões e sóis.&lt;br /&gt;E mínima, a minha visão ainda se entrega a tentar sem resultado lembrar o mais belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5481226198772522258?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5481226198772522258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5481226198772522258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/06/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3834873985618518726</id><published>2009-06-05T17:39:00.002-03:00</published><updated>2009-06-05T22:36:02.410-03:00</updated><title type='text'>Ceres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje é aniversário da minha mãe Ceres. Deusa que me deu a vida. Esperou que o décimo-primeiro filho viesse. Já tinha tantos, e ainda assim me esperou. Como eu posso agradecer à senhora, hein Dona Lita? Como? Impossível. Qualquer ato de gratidão, qualquer lembrança, qualquer palavra, nada ficaria digno, nada chegaria nem perto. A sua generosidade, me gerando e me dando a vida. Você me deu a vida, me trouxe à luz. Divina sua ação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Te adoro e te reverencio. Para sempre!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3834873985618518726?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3834873985618518726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3834873985618518726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/06/ceres.html' title='Ceres'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-4050827899594188263</id><published>2009-06-05T17:18:00.004-03:00</published><updated>2009-06-05T22:42:41.520-03:00</updated><title type='text'>Para todo ambiente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje é dia mundial do meio ambiente. Cada vez mais meio. Tem um caderno na Folha que traz uma série de informações sobre a Amazônia. E revelações antigas sobre a Mata Atlântica. Traz um pinga-fogo fraco entre Marina Silva e Kátia Abreu. Digo fraco porque nem de longe demarca a distância entre as duas. Uma, mesmo que diga que não, defenestrada pelo governo pela sua coerência no combate à destruição da Floresta ( seu mestre foi ninguém menos que CHICO MENDES, que seja sempre lembrado!), outra, cada vez mais robusta na sigla CNA. A Folha traz o que eu já sabia: o discurso ambientalista é um entrave para o governo e o agronegócio na pressa das liberações para as obras de estradas, hidrelétricas e construção de pastos e terrenos para a soja e cana-de-açúcar. Ou seja: para produzir energia, madeira, boi, comida para o boi e álcool para os carros é preciso mesmo devastar, é o que não querem dizer. O Greenpeace contesta: segundo o Ipam ao menos 36% das terras no Brasil estariam livres para o agronegócio impulsionar “nossa” riqueza, deixando em paz a grande floresta. Até o ministro da Agricultura concorda com esses dados. Então, qual seria o problema? Madeireiras? Com essa lei aprovada no Senado essa semana tudo vai pelo ralo: posse aos que ocuparam as terras públicas na Amazônia. Posse geral e irrestrita. Agora querem usinas de cana no entorno do Pantanal. Querem tudo. O país, riquíssimo, quer construir, produzir, ligar, e desmatar. Sim, é preciso falar bem claro. Se eles chamam árvore de madeira, como a denomina o ministro da agricultura, já é uma revelação desenhada do que é e virá. As Ongs já estão sendo tratadas pelo jornalismo auxiliar da riqueza pela expressão pejorativa onguismo: “ ora, esses movimentos onguistas querem o quê?" Ou  “O onguismo tenta pautar a política ambiental do governo”. Querem isolar as Ongs como se fossem elas o problema.&lt;br /&gt;O que no fundo querem é que os ágeis produtores rurais cuidem de tudo e passem a preservar a madeira no limite para plantarem mais bois, mais comida para eles e resolvam o problema do mundo plantando por todo lado o combustível. Querem plantar tudo, desmatando.&lt;br /&gt;Se Carlos Minc tiver forças para resistir, se for eficiente nisso, talvez possa segurar um pouco o ímpeto do próprio governo de que faz parte. E nem é discurso para a oposição: a revelação de que no governo FHC se desmatou perto de 30.000 km2 na "euforia do plano real". E também outras revelações pelo livro A ferro e fogo de Warren Dean, no texto de Claudio Angelo, neste mesmo caderno.&lt;br /&gt;O discurso ecológico há muito deixou as vitrines e os guetos para declarar sua urgência.&lt;br /&gt;Temos mesmo que fortalecer é a Cristiane Torloni, a sociedade que ainda resta nessa aridez, fora dessa visão atrasada de progresso, que os ricaços querem continuar a reger. Fortalecer as Ongs sérias que denunciam o que deveria ser controle e ação digna dos governos, não atos sem volta na devastação que vai cada vez maior da Amazônia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-4050827899594188263?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4050827899594188263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4050827899594188263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/06/para-todo-ambiente.html' title='Para todo ambiente'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5083234155755064791</id><published>2009-05-29T16:24:00.002-03:00</published><updated>2009-05-29T22:51:47.825-03:00</updated><title type='text'>Uma leitura dos Gigantes da Montanha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ilse é a protagonista do ato absurdo, que, cercada pela sua trupe mambembe e seu marido aristocrata, demonstra sua dor trágica e o transe incontrolável. Ilse declama a peça desde o início para montá-la no final, e isto é afirmado na prerrogativa de que ao assumir o suicídio do poeta por ela, tem que trazê-lo à vida de volta, com seu próprio texto. O mesmo texto que marca o fim de sua vida, marca também o fim da vida de Pirandello, pois que morre duas vezes( tal como seu Mattia Pascal na sua cidadezinha e no Tevere ).&lt;br /&gt;Ora, quando o mistério da arte se atreve a interferir na vida e na morte, as coisas começam a ficar por demais, e Pirandello já se superava ao máximo em Mattia, em Seis personagens e em Enrico IV. Com os Gigantes da Montanha leva ao paroxismo essa intercessão.&lt;br /&gt;O que se pode dizer de diverso desse enunciado trágico? O que se pode escrever - se o epílogo quem conta é o filho via as lembranças do pai?&lt;br /&gt;A morte teatral de Pirandello é duas vezes teatral.&lt;br /&gt;Se há o crítico&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; que faz um elaborado e rítmico estudo sobre a importância do número nove e da cabala na obra de Pirandello, há a indicação também do duplo, tão apreciado por Pirandello.&lt;br /&gt;Um duplo de mãos transversais, diga-se de tão transversais, que saem do proscênio para a cadeira como se o susto fosse uma prerrogativa natural do viver - o riso e a carranca. Pirandello anuncia sua morte, e quem a revela e chora por ela é a atriz-arte que a materializa. O mundo enevoado dos gigantes recai no mito. E o mito se torna lenda no contexto da fábula do poeta suicida.&lt;br /&gt;O suicídio torna-se nascer - e se revelar.&lt;br /&gt;Pirandello manifesta em Os Gigantes da Montanha algo entre uma metafísica impossível e um trágico cortante. A metafísica do lékos - do lugar, do pouso - e o trágico do lokos &lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;- da emboscada, da existência.&lt;br /&gt;Entre o lugar do pouso e a emboscada, entre o transversal e o linear está a arte. A arte que para ele tinha uma existência de deusa pagã.&lt;br /&gt;A arte que ele incensa para perfumar o ar carregado que o senso comum consegue, em todos os tempos, sustentar.&lt;br /&gt;Pirandello constrói, como uma Penélope, seu tapete mágico - e transversa o tecido de tal maneira que a crítica dessa peça se afasta, como se afastavam os comuns da Esfinge na entrada de Tebas.&lt;br /&gt;A estrada que Pirandello escolhe não é a de Damasco, não é a encruzilhada da simples escolha imediata. Pirandello escolhe a estrada que o leva à esfinge, sabendo que a via transversal a ela sempre leva, por ela sempre passa, marcando com um xis o perigo do encontro, montando o confronto. E para ele, assim como disse tempos depois Artaud, “a qualquer pergunta da esfinge a resposta seria: O Homem!”&lt;br /&gt;Confrontos vários. Em os Gigantes, confronto dos mambembes com os Scapigliati.&lt;br /&gt;E se o mambembe tem o ar romântico do sedutor-anunciador da arte, os scapigliati tem no canto da boca o riso de que nada será resolvido com ela.&lt;br /&gt;Pirandello tem a intenção da esfinge, e ela pode ser a consciência que engoliu o instinto, e por isso vocifera o perigo, mas ela pode ser o instinto disfarçado em razão, nas suas nuvens de poeira e pedregulhos.&lt;br /&gt;Édipo está nessa transversal, ele que mata o perigo para se tornar o próprio.&lt;br /&gt;A assimilação da máscara torna-se o rosto, a face em suas nuances de espera. Pirandello espera, ele sabe que os Gigantes estão lá, no alto, no Pantheon do meio-dia, os gigantes conquistadores da natureza e que esperam também, porque sabem do pôr do sol. O pôr do sol de Pirandello é o próprio texto montado pela Companhia da Condessa, esse o seu tramonto - e o texto que sobra, de Estefano, seu filho, tem o tom de uma narrativa épica, homérica, como o filho de Ulisses, Telêmaco, anunciando a busca da notícia - a morte do pai, tão desenhada para ele, tão fictícia para o leitor, mas nem por isso vazia de uma emoção nobre. Estefano está na transversal do discurso - ele anuncia o reviver da criação do pai Pirandello, e esse mesmo reviver o pai conta no texto da atriz que ressuscita o poeta morto na dramaturgia do último ato.&lt;br /&gt;Homérico o texto, e por isso o Mito anunciado por Pirandello. As duas vias transversais, os dois sinais - verde e vermelho. O avançar e o parar. Ilse só pára quando do esforço supremo, máximo em reviver o poeta, e emocionar o público insatisfeito. Pirandello só pára quando os Gigantes descem e se manifestam nos muros. O muro que se estabelece entre a comunicação e o silêncio, entre o revelar e o esconder, numa dialética definitiva.&lt;br /&gt;O que Pirandello desenha nos atos dessa peça, Stefano desfaz em “ me recordo do que meu pai pensava e dizia...”. A peça, na atmosfera onírica, prenuncia a recordação, mas faz o sonho ser visível sem quebra de continuidade. Traduzir Pirandello nessa peça não permite chaves. O texto está aberto, ele está na praça como os Mambembes, mas está igualmente aberto no sarcasmo inocente dos Scapigliati.Sem chaves, mas com muros. Divisas das ruas transversais, o escuro do não revelado ao entardecer do revelado. Da sombra do sol ao claro luar . O vai e vem do contraditório, e o vai e vem do correto. Há, na peça, a carroça com o feno. O feno que preenche o espaço da turbulência se contrapõe ao pesado da estrutura. Mas o que transporta o leve é o pesado, eis a carroça com o feno! A arte embrulhada, protegida no feno, a arte casca de ovo. O claro-escuro das luzes, o claro-escuro do texto. Monta-se a farsa, a farsa é o real. Sonha-se sempre o mesmo sonho, o sonho é a realidade.Pirandelo assume o espírito do poeta suicida - o tempo o mata, ele se mata no tempo: as duas vias transversais se cruzam e se tornam únicas em pouco espaço. Há pouco espaço para o único, mas é o espaço que fica e o que sobra na importância das ruas.&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Umberto Artioli em Pirandello Alegórico&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=949970819137584305#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Luigy Pareyson: I problemi Attuali dell’estetica&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5083234155755064791?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5083234155755064791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5083234155755064791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/uma-leitura-dos-gigantes-da-montanha.html' title='Uma leitura dos Gigantes da Montanha'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1740555638664702803</id><published>2009-05-23T01:42:00.006-03:00</published><updated>2009-05-25T17:58:55.401-03:00</updated><title type='text'>Restaurar o sistema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu irmão me ensinou que se pode voltar o tempo na máquina ( que é assim que se chama o computador ).&lt;br /&gt;Se para mim a máquina já era uma criação para além de meu potencial de uso, imagina a minha surpresa em saber que indo no iniciar, depois todos os programas, depois acessórios, ferramentas do sistema você pode restaurar o sistema. O sistema restaurado, para qualquer data, elimina impurezas, defeitos, instalações precipitadas, memórias ruins da máquina, até vírus menores, desses chatos que os chatos enviam para gozar do seu quarto solitário.&lt;br /&gt;O sistema restaurado faz a máquina funcionar perfeita, desprezando os problemas do futuro – que foram revelados. O futuro errado é cancelado pela restauração do sistema.&lt;br /&gt;Quisera – nada nietzschiano, eu sei – pudesse restaurar o meu sistema aqui. Certamente levaria o relógio para 2003 e expurgaria tanta bobagem acenada por gente incapaz, tanto ressentimento escondido – que é o pior feitiço – tantos contatos e decisões, que envolveram mentes burocráticas – e viroses humanas. Eliminaria o erro da viagem à cidade externa, e o rodopio decadentista da bruxa roxa - sua busca sofrida pelo sofrimento do outro e a apoteose retida do malandro romano.&lt;br /&gt;Principalmente eliminaria o cara adoentado pelos seus demônios insistentes, alimentados pela sordidez, que tentaram se acoplar a minha energia. Uma insistente e corrosiva pequenez que me lançou para o espírito de gravidade – um perigo.&lt;br /&gt;Minha trajetória bombardeada pelo vírus do banal – a anti-natureza revelada pelo sacerdote jovem e débil que fez uma lambança daquelas aqui na Terra e no astral. Essas imagens iam ser jogadas no fogo branco do sistema restaurado. No silêncio fabricado do ex-existido. Iam virar éter eletrônico.&lt;br /&gt;Sim, voltaria o relógio. Mas se não posso, lanço o futuro forçado para longe e treino a realidade paralela, me falaram que também funciona.&lt;br /&gt;Resta saber qual o caminho depois do iniciar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1740555638664702803?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1740555638664702803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1740555638664702803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/restaurar-o-sistema.html' title='Restaurar o sistema'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1243288205158375641</id><published>2009-05-16T13:14:00.038-03:00</published><updated>2009-05-17T19:28:06.140-03:00</updated><title type='text'>Ficou com quem mesmo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Sempre fiz parte do grupo que acha que livro bom é para circular. Emprestar um livro que gostamos é como derramar o prazer para as pessoas, estendê-lo, ficamos assim - autores de empréstimo - quando a pessoa gosta também. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Vamos circular os bons livros, vamos? Sempre fui assim. E hoje olho minha estante: onde está minha coleção completa de Machado, os romances que adoro, onde estão Woolf, Flaubert, Hemingway, Fitzgerald, Dostoiewsky, Borges, Cortázar ( só ficou &lt;em&gt;Cronópios e famas&lt;/em&gt;, mas e o &lt;em&gt;Jogo da Amarelinha&lt;/em&gt;? ), Drummond ( 4 ao menos ), um do Luchesi autografado ( e ele profetizou: um dia vou encontrar em um sebo ) e o barroco A &lt;em&gt;Cachoeira das Eras &lt;/em&gt;de Carlos Emilio Correa Lima? Deve ter sido a mesma pessoa que levou o &lt;em&gt;Jardim Brasil: conto&lt;/em&gt; do meu amigo Ronaldo Lima Lins, que eu nunca consegui avançar porque uma personagem tinha três possíveis nomes, autografado também. Ronaldo devia escrever mais.&lt;br /&gt;Pior: &lt;em&gt;Pedaço de Santo,&lt;/em&gt; do Godofredo O. Neto, que eu revisei. E dois da coleção Crônicas da Cecília que fiz toda a revisão ortográfica, quando o projeto estava com a Lamego, e nem com crédito fiquei? Não sei mais onde estão. Eu não sei onde foram parar.&lt;br /&gt;Sei que Machado foi para a irmã de uma ex-amiga que tinha sofrido um acidente e estava destinada a ficar presa por meses na cama – e Machado foi para lá em peso, para socorrê-la da inércia e do tédio. Mas isso foi há sete encarnações, e como o bruxo atravessa os tempos ficou apenas sua ausência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Sei que Virginia Wolff, Wilde, Proust e Borges foram em direção a um amigo produtor musical que se mudou para Santa Tereza quando de lá eu saía – também acidente e imobilidade o motivo do empréstimo. Nosso amigo em comum, publicitário, achou a idéia genial. Pois é. Poxa, ele vai ficar feliz com isso, falou daquele jeito libriano. Deve ter ficado. Nunca mais o vi, pois quando fui a sua casa na montanha, e acordei com um cara cortando uma mangueira jovem, fiz um escândalo geral – eu sou assim, o que posso fazer? Ah não, minto, o encontrei de raspão numa roda imensa de capoeira na Glória, mas eu estava falando agachado com a mãe Beata de Yemoja ( me disseram que é assim que se escreve ), que comandava a festa – não ia ter coragem também para me levantar e tocar em assunto tão delicado. Sair do entorno da sacerdotisa para relembrar os livros, não cabia. E ela me falava sobre coisas tão agradáveis.&lt;br /&gt;Eles se foram, os amigos, conhecidos, e ficaram com os livros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Depois de um certo tempo emprestado, o livro não mais nos pertence, torna-se um incômodo abissal lembrar-se dele – como se fosse uma agressão desnecessária, a pessoa torce o nariz, muda de assunto ou corta de vez o ralo contato. É um ultaje reivindicá-los. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Falei com a ex-esposa do psicanalista que levara &lt;em&gt;Paris é uma festa&lt;/em&gt; e ela me olhou rija, como se eu invadisse a sua casa com essa lembrança. Naja. Disse que ia dar uma olhada, porque as coisas do marido não estavam há muito por lá, ainda bem que peguei antes &lt;em&gt;Shiva e Dionísio&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Uma afronta, uma falta de educação, pior que dinheiro emprestado, é essa cobrança amena do livro que foi gentilmente emprestado. Fiquei com Joyce do meu elétrico amigo Prata, mas ele me pediu para guardar porque tinha ficado sem casa fixa, estava desovando tudo na Berinjela mesmo e eu intercedi por eles, estou também com &lt;em&gt;Tristan Shandy&lt;/em&gt;, o Sthendal é meu, ele sempre confunde. Fiquei com um &lt;em&gt;Zaratustra&lt;/em&gt; da Marcela, e sempre que vejo seu nome na primeira página digo: tenho que devolver esse livro para minha amiga, a pessoa mais ética e nobre que conheço. Tenho também um Pessoa de Barino, mas ele ficou com &lt;em&gt;A máscara de Apolo&lt;/em&gt;, foi uma espécie de troca. E resultou em algo mágico: li muitos poemas para Jaine, na rede, que infelizmente perdeu a visão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;E tenho um Barthes do R., mas ele me deve muito mais coisas que um Barthes, que não é peça de troca. Quantas vezes disse a ele para não ter surtos esquizofrênicos nas ruas porque as pessoas não gostam? Quantas vezes eu disse que a sociedade repudia as esquisitices? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Fui obrigado a brigar com sua família para soltá-lo do hospício abandonado do Estado, e isso me custou uma vaga numa federal, que a banca não perdoou meu currículo assim acoplado às pressas, o professor da USP ficou até constrangido – ele disse – com tal desleixo e que a academia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;( mas isso foi principalmente por causa dos cursos das faculdades do general e do senador biônico, que não gostam de dar declarações, porque dizem que os professores fazem mau uso delas, e tive que levar os convites soltos para o currículo ). Ufa. Êta novelinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;Esse pessoal da USP é muito.&lt;br /&gt;Falando nisso, fiquei com &lt;em&gt;Il Fuoco&lt;/em&gt; da Paola, pensava ser dela, mas descobri que era da Maria, de qualquer forma a Paola, bem, ela foi uma Foscarina, uma fogueira na minha vida.&lt;br /&gt;Depois de distribuir meu livro de contos para algumas pessoas – &lt;em&gt;Jean e os Bruxos&lt;/em&gt;, comecei a recolhê-los, foi uma decisão dita branda, no entanto. Foi um livro lançado para me livrar dos textos, ainda não existiam blogs. É um livro estranho, às vezes chato, com erros grosseiros, às vezes releio no banheiro. Tem coisas boas também que que há? A última vez que pensei em relançá-lo foi para o Gerald, que sabe ler longe, mas nos desencontramos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;De algumas pessoas não consegui resgatá-lo, queria pegar de volta com Carlito ( mas ele com seu apostolado do rigor – deve nem ter lido e largado em alguma mesa da Leiteria Mineira), nem o intelectual federal que discursa belezas, mas escreve reto. Eu lembro que era um intelectual emprestado de outra faculdade e que mandava ver na crítica, mas não me recordo seu nome. Eu não fiquei com receio da crítica dos cadernos porque ela só resenha a pedidos e a editora era fraca, quase caseira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#333333;"&gt;De Bárbara eu peguei de volta, e ela ficou muito irritada, até escreveu abaixo do autógrafo outro texto me espinafrando. Me arrependo de ter terminado com Virgo antes de tê-lo tirado de suas mãos – ela é da linha da Ana Cristina e do Leminski. Uma linha e tanto. Eu, desalinhado, nunca entendi nada também dos concretos, mas tem aqui &lt;em&gt;crisantemo no espaço curvo nasce um&lt;/em&gt; de Haroldo de Campos, São Paulo: Perspectiva, 1998. Poesia Brasileira 1. Título 374 páginas!&lt;br /&gt;Será que as pessoas que ficaram com meus mais de 60 livros pensam assim: tenho que devolver esses livros ao Alan? Viviane devolveu a Lygia porque me lembrou, veio por correio ( mas tive que barganhar fotos de sua família mineira tiradas na minha máquina para lembrá-la da lembrança, tipo uma brincadeirinha, e lá veio Antes do baile verde me reencontrar ) intacto.&lt;br /&gt;Mas a irmã de minha ex-amiga passou trotando por mim, bonitona que só ela, e soltou um oi ao vento, esse oi foi como um cadeado sem chaves para a volta de Machado e Lélio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1243288205158375641?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1243288205158375641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1243288205158375641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/livros-saudades.html' title='Ficou com quem mesmo?'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5273999515528959746</id><published>2009-05-14T12:06:00.004-03:00</published><updated>2009-05-14T13:14:52.070-03:00</updated><title type='text'>Vou falar um dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vou falar um dia sobre o lixo. Falar que eu tomo um cuidado danado para que a casca da cebola não se misture com a casca da manteiga e tudo vai para plásticos! Separados. Falar que o lixo seco e o orgânico descem juntos e que o lixeiro sem perceber lança tudo no caminhão-caçamba, que gira e digere todos aqueles plásticos recheados. Para onde irão, assim, misturados? Falar que é incrível que medidas simples, como dias alternados para recolher recicláveis e orgânicos e criação de usinas etc, nada ou muito pouco. Como estamos atrasados nisso. Na Alemanha, no século passado, só para vidros eles tinham quatro galões, vidros brancos, marrons, verdes e sei lá, azuis? Aqui a casca de cebola vai sobrevoar na ventania a montanha de plástico. Nos supermercados eles colocam para uma compra média uns trinta sacos de plástico – quanto plástico! Para onde vai isso tudo? Eis. Sacos Plásticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou falar um dia que a abertura de minha oficina no CCSP ontem foi muito agradável, apesar da pretensa tensão – e nenhuma pretensão – da abertura. Abri com Graciliano Ramos: um capítulo de Vidas Secas. Como é bom ler Graciliano fora das análises críticas, ver que trata-se também não de um autor-seco ou contido ou cerebral, mas de um autor que sabe criar imagens como poucos e, por construções sofisticadas e únicas, poeta, arrebata o leitor de literatura. Perceber o que está escrito sem o compromisso de uma análise que foque isso ou aquilo. Deixar que Graciliano se revele.&lt;br /&gt;E a turma, gostei. Vamos ver se criaremos crônicas nessa mesma despretensiosa intenção: escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5273999515528959746?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5273999515528959746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5273999515528959746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/vou-falar-um-dia.html' title='Vou falar um dia'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-4738336680310614390</id><published>2009-05-07T14:56:00.004-03:00</published><updated>2009-05-07T15:15:12.749-03:00</updated><title type='text'>Eles decidem o que é melhor: para eles</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A reforma política que se pretende fazer a toque de caixa no Congresso Nacional vai certamente enfraquecer a participação do eleitorado brasileiro.&lt;br /&gt;Financiamento público de campanhas e lista fechada para a eleição representariam um suposto fortalecimento dos partidos, é verdade, mas representariam também, e principalmente, um retrocesso no processo democrático. Criando listas dentro dos partidos teremos definido o poderio das personalidades e caciques de um partido em detrimento de alguma liderança nova ou independente. Somente os aliados dos chefões terão a chance de eleição, o que, convenhamos, na situação em que se encontra a política brasileira é uma verdadeira lástima. Financiamento público – com dinheiro retirado do orçamento – justificando-se com a proibição de capital privado nas campanhas, o que ocasionava dentre outras coisas, o processo de caixa dois. Ou seja: para não haver mais ilegalidade na arrecadação, o Estado banca a eleição. Com isso cria-se a expectativa de que todos os problemas serão sanados. Não haverá mais candidato de moral nem passado duvidosos – uma vez que haverá uma escolha prévia e interna, e nem haverá mais desvio de verba ou sobra de campanha, e nem mesmo comprometimento de uma candidatura com uma empresa, empreiteira ou indústria.&lt;br /&gt;Muda-se a regra e o caráter muda com ela? Há algo de ingênuo nisso aí.&lt;br /&gt;Mas, e se fosse o inverso? E se o candidato mais votado fosse eleito, eliminando-se a tal da proporcionalidade, e se o financiamento das campanhas se restringisse somente a doações de pessoas físicas? Incluindo-se aí candidatos independentes, sem partido. E se houvesse, com isso, uma fiscalização muito mais rigorosa? O TSE não está retirando governadores eleitos dos seus postos por abuso de poder econômico e outras ilegalidades? Verdade que empossa os perdedores, o que pela lógica seria um erro, mas demonstra ao menos um rigor na fiscalização do processo eleitoral&lt;br /&gt;Penso que seria um caminho mais próximo de um processo democrático, com a sociedade se envolvendo na eleição e não posta à margem como se insinua essa proposta dos partidos no Congresso.&lt;br /&gt;Haverá um debate na sociedade? Parece que não. Os congressistas irão decidir o melhor caminho para a reeleição deles mesmos. Há algo malicioso nisso aí.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Estão convidando para se votar nulo? Eu aceito.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-4738336680310614390?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4738336680310614390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/4738336680310614390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/eles-decidem-o-que-e-melhor-para-eles.html' title='Eles decidem o que é melhor: para eles'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5667846627772477272</id><published>2009-05-06T13:28:00.005-03:00</published><updated>2009-05-06T14:15:47.858-03:00</updated><title type='text'>Por mais distante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou de saco cheio dessa propagação da ruína do Planeta. Agora insistem em um planeta imenso que vai detonar tudo. Antes era um meteoro. Antes, ainda, o eixo ia entrar em crise e virar a Terra como uma bacia, tudo com data para acontecer. Antes era 1997, depois 2000, agora 2012 – por causa do calendário Maia. Ou seja: dizimam as civilizações nas invasões e depois utilizam seus calendários.&lt;br /&gt;E pestes antecipadas – gripes suínas-humanas – que são, não são, letais. As pessoas com máscaras – focinhos?&lt;br /&gt;O Armagedon dos que dizem escolher o além à vida terrena. Ora bolas, se uma pessoa não consegue ver o divino a seus pés e a seu redor, vai achá-lo nas estrelas?&lt;br /&gt;Um dia, num camping, vi isso claramente. Gnósticos afoitos buscavam a constelação de Órion e se emocionavam com o resultado da boa imagem que o telescópio lhes fornecia. Comentavam sobre luzes que cruzavam, belíssimas, os céus das Minas Gerais.&lt;br /&gt;Pela manhã vi, estarrecido, que uma boa quantidade de flores sutis, quase uma haste invisível a olhos crus, ficaram pisoteadas pelos adoradores do além. Moraram na filosofia?&lt;br /&gt;Outra moda nas religiões é a propagação de outra morte: a do ego. Falam isso como se fosse um novo e revigorante dogma. Realmente, o planeta destruidor vem em nossa direção por causa do nosso ego. Erro pelo ego. Erro porque existo.&lt;br /&gt;Que tal ir para a rua em massa e gritar pela Amazônia definitivamente? Pela despoluição radical, não consumindo mais nada que interfira na vida do Planeta Terra. Gritar também contra os que brincam de deus e movimentam a vida de acordo com o lucro. E leve o ego consigo.&lt;br /&gt;O que nos detona também é não aceitar que o outro não pense como nós, e se o Deus maiúsculo não nos punir pela indiferença, não tem problema: seus seguidores o farão. Os seguidores agirão da maneira que for necessária para você se submeter, desde a excomunhão, lançando-nos numa fogueira metafísica, até uma explosão básica, pulverizando nosso corpo ímpio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é estranho que uma terra chamada santa só tenha martírios?&lt;br /&gt;Estou com o profeta sem morada: um copo de vinho preferido é melhor que muitas virtudes. Adoram o além, e quem fica para limpar essa nódoa que o homem medroso joga sobre sua própria morada? Modificam o pensamento, mas continuam entupindo as ruas com suas carangas novinhas. Reclamam da vibração planetária, mas sequer conseguem resistir a uma pedaço sangrento de carne ou a varrer suas calçadas com a mangueira – centenas de litro d´água para limpar poeiras.&lt;br /&gt;Gente estranha, quando buscam ascensão acabam por querer tacar fogo no que não conseguiram desfrutar.&lt;br /&gt;Uma manga rosa pode ter a doçura de um salmo.&lt;br /&gt;Psicologia de botequim? Pode ser. Prefiro muitas vezes um botequim do que um templo onde se compra o paraíso – e ele quase sempre é vendido pelo aval do medo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5667846627772477272?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5667846627772477272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5667846627772477272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/05/por-mais-distante.html' title='Por mais distante'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-9212384699256021266</id><published>2009-04-22T23:57:00.009-03:00</published><updated>2009-04-24T14:21:08.930-03:00</updated><title type='text'>Depois de ler o Mau, precisava dessa blogagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, aqui é blog, e às vezes linguagem de blog. Eu não sei bem o que é isso. Também não sei responder a críticas, leitores sempre entendem mais. Saio escrevendo quando dá vontade, por isso abri esse blog, e, já disse, é rápido. Linguagem de blog se é algo próximo de diário, tô fora. Meu diário está guardado – e ainda impublicável. Mas vou tentar a tal linguagem.&lt;br /&gt;Só sei que não sou do tédio e do sofrimento. Solar, uma vez disseram: você é solar. É verdade, sempre fui, em qualquer ocasião lanço minha energia no que desejo, mesmo que seja algo insignificante. Criptonita pra mim é gente com tédio ou enfraquecida. Li que meu odu – dei uma espiada num site desses – não admite que eu fique perto de pessoas frágeis. Eu tinha uma amiga assim: era ela se encostar numa mesa de bar e começar o rosário de dúvidas e sofrimentos existenciais que eu logo ia ficando mole, acabado. Depois descobri com um xamã que ela era uma vampira, sugava minhas energias. Ele viu nas brasas das pedras. Com certeza ia para casa limpando os dentes enquanto eu desabava no sofá, detonado. Nunca mais a vi, sempre que ela marcava alguma coisa eu dizia que ia, mas furava ( que é a maneira carioca de dizer: não quero mais te ver ).&lt;br /&gt;Ele fez lá uns rituais comigo na mata a preço módico e tive três dias de pesadelos ( já estava avisado que os pesadelos seriam a expulsão da vampiragem ). Um ritual gostei. Era olhar para cima e tentar ver o céu na mata densa até que uma ave de rapina gritasse à direita. Aquilo foi uma limpeza. Mas só fiz uma vez. Hoje estou com a chama violeta, ritual pós-tudo individual esotérico. Difícil é mentalizar a chama – só consegui três vezes, mas é uma chacoalhada geral quando é visualizada. Portanto, nem me venham com xororô, não me enviem essa moléstia que chamo logo a chama.&lt;br /&gt;O que vale mesmo é a estrada, e a minha está cada vez mais cheia de atalhos. Se vejo alguém esperando Godot, dou meia volta. Se ouço alguém falar de doença no metrô, olho na cara da pessoa e me afasto. Se há alguma matéria sobre catástrofe, lanço fora o jornal. Se sou pego por bate-boca de magistrados na tv e não desligo - aí sou mais o que tem mais melanina. Também não sou capanga pra branquinho vir falando comigo assim não, quequié? Estou ficando cada vez mais superficial, esse é o caso. Porque a densidade do mundo é criptonítica. Esse que falou que eu era solar era um calabrês. Que engraçado. Estava em Bologna num castelo alugado por estudantes. E esse calabrês fez um prato típico para mim e meu amigo na época, diplomata hoje. Como sou distraído com ataques, nem percebi que ele não comia o que nos ofertava. Era um frango com tanta pimenta, mas tanta, que o acarajé mais quente tornava-se um bolinho insosso. Para não deixá-lo em situação constrangedora, pois era um prato oferecido com preâmbulo de típico, de mamma, de nonna, comi. As lágrimas saíam e eu as secava, disfarçando com o guardanapo. Anos depois é que percebi que seu olhar de curiosidade não estava ligado ao meu interesse na sua culinária, mas ao ato vil de confronto com um brasileiro solar. Aquele calabrês tinha ciúme da minha solaridade e da minha feijoada para 40 pessoas - sucesso, mesmo queimada. Ele chamou de prato pesado, agora me lembrei. Ele - poxa, agora lembrei de tudo aqui, on line. Tim tim por tim tim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Calabrês demente, onde quer que você esteja: em sua vila na Calábria, apinhado de filhos na Sicília ou liberando a franga na Vêneto, sua pimenta para mim foi refresco. Seu castelo foi uma aventura, dormi na sua cama de mogno no ano novo - derramei sangria sem querer na colcha de renda de crochê que sua nonna te deu, e que a bailarina bergamasca tentou lavar, piorando a situação. E foi nela que me deram o narguilê para uma puxada só. O castelo teve a porta quebrada pelo amor negado, não a mim, mas a meu amigo, hoje diplomata ( o mesmo que comigo brigou no bar com chão de areia na tediosa Berlim porque eu queria escapar daquela terra cinza e deprimente). Calabrês bocó, você nem sabe que eu emprestei minha blusa de lã natural para o veneziano fazer o teste na peça – e ele me homenageou ( porque entrou para o elenco ) com feijão azuchi com alga kombu – delícia. Foi dois dias antes de irmos a Siena, para sermos abandonados na praça pelo professor que nos convidara para emplacarmos o projeto do Glauber. Sim, uma história e tanto: após acertar tudo conosco, por pressão não sei, sei sim, de quem, o professor de cinema tremelento nos convidou para um vinho amoroso na praça gelada para nos desconvidar! Mal podia falar, estava constrito. E, para variar, não senti o golpe na hora. Eu não creditei verdade no absurdo ato do acadêmico. Nem ele acreditava no que dizia. Povero uomo.&lt;br /&gt;Tremia para dizer-nos que não poderia levar o projeto à frente, pois o banco estava falindo, ahahah, depois de quatro reuniões em Copacabana, de termos ligado de Bologna cinco dias antes e gasto toda a grana da produtora na viagem. E meu amigo, hoje diplomata, dizia, é o que ele está falando mesmo? Esse desgraçado está falando isso mesmo Alan? Ele não fala inglês, esse italiano pra dentro, não estou entendendo nada, é isso mesmo cazzo? Ahahah. Foi uma história e tanto – e está em meu diário. Os textos, tadinhos, encadernados e divididos para os seminários, esquecemos na estação inóspita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Calabrês da pimenta, não sei porque fui me lembrar de você e dessas histórias de uma quinzena de anos. Ah, foi por causa do solar. E porque passei lá no Mau, ele se parece com Wilde. Sim. Solar eu. Nada de vingança calabrês, eu faço a chama violeta, não violenta, hai capito scemo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Taí, gostei dessa tal linguagem de blog. Essa blogagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-9212384699256021266?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/9212384699256021266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/9212384699256021266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/depois-de-ler-o-mau-precisava-dessa.html' title='Depois de ler o Mau, precisava dessa blogagem'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-6496035734848495079</id><published>2009-04-20T12:03:00.009-03:00</published><updated>2009-04-20T22:33:54.807-03:00</updated><title type='text'>Vida longa a Obama!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dentro da ação virtual possível apoiei Obama. Fiz campanha mental e até textos enviei para a campanha, em uma garrafa de bits num mar agitado. Não vou dizer que enviei um discurso da posse para seu coordenador, em inglês de rede, e que fiquei paralisado quando ele leu algo próximo, boa parte do mundo pensava igual. Delírio? Pode ser. O mundo virtual é feito de delírios e acessos.&lt;br /&gt;Se eu pudesse teria batido na porta dupla do rancho do tiozinho armado, no Texas, e tentaria convencê-lo a votar em Obama. Teria ido a Michigan ou ao Alaska colocando cartazes de sua campanha. Já pensou se a outra chapa ganhasse? Um monolito na mente do mundo. Não ia dar.&lt;br /&gt;Parecia a febre de minha primeira juventude quando apoiava candidatos - Gabeira 86, por exemplo, os outros prefiro esquecer. Foi um erro geral.&lt;br /&gt;Senti o que o mundo sentiu: com Obama iniciamos mesmo uma nova era.&lt;br /&gt;Por isso me irrito quando leio por aqui, e pelo mundo, análises sobre o governo que mal se iniciou. Ontem li no Corriere uns cablocos falando que ele parece Berlusca. Mamma mia. Diziam lá que ele afirma que vai mudar tal coisa, depois dá três passos pra trás. Falavam do Irã ( é preciso grandeza para fazer o que fez Obama ) ou estavam falando de Cuba? Ora, xongas, Cuba já disse que discute qualquer coisa com Obama, mas não está na hora de Cuba sofrer sua reviravolta? Que raio de revolução é essa que se estagnou? Não há como conceber um sistema onde a liberdade individual esteja cerceada por burocratas. O povo cubano é maior que isso, e se no passado os revolucionários passaram fogo em quem não acreditava na causa – o que é algo repugnante em qualquer época – chegou a hora de confrontarem a nova realidade: não há mais chance de Cuba sustentar esse regime, ele está empalhado, ficou no passado, diluiu-se. Que Cuba agradeça a Obama a chance de desfazer essa atmosfera romântica de que na Ilha criou-se o socialismo. E aja rapidinho, liberte seus prisioneiros políticos, abra para eleições gerais e assuma o que já existe: os cubanos vão reconstruir suas vidas, a despeito de lideranças uniformizadas e discursos fossilizados. Fidel deveria fazer isso ainda em vida: imagine se quando ele chegar no céu de Lênin e perceber que só estavam esperando ele largar a ilha para tudo se revolucionar de fato. A vida é movimento, comandante, e ninguém tem o poder de detê-la. Ninguém mesmo.&lt;br /&gt;Nessa cúpula das Américas Obama foi bem elegante com as provocações. Desde o livro do Galeano doado por Chaves ( que alertava para a exploração e o belicismo da América do Norte com Bush, mas nunca deixou de vender um balde de petróleo a eles: por que não criou um embargo venezuelano? ) ao aviso que os EUA teriam um plano de assassinato – por Morales ( que aos poucos vai perceber que é mais usado por companheiros presidentes que atingido pelo branco de olhos azuis escalpelado pela realidade ). Um, cheio de petróleo, outro, cheio de gás, outro de soja, gado, frutas, ouro e tudo o mais, e os índices de miserabilidade lá no alto. Dizer o quê? Afinal, que impedimento há para que o povo viva bem por aqui? É ainda o Consenso de Whashington? Ou seriam os desvios, a cultura do apadrinhamento, o jogo jogado do poder local? A cultura do salvador da pátria da vez?&lt;br /&gt;Eu não sei se Obama já tinha lido o livro, mas uma coisa é certa: aqui, na América Latina quando não há exploração internacional e ditadores plantados, como na década de setenta, há exploração doméstica e ditadores democráticos. Querem rever toda a história? Bom momento. Comecem por desmontar messianismos, auto-idolatria e cerceamento das oposições. Não é sustentando a imagem do explorador estrangeiro, e se fortalecer para as massas com esse discurso, que se cria um novo continente. Isso só nos trouxe moléstias.&lt;br /&gt;Um líder tem que ter a grandeza de revelar erros, de anunciar que precisa de atuações em conjunto. Tem que suportar a fúria da vaidade do seu ego e redesenhar os caminhos. Tem que ter a coragem em ser honesto. Obama tem isso: sabe que os desafios produzirão novos pensamentos e ações dignas. E a transparência do seu caráter está nisso, nessa força em avaliar que o mundo é um processo, e que o estabelecido, o tacanho e o pequeno precisam ser afastados – numa ação revolucionária de verdade.&lt;br /&gt;Vida longa a Obama!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-6496035734848495079?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6496035734848495079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/6496035734848495079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/vida-longa-obama.html' title='Vida longa a Obama!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1554077271091776443</id><published>2009-04-12T18:06:00.008-03:00</published><updated>2009-04-13T13:06:53.180-03:00</updated><title type='text'>O mar que ninguém entra</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O mar da prainha branca não deixou ninguém entrar. Ele invadiu o que quis: campings, bares, casas. Falaram que não ocorria há três anos tamanha ressaca. Não vi como ressaca, mas MAR. Cada vez mais para trás assistíamos ao avanço das ondas pesadas espalhando-se, tragando e afastando tudo. O mar recuava, tomando galeio. Lá vinha a onda-mãe, e correria... Não poderia haver comentários, somente olhares exaltados, risos nervosos.&lt;br /&gt;O soco das ondas multiplicava o prata, aumentado com o luar. A lua mostrava, móvel, as grossas linhas pratas. E o spot da lua nos trazia a água, tão rápida, é que ficávamos encantados com a luz.&lt;br /&gt;Irlandeses lights - wiccans ? - passavam na contramão, rindo no esforço com a areia colada, achando corriqueiro, wiccans dominam assim? O olhar da irlandesa me viu. Falei com as mãos: &lt;em&gt;sai daí, o mar está levando&lt;/em&gt;. Ela dançou agarrada por uma corda de vegetação. E o cabelo ruivo faiscava acendendo seus movimentos. Os irlandeses comemoravam a vegetação que os ancorava na puxada das ondas. Se mostravam, únicos, na beira da praia ( nem um caiçara para espiar de perto, para honrar ). Será que eles trouxeram esse Poseidon, ou seria Lir? A alegria deles revelava êxtase. Esse mar não tinha nada de Iemanjá.&lt;br /&gt;Tudo no vento leste, o mar soberano, sobrando. Eu vi. Um casal tropeça na onda que ultrapassa o muro – embevecidos (a noite promete). Outros casais se formavam sem querer, perfilados.&lt;br /&gt;Era para além da luz que vinha o mar possante. Nada de linha do horizonte, o mar vinha do fundo. De onde antes era precipício. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Parados nas encostas, nas entradas de campings e bares, paralisados, esperávamos.&lt;br /&gt;Era uma espera de torcida secreta para que as ondas, cada vez maiores, nos alcançassem para onde quer que fingíssemos fugir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1554077271091776443?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1554077271091776443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1554077271091776443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/o-mar-quando-quer-ninguem-entra.html' title='O mar que ninguém entra'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3340335876016386352</id><published>2009-04-09T13:38:00.010-03:00</published><updated>2009-04-09T14:47:09.040-03:00</updated><title type='text'>O calvário da Paixão</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ainda sinto o peso que a cidade de Roma me trazia. Mesmo com sua beleza desenhada pelos mármores, havia algo naquela cidade que não batia comigo. Seria a plêiade de eguns que circulavam nos monumentos esfarelados? Tudo era pesado: os contatos, as pessoas que dividiam casa ou pesquisa, as festas e passeios. O apartamento ficava perto do Coliseu, anfiteatro Flavius. Na semana santa, que eu tentava em vão ignorar, o Vaticano fez a Paixão de Cristo no próprio Coliseu numa demonstração clara de vitória do tempo, na arrogância humilde dos cristãos. Uma enorme cruz mapeava o centro do Coliseu e uma frase tipo “vencemos” explicava o porquê de estar-se realizando ali a liturgia, a Paixão de Jesus lá no Oriente Médio. Eu nunca entendi bem o porquê Paixão e também por que não se deslocava o Papa e seu colégio de cardeais para o local específico, para Jerusalém e cercanias. Não, Roma é a capital do cristianismo, e apesar de ter a chuva de areia e sacerdotes aos montes, estava bem longe do cenário, mas não do poder da religião, pois foi ali que Pedro edificara a igreja. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O engarrafamento ia monstro, e a procissão escoava lenta para o espaço em que tantas e tantas vidas tinham se perdido no enfrentamento com o império, antes da redenção deste. Por isso aquele simbolismo vermelho e dourado, aquele cheiro de mirra e flores, aquele ar de glória. Eu via aquilo tudo com uma indiferença domada. Era como se fosse um jogo do botafogo com o fluminense, não havia interesse, apenas era obrigado a presenciar porque me metera desgraçadamente em um ônibus - o metrô estava impraticável - e o motorista se recusava a abrir a porta antes do ponto. Quando finalmente ele abriu, mais por insistência dos peregrinos que já ameaçavam sair pela janela, me vi jogado em meio à multidão silenciosa. Um arrepio estranho me passou pela nuca e pude observar, mesmo que a contragosto, que as pessoas choravam baixinho a morte do avatar pelos romanos assassinos. Nossa senhora, como é complicado assumir tranqüilidade quando não se consegue caminhar, e, pior, quando se está à força sendo arrastado para um evento que não te interessa. Não era Jesus quem estava ali na grande cruz, mas a humanidade pecadora. Não era ele quem falava, mas João Paulo II. Saí de esguelha, fingindo estar correndo para o banheiro químico e consegui algum espaço para me reequilibrar. Velhas senhoras de preto, emperequetadas de morte, soltavam a voz no acompanhamento da grande voz que vinha lá de dentro. Um grande leão devorava o maior defensor dos humildes e os humildes e puros de coração respondiam ensaiados os lamentos. Vi que se pulasse os cabos de alta tensão alcançaria a outra rua e, numa quebrada, rumaria em paz para casa. Foi o que fiz, apesar do cerco dos guardas não entendendo como que eu me esforçava para me desvencilhar do magno evento. Estava meio pirado já, tenho claustrofobia, e respondi apressado: sou de Xangô, não posso com rituais de morte...Volto na Páscoa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3340335876016386352?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3340335876016386352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3340335876016386352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/semana-santa_09.html' title='O calvário da Paixão'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-988823629483380046</id><published>2009-04-06T22:30:00.010-03:00</published><updated>2009-04-07T14:00:16.984-03:00</updated><title type='text'>Escrevo sem ensaio</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Me ensinaram para não escrever nada assim direto. Escolher palavras, o tom, o ritmo e muitos etcs. Me disseram que mesmo para parecer algo espontâneo é preciso algo burilado. Sempre achei estranho isso. Mas são escritores profissionais que me explicaram, em ocasiões as mais diversas. Como não acreditar neles? " Nunca confie em sua imaginação, e trave seus dedos. Há um perigo em se publicar algo sem trancafiá-lo ao menos por meses na gaveta. Reescreva tudo, dê uma limada geral. Às vezes não fica nada, melhor assim." Escrever seria então esse processo complexo, perturbado, quase imaginário. Pois é, mas agora estou fazendo tudo ao contrário, escrevo direto no blog, e se mudar só mudo acento, que ainda estou zonzo e preguiçoso para decorar como é que ficou todo esse novo estojo de regras. E ia escrever sobre manipulação de sentimentos na tv, mas acabei esquecendo mesmo do que se tratava. Ah, era algo relacionado à exploração de imagens ou de verdades. Fiquei preocupado em explicar que escrevia direto no blog, mas esse blog - agora com mais de 500 leitores, graças ao Gerald que linkou assim do nada, ficou solto, e estou intoxicado por assuntos políticos, escândalos e estratégias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Gerald Thomas que é um cara absurdamente humano e genial ao mesmo tempo. Parece um príncipe cigano inglês, um lord errante que anota mais nada, apenas ri. E noves fora, um dramaturgo que não precisa elaborar mais nada, pois já está tudo ali, à sua frente. Fui ao ensaio da sua blognovela e a cena das meninas se atirando contra a parede, uma cena tão ariana, tão atual, não ficou. Parecia que o sólido ia se render ao insistente ritmo frio das personagens.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fiquei em meio aquela exibição perplexo ao vê-lo diante dos atores, ou ao lado, fazendo a cena descer do nada, descer a personagem de um jeito técnico candomblaico. Um rigor despojado.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Agora esse blog não consegue ver os leitores e nem há comentários, então o blog acaba escrevendo para si mesmo, como se fosse um riso para os que acham escrever algo tão complexo como desenhar a imagem. Bobagens, as palavras estão aí, disponíveis, doidas para serem usadas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E o blog tem um botão - rascunho - que congela o texto, se o leitor oficial entrar com olhos mais de amigos que escrevem reescrevem resenham cortam alinhavam jogam fora restauram e nunca publicam até que o crítico da mesa ao lado lhes diga: agora pode!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-988823629483380046?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/988823629483380046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/988823629483380046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/escrevo-sem-ensaio.html' title='Escrevo sem ensaio'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-981187384601997432</id><published>2009-04-03T00:05:00.006-03:00</published><updated>2009-04-03T14:50:45.231-03:00</updated><title type='text'>Que cúpula tenho eu?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No fundo, um elogio vale a rendição. Se um incipiente órgão detém ouro sem jazigas, comprado na troca de uma dívida duvidosa, se a história montou a farsa – repete-se. Se a roleta explodiu na hora do blefe chama-se de novo a banca e tudo passará a girar como manda o figurino. Não há impedimento para o suporte que se estabeleceu – e rega-se tudo a risos e elogios. A compensação e o sortilégio são os discursos dos que pavimentam um suposto novo. E o novo já nasce rendido, porque está submetido à tirania do óbvio, do ululante grito no mercado: fogo, fogo! Ajudem. Apaguem o fogo ateado pelos ébrios do lucro. Logo logo tudo volta a ser como dantes no mercado de Abrantes. E quem perdeu recupera o triplo, quem tem pouco colabora para conter o pânico e evitar o nada: somos chiques! Conserta-se o sistema, na cúpula decide-se o fim do paraíso, um dedo para tantos anéis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-981187384601997432?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/981187384601997432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/981187384601997432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/que-cupula-tenho-eu.html' title='Que cúpula tenho eu?'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8879799729948065547</id><published>2009-04-01T14:54:00.017-03:00</published><updated>2009-04-01T22:58:05.588-03:00</updated><title type='text'>Blog do Gerald me lembrou do Zé Celso</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Fui assistir ao espetáculo de José Celso Martinez e sua companhia Uzyna Uzona já com meio de século de atividades, no teatro Oficina: Os Bandidos. Foi em dezembro. E que espetáculo, e que companhia! As seis horas de espetáculo foram deslumbrantes. Transe geral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Lembro de As bacantes no teatro do Cais no Rio, de Ham-let no Oficina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Zé Celso e o Teatro Oficina é a revitalização da cultura, do pensamento, do tesão, da ritualística do teatro. Em um país como o Brasil em que Glauber Rocha, nosso cineasta-autor, nosso visionário, sempre foi um incômodo para a crítica e para o país, reverenciar Zé Celso é oxigenar nossos ares cada vez mais poluídos. Ao ver o documentário sobre Galuber, lembrei-me de Barthes: &lt;i&gt;a crítica não pode assinar o desejo da criação porque está condenada ao erro – à verdade. &lt;/i&gt;O&lt;i&gt; &lt;/i&gt;último documentário sobre ele e Terra em Transe, feito por sua filha Paloma, Anabasys mostra um pouco isso. É de arrepiar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Zé Celso é o ícone da resistência da banalização da vida, da arte no país. Que consiga vencer sua luta para ocupar toda a área vizinha ao Teatro Oficina e criar seu sonhado teatro de Estádio. Tivéssemos um governo razoável, em qualquer nível, estadual ou federal, todo o projeto do Teatro Oficina já teria sido apoiado. Vi no youtube a visita de Gil e até coloquei um comentário: não agüentei ouvir o ainda Ministro dizer que a cidade é quem deveria reivindicar o espaço do entorno ao Teatro e aderir à luta. Não há uma política pública para a cultura? Não se posicionam claramente os que deveriam indicar a multiplicação de atividades culturais, seus espaços, suas atividades. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Devo dizer que havia na peça muitos recursos tecnológicos absolutamente adaptados ao movimento magístico do teatro, mas havia também um assentamento para Ibejis, com outro a Dionisio bem ao lado do palco, na terra. Também uma chama trina acesa ( velas azul, amarela e rosa ) para a imagem de São Cosme e São Damião.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O espetáculo fala sobre o poderio financeiro, sobre resistência cultural, sobre tesão. Sobre a guerra travada com SS sobre o espaço ao lado. Alô Sílvio, vê se desencana e faz algo de nobre – o Oficina tem moral e ética para reivindicar o espaço. Embarque logo no AnhangaBaú da Feliz Cidade. Será mais que a porta da esperança, acredite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Mais que qualquer tema ou peça, o que sempre me impressiona na companhia de José Celso, e nele, é justamente o tesão, a religiosidade pagã e humana, algo como uma celebração contínua à vida. É o culto dionisíaco que sacode a rua do Oficina e quem lá estiver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Busco detalhes no excesso de espaços cênicos do Teatro Oficina. Em cima, embaixo, ao lado, no escuro, no claro, na banda, no iluminador, em todos, escondidos da cena ou não, há uma corrente, uma descarga elétrica de prazer, um contentamento com o teatro, uma celebração – um desdobramento para a rua, o teatro sai para a rua, vem dela, como na cena dos urubus. Pude observar que o iluminador, no escuro, repetia baixinho as falas, ou dançava, como se num transe. Tudo interligado pelo desejo, tudo numa perfeição. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:times new roman;" &gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Evoé Oficina, o Teatro vive.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8879799729948065547?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8879799729948065547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8879799729948065547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/04/gerald-me-lembrou-do-ze-celso.html' title='Blog do Gerald me lembrou do Zé Celso'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-795504683733921459</id><published>2009-03-30T17:06:00.008-03:00</published><updated>2009-03-30T18:24:42.073-03:00</updated><title type='text'>Dunga e Soneca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem ouvi pelas tevês vizinhas que o Brasil jogava. Liguei para conferir e, após ouvir inúmeras vezes o narrador reclamar que a seleção jogava como um time pequeno, num ímpeto, enviei uma pergunta para Falcão – na participação do internauta. Não foi lida pelo Galvão, também não era uma pergunta, mas uma constatação. Constatei que não adianta reclamar do futebol da seleção porque a característica de Dunga é exatamente essa. Essa é a escola do Parreira-Zagallo que venceu a Copa de 94 nos pênaltis. Basta os profissionais assistirem aos jogos da seleção de 94 e verificarem o que digo. A seleção não está jogando mal, ela está adequada ao estilo de jogo do técnico Dunga. Como jogador também ele cumpria essas determinações da escola do meio-campo defensivo, do jogo truncado, embolado, feio. Chamava-se futebol de resultados. E obteve os resultados. A gente via Raí jogando para o lado, Zinho girando em torno de si mesmo, Mazinho tocando também para os lados, enfim, era uma seleção dominada pelo estilo da retranca do meio-campo, na espera de um ataque ou contra-ataque para marcar um golzinho. Querer de Dunga algo diferente disso é de uma ingenuidade total. Ele segue seu estilo, e mesmo que a seleção faça algo diferente será excepcional: o jogo será esse porque é esse jogo que o técnico acredita e segue. Veja o que ele falou hoje, depois do resultado contra o Equador: "Foi um resultado normal." Normal. Conseguiu um ponto, é isso. Seleção show, ofensiva? Esquece, um time segue o esquema tático do técnico. É um time para ir galgando assim passo a passo, se um cardíaco assistir pode no máximo sofrer uma soneca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não posso criticar Dunga pensando em Scolari. São procedimentos muito diversos. Seria mais ou menos como se eu lesse Sant´anna esperando encontrar Drummond.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-795504683733921459?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/795504683733921459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/795504683733921459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/03/dunga-e-soneca.html' title='Dunga e Soneca'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3770631872642406989</id><published>2009-03-29T16:41:00.007-03:00</published><updated>2009-03-29T23:02:01.593-03:00</updated><title type='text'>As bençãos do sacerdote</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes de tudo quero agradecer ao Universo por você existir. Não sei bem como endereçar esse agradecimento, mas ele fica assim: uma memória antecipada de minha reverência. Quando você apareceu, apesar de ter sempre estado ali, ao lado, pude perceber o quanto tinha perdido tempo por ainda não tê-lo percebido. Você ensinou a todos sobre a natureza, quando amá-la e como amá-la. Sendo você um sacerdote, que generosamente concede seu corpo para as forças invisíveis se manifestarem, nem demonstrou de imediato seu porte altivo e seus gestos nobres. Acostumado com a visita de seres iluminados, também tornou-se um. Sua visão sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre a natureza, sobretudo sobre você, é algo acachapante. Sei que você tentou me indicar caminhos, que tentou me passar lições de disciplina e submissão, mas ainda sou muito pequeno para tais ensinamentos. Sua adoração pelo seus deus, sua vestimenta, seu porte indecifrável fulguram nas esquinas por onde passas. A própria rua recebe as bençãos de sua presença, de sua inadministrável conduta. A rua brilha mais quando você acorda. Seu olhar manso e sua voz marcada indicam que talvez você esteja próximo de acessorar um avatar. Seu auto-controle, sua precisão em abarcar as diferenças e transformá-las, todas, em uma única posição, revelam a grandeza que você busca esconder. E a capacidade que tem você em resumir todos os discursos, de ser o farol nesse cotidiano gestalt.&lt;br /&gt;Sei que não poderemos mais nos comunicar. Preferi esse afastamento por uma auto-punição mesmo. Eu não mereço tê-lo como próximo, e devo deixá-lo ser consumido pela esfera de luz que sobrevôa sua cabeça. Nem sei mais o que dizer. Talvez você parta logo do planeta, você não merece continuar nesse planeta confuso. É o que posso desejar, do fundo de minha alma confusa. E que você siga esse caminho de luz que incansavelmente tentou indicar, até mesmo para pessoas como eu, que não sou e nunca serei seu discípulo.&lt;br /&gt;É claro que vou te esquecer imediatamente, tenho essa natureza frágil, regada a esquecimento – sequer percebi que deram a ti um nome de imperador para fechar esse pacote perfeito que foi sua feitura. Tenha a certeza, no entanto, que muitos pensam como eu: desejam mesmo que você vá para seu lugar na Luz – apossar-se do que é seu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3770631872642406989?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3770631872642406989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3770631872642406989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/03/as-bencaos-do-sacerdote.html' title='As bençãos do sacerdote'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5769806825544103517</id><published>2009-03-20T11:53:00.010-03:00</published><updated>2009-03-20T19:23:33.201-03:00</updated><title type='text'>Armagedon de aquário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de longo e escaldante verão - aquecimento global mesmo - voltei, meus 7 leitores. Afastei-me da Rede Mundial de Computadores e aconteceu o quê ? Nada, não perdi nadinha. Estou zonzo com essa reforma ortográfica inútil que tira o trema, o acento de idéia e gruda algumas palavras, deformando-as. Para quê não sei até agora esse acordo insólito, alguém acha que escreverei ab-rupto? O português de Portugal continuará outra língua mesmo ( leia Saramago ), outro acto lingüístico, outra dicção. Poderemos escrever tranqüilidade até 2012.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro facto que noto é que a chatice tomou conta de tudo: crise financeira americana que se alastra por todo o planeta. Bem, fica claro que a globalização era isso em suma: dividir ônus se os especuladores perdessem na roleta. Somos a banca. A banca sempre perde nesse jogo. Mais não digo. Bobagem. Os caras dos mercados é que comandam o cotidiano do planeta, são eles que determinam a alegria ou a decepção das gentes, então ficamos assim. E as notícias outras, o austríaco maníaco, demoníaco, um vai e volta de violência da truculenta terra santa, mais o quê no plano internacional? Ah, a feitura de mais de um trilhão de dólares no forno FED para aquecer de novo a economia americana etc. Aqui no Brasil, Senado e seus ajustes éticos pelos Senadores de décadas, a candidata do presidente sem nenhum trejeito para o cargo, a oposição dando uma de nova na área, o Tribunal major reconhecendo que reserva indígena é dos índios, enfim, um tédio geral. Bem, tem o livro novo do Alberto Mussa: &lt;em&gt;meu destino é ser onça,&lt;/em&gt; que ainda não li. Meu colega da Letras pode apostar que luto, pouco mesmo, para que meu destino seja Mussa. Mussa é o cara que pulou os muros ressecados da academia e se encontrou com a literatura no jardim. E escreve.&lt;br /&gt;Falaram que estávamos já no Armagedon , o comando final do mal que enfrentará os anjos de trombeta. Uma movimentação nos céus. Nada, apenas tédio e repetição enfadonha de ações sem potência. Tivemos, no entanto, o episódio do asteróde que passou de raspão no planeta no dia 02 de março e quase niguém falou sobre isso. Foi descoberto dois dias antes, que coisa, e parecia com o de 1908 que devastou 80 milhões de árvores. Mais que o agronegócio.&lt;br /&gt;Falaram que entramos na Era de Aquário, com tudo mais elegante e ações voltadas para o supra-sumo da sofisticação e respeito a todos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tá bom. Eu muitas vezes acho que voltamos mesmo à Idade Média, com excomunhão, fogueiras santas e detritos nas ruas, esgoto nos rios.&lt;br /&gt;Sei não, talvez uma Idade Média regada a tédio, onde o castelo seja o ap. de dois quartos financiado e a carroça o Uno Corsa Celta usado, em leasing, se arrastando pelas ruas alagadas e imundas.&lt;br /&gt;Voo perdeu o acento, enjoo também, como me mandaram nas tirinhas de Orlandeli.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ano começou hoje de manhã. Será o museu de grandes novidades? O tempo não paira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5769806825544103517?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5769806825544103517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5769806825544103517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/03/armagedon-de-aquario.html' title='Armagedon de aquário'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-2153211910582434438</id><published>2009-02-19T16:05:00.001-03:00</published><updated>2009-02-19T16:08:30.320-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2tmzuL5RI/AAAAAAAAAF0/5LFGfBd15do/s1600-h/450px-La_jeunesse_de_Bacchus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304586818342872338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 439px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2tmzuL5RI/AAAAAAAAAF0/5LFGfBd15do/s320/450px-La_jeunesse_de_Bacchus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Juventude de Baco, de William Bouguereau (1884)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-2153211910582434438?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2153211910582434438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/2153211910582434438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/juventude-de-baco-de-william-bouguereau.html' title=''/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2tmzuL5RI/AAAAAAAAAF0/5LFGfBd15do/s72-c/450px-La_jeunesse_de_Bacchus.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-7903746216669151725</id><published>2009-02-19T15:00:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T16:10:18.705-03:00</updated><title type='text'>Evoé!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2eR6xHMFI/AAAAAAAAAFs/Uru2vZkOZSE/s1600-h/Evo%C3%A9!!!.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304569966782525522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 219px; CURSOR: hand; HEIGHT: 343px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2eR6xHMFI/AAAAAAAAAFs/Uru2vZkOZSE/s320/Evo%C3%A9!!!.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Διόνυσος&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-7903746216669151725?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7903746216669151725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/7903746216669151725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/evoe_19.html' title='Evoé!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2eR6xHMFI/AAAAAAAAAFs/Uru2vZkOZSE/s72-c/Evo%C3%A9!!!.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5263788531417606991</id><published>2009-02-19T14:58:00.001-03:00</published><updated>2009-02-19T15:04:39.683-03:00</updated><title type='text'>Evoé!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2dzdikR-I/AAAAAAAAAFk/3iJpYEcSv8U/s1600-h/Baco+-+Caravaggio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304569443540813794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2dzdikR-I/AAAAAAAAAFk/3iJpYEcSv8U/s320/Baco+-+Caravaggio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                     Baco de Caravaggio&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5263788531417606991?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5263788531417606991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5263788531417606991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/evoe.html' title='Evoé!'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_frjIWxZoKLM/SZ2dzdikR-I/AAAAAAAAAFk/3iJpYEcSv8U/s72-c/Baco+-+Caravaggio.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5620123523413884760</id><published>2009-02-17T13:08:00.005-03:00</published><updated>2009-02-17T18:41:57.585-03:00</updated><title type='text'>Shekinah no vagão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui de trem, e não demorou muito. Um grupo de grandes jovens negros, becadíssimos, entrou no vagão surrado. Alguns usavam ternos, com gravatas apertando a goela. Outros, camisas de seda, de linho. Calças de brim e sapatos brilhando. Cinco guerreiros da fé petencostal. Como brilhavam naquele vagão povoado por gente simples e cansada! E também por crianças animadas com o passeio. Tentava ler algumas poesias de poetas contemporâneos que ficavam ainda mais enigmáticas - arrastadas - com minha costumeira exaustão matinal. O grupo estacionou ao meu lado, e até gostei porque um deles usava patcholi, que encobria o chiclete fedorento do garoto inquieto logo a meu lado. O trem riscava tanto o trilho que seus salmos lidos pululavam como faziam as antigas agulhas dos vinis arranhados, ou como os novíssimos sinais de poeira dos cds. Também gostei porque esse culto, que julgava ser relâmpago, justificava o abandono da poesia, e me dava o conforto dos que são conduzidos, tendo o grupo que ocupar o espaço cênico para dizer a que vinha. O mais exaltado era o rapaz de camisa de seda, magro, negríssimo, com uma cicatriz no rosto. Podíamos examiná-lo à vontade, porque ele, ao nos ameaçar com o fogo eterno, olhava em linha reta, para um acusado fixo e modelado na porta de passagem de um vagão para outro. Observei também que ninguém os olhava, e pude, com tranquilidade, observar atores e públicos. Ele com certeza estava mais fagueiro porque sua roupa permitia isso, desvinculado do terno e gravata. Ele começou devagar mas chamou atenção imediata quando pipocou pelo vagão geral informando às pessoas que aquela era a palavra de Deus, e que deviam agradecer por isso. Que era Deus quem escolhia seus filhos pecadores para ouvirem suas palavras, e não nós que escolhíamos se devíamos ouvi-LO ou não. Era uma ameaça aos que preferiam olhar para o piso encardido, ou se entregar ao cochilo. Ele mandava ver, estava na cara que estava com o espírito santo encostado. Eu já apreciava aquilo com uma atenção generosa. Era meu orgulho de professor que rompia a indiferença dos passageiros com seu discurso e prestava atenção. O que estava em pé a meu lado falava num lamento bonito, quase um blues: é verdade Jesus, Ó Jeová, Aleluia Deus, desça Shekinah. Aquilo, aquela combinação de aceleração do discurso do exaltado com o louvor dos outros mais o plac ti plac do trem estava me ajudando a passar as estações, todas, que era parador domingueiro. Comecei a olhar assim, descaradamente, para cada um, observando seus gestos e seus jeitos, e nada, nem um olhar em resposta. Ver um rito daquele em pleno trem não trazia o perigo de que eles pensassem estar eu a um passo de me atirar aos seus pés para, com a Bíblia na cabeça, me entregar ao salvador. Eu curtia o ritmo, minha cada vez maior paixão pelo blues é que de certa forma me adestrava a audição. Meu ouvido atento colhia os lamentos roucos dos assessores. Até ia bem, se me mantivesse nisso. Vi, no entanto, que o rapaz leve, de tanto falar, tinha a boca seca, os lábios colavam, bem, sem mais detalhes. Talvez por isso não o olhassem de frente? Não, não, aquelas pessoas em sua maioria estavam habituadas a essas coisas, iam a pé-sujo, comiam mocotó etc. Tudo isso ia passando pela minha cabeça até que acenei para o vendedor de água suspeita, torneiral. Comprei, e repentinamente me levantei e avancei para ele, que ia para lá e para cá. Acho que queria mostrar nobreza. Ofereci a garrafinha, que lubrificaria seus lábios, mas ele passou por mim como se eu com minhas sete @s nada significassem, me deixando sozinho em pleno palco de alumínio. Ele estava em um transe. Tive que voltar para o banco disfarçando minha ação inútil, e mergulhei numa poesia estacionada há quatro estações, poesia fabricada, acho que já manjei como se constrói.&lt;br /&gt;Ainda bem que era São Cristóvão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De Autobiografia inventada&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5620123523413884760?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5620123523413884760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5620123523413884760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/shekinah-no-vagao.html' title='Shekinah no vagão'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-9002792028273417292</id><published>2009-02-13T21:19:00.024-02:00</published><updated>2009-02-14T20:08:54.102-02:00</updated><title type='text'>Nem dei bola pra Mephisto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mantenho a dignidade, postura que ficou nessa guerra pesada e invisível. Até o diabo se enviou para que eu beijasse seus dedos da mão esquerda. Ele estava num jovem de 25 anos, moreno, que repentinamente foi possuído, depois de afetar algum preceito. O jovem tirou a roupa e arrancou a cortina vermelha da salinha, aquela linda que eu trouxe do Ceará. Depois começou a falar como aquelas sombras de testemunhas falam na tv. Vi que a coisa era séria porque o jovem já não tinha mais suas próprias feições, superando Denise Stoklos, só que ele nem sabe o que é técnica de mímica. A criatura olhou enviesado para mim e perguntou o que queria, porque nunca vinha à toa. Ora, eu estava satisfeito com a visita do cavalo, porque me embebedara junto com ele e me divertia. Era só uma diversão assim, como dizer, profana. Agora tinha um lobo feroz rosnando para mim entre a cama e a parede. Busquei lembrar que talvez oferecendo algo, mas ele fez um movimento leve, e de sobrevoo, alcançou a outra sala, arrancando a tal cortina. Esperava que eu falasse. Por um átimo pensei em falar de Fausto, mas algo me impediu insinuando que essas forças não tem tempo de ler. Algo insistia que talvez eles venham de algum redemoinho ébrio, e comandam movimentos e ações para fora da reflexão. Ou talvez montam-se em desejos nebulosos - e morem em nuvens vermelhas. Lembrei do texto: &lt;em&gt;o que foi, torna a ser. O que é, perde existência. O palpável é nada. O nada assume essência.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era preciso tomar uma atitude, porque a cena era forte demais para silêncios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembrei que tinha uma cachaça de Minas, antiga, que eu reservava para caipirinha de lima da Pérsia, e coloquei uma dose. Ele pegou o copinho, cheirou, não libou, e chupou o álcool sem perceber que ia junto uma pequena mosca, dessas que tem uma plumagem de asinhas brilhosas, só vi na hora. Dei-lhe um charuto que guardava da viagem do meu amigo Alex à Cuba, porque o outro fumei e quase morri, era para bocas de revolucionários e altos executivos. Ele tragou com tanta força que eu quase disse: cuidado, não trague! Mas eu estava mecânico demais na cambonagem tentando ver que hora ia baixar o pano, porque nunca vivenciara isso ( sempre fico lerdo ou cético em situações-limite). O charuto virou uma brasa de 5 cm e o cheiro do fumo cubano perfumou a sala. Percebi que a janela estava aberta e, apesar do avançado da hora, a vizinha do alto certamente espiava, ela sempre espiava as movimentações por suspeita secreta dos vizinhos, expiam principalmente por isso. Fui fechar a janela e, quando dei por mim, ele estava no jardim, tinha escapado pela porta sem que eu ouvisse a chave girar. A Lua cheia iluminava a tudo com uma precisão prata, e destacava ainda mais a capa vermelha que lhe adornava os ombros e o corpo marrom nu. Pronto, só faltava agora a cachorra atacá-lo. Nada. Ela deitou-se no fundo da casinha num silêncio curioso e inédito, com olhar baixo, acompanhando minha reverência ao desconhecido. Olhei para ele e disse, sussurrando, com respeito sacro: nada mais tenho a lhe oferecer. Menti, tinha uma bagana. Ele se abaixou com classe de tenista ao lado do gramado e arrancou um punhado de terra, justamente no lugar onde eu plantara as sementinhas do Vale do Matutu. Droga! Era um lugar cuidado como um bebê, pois eram sementes de uma árvore de flores espetacularmente lindas, lilás na ponta e amarela dentro. Um trabalhão para retirar da reserva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi, no luar, que ele amassava a terra em sua mão curva, e que cuspira para transformá-la em barro. Depois me ofereceu a bolinha. Disse: Abre e peça. Feche e me dê. Suas frases imperativas impediam retruques. Peguei a bolinha, abri o barro úmido ainda tentando sentir alguma sementinha, e falei baixinho para a nesga da terra: -vá-se-embora-. Ele me olhou dentro do olho, como um romano, e riu em sequência, à época com trema... Foi o único momento que a cachorra rosnou e a janela da vizinha lá em frente se trancou. Ele se desfez, deixando o rapaz de joelhos, sangrando o nariz. O rapaz ruiu. Desinfetei a sala com enxofre, velho mas eu tinha (aprendi na Odisséia ), café e canela ( li no Verger ), enquanto o carinha consertava no banheiro as últimas sensações do senhor proibido, e esperava meu convite para que vazasse súbito.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;De Autobiografia Inventada&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-9002792028273417292?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/9002792028273417292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/9002792028273417292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/nem-dei-bola-pra-mephisto.html' title='Nem dei bola pra Mephisto'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3304796522885415184</id><published>2009-02-11T09:31:00.006-02:00</published><updated>2009-02-12T11:35:27.145-02:00</updated><title type='text'>Janela do Céu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ninguém pode descobrir os segredos das cores do entardecer, a montanha desenhando faces. Dimensões escondidas. E as caminhadas, terra mais acima em seis horas. Liga-se o automático que a manhã permite, e senta-se na nascente. O olho da terra jorrando água, a janela do céu pagando em ouro a penitência de sedentários, fumantes e obesos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do alto das árvores os gaviões nos observam. Eles esperam a movimentação das corais e cascavéis, quando andamos e as tiramos sem saber dos ninhos no tropeço das botas. Esperam também seu banho de sol e seus cheiros da manhã. Os gaviões esperam seu banho de sangue, mas isso é bonito. Há horas que a cadeia de montanha se desenha mar – e as ondas cinzas parecem sobrepujar os olhos, criando sequências de linhas do horizonte e ilhas, acima. Como é bom estar sozinho. Agora o Sol se escondeu atrás da montanha, todos os bichos correm para o meio da trilha – estão indo atrás de sua luz, divindade móvel. Os lobos se espreguiçam para acordar. Bateu a noite repentina.&lt;br /&gt;Os lobos gostam da lua e das latas noturnas que os turistas entopem. Passam ao largo as vozes dos montanhistas – os banhistas das águas geladas, os comentadores dos lugares. Há um fio de luz por sobre a montanha – estoura em dourado fosco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Sol revela ainda faces e mais faces num mosaico instantâneo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, meu movimento, montado em navegação dúbia-provisória, vela sem querer margens. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3304796522885415184?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3304796522885415184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3304796522885415184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/janela-do-ceu.html' title='Janela do Céu'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-3517761694972168000</id><published>2009-02-07T11:44:00.009-02:00</published><updated>2009-02-11T10:35:32.267-02:00</updated><title type='text'>Outra montanha</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Esforçava-me para sentir que ali morara meu avô, mas o que via mesmo era um povo desconfiado da minha presença e um temor adaptado em sisudez, por um terremoto acontecer a qualquer instante, semelhante ao que detonara a igreja de São Niccola. O que me impressiou mesmo não foi ver a casa reformada, onde habitara meu avô, mas a mulher camponesa que do meu quarto do hotel eu focava por força do ângulo. No fim de tarde ela pastoreava as galinhas, e todos os pertences de seu quintal iam aos poucos sendo postos para dentro de sua cabana. Um banco grande, de madeira, parecia bem pesado, fui ao banheiro, quando voltei cadê o banco? Eu, em dois dias, me acostumei com aquela senhora pelando tomates, solitária nas suas roupas cinzas, manchadas, seus lençóis encardidos. Ela domesticou meu olhar que vazava daquele hotel para idosos onde fui jogado por falta de opção na cidade. E depois, o melhor: eu abria a janela e aos poucos o cheiro do fogão à lenha entrava trazendo junto um cheiro úmido de tomate cozido com manjericão. Quando resolvi descer a pé até Lago Negro, porque a cidade resolveu me deter no carma, nem sequer imaginava os lugares que a carona na subida me roubara. Casas de pedra, ângulos para a sequência de montanhas, fábrica caseira de macarrão, eles postos secando ao Sol. Criação de dálmatas, uns quarenta correndo num cercado – onde pedi água. Trata-se bem um forasteiro na Itália, herança grega, vai que é um deus. O homem me serviu a água numa taça quase de prata, lembro que meus dentes morderam a borda por volupia, autônomos, pela beleza do objeto. Vi também gaviões gritando sobre mim, avisando a invasão de área, ou se um áugure lesse para mim mensagens dos antepassados... Andei uns cinco quilômetros, pois surgiu um carro com um cara bem simpático que me cobrou a gasolina depois, contou que minha família era de artesãos do mármore e descemos para a bela Maratéia - cheia de vogais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-3517761694972168000?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3517761694972168000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/3517761694972168000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/outra-montanha.html' title='Outra montanha'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1732533228781222045</id><published>2009-02-05T15:04:00.013-02:00</published><updated>2009-02-06T23:29:56.095-02:00</updated><title type='text'>Transe</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Uma sensação de força nos traz a viagem, de potência máxima do espaço, e também a do tempo. Quando estamos em circulação direta, e tantas vezes torta, em trânsito, nada pode ser extático na mente. Parece que um primitivismo nômade nos traz um novo antigo: nossa natureza, adaptada ou submetida à fixidade ( palavra feia! ). Há um ar de soberania sobre as ruas, as lojas, os parques e jardins. Se viajamos a esmo, isso assume uma proporção ainda mais alucinante: tudo parece estar disposto para nós. Circular estabelece um poder sobre esses lugares. Houve um tempo em que até mesmo confundia os nomes das cidades, num relaxamento total, num deixar para lá toda e qualquer referência. A rodoviária, o aeroporto e a estação ferroviária, o porto, são portais sagrados. Tudo passa a ser uma novidade inesperada e tudo é passível a ser desfeito, as rotas, os horários, tudo. Percebe-se bem essa sensação pela ausência dela também, quando estamos prontos a partir e abandonar uma cidade e, de repente, temos que recuar por algum problema. Voltar ao quarto que abandonamos nos dá uma sensação ruim, de retorno, a casca. Retorno é a antítese do movimento, é sufocante quando regressamos sem desejar e percebemos que aquele espaço já não é mais nada. Isso aconteceu algumas vezes comigo, e sempre tinha que mudar de hotel, ou, pelo menos, de quarto. Quando partimos, e sentimos o vento na cara, abandonamos toda e qualquer possibilidade de ver o local como espaço estático, e aí temos essa sensação de nômade. É um vigor, um transe, e realmente só quem a vivenciou poderá entender isso. Lembro que uma vez não conseguindo sair de Ibitipoca ( lugar apreciado demais da conta! ) por não conseguir o ônibus enfrentar a estrada, fui ficando sem espaço na pequena parada. A bolsa, a garrafa d'água, a mão no bolso e o olhar de adeus que dava para tudo faziam-me crer que tinha que sair dali naquele instante. Um caminhão cheio de coisas na carroceria, sacos de milho, de batatas, umas ferramentas cobertas, foi parado pelo meu vigoroso aceno. O motorista não acreditava que eu desejasse subir embaixo de chuva naquele espaço perigoso. Mas queria. Aquele era meu portal e, encharcado com mais três casais, que eu animara a subir também, desci em pé na boléia por 30 km vendo a cortina de chuva nas montanhas azuis e cinzas. Essa sensação de liberdade nem uma Toyota equipada com Vivaldi, cristalino, me daria. Cobri minha bolsa com uma lona amarela surrada, tirei a camisa e senti o corte da chuva, suas lambadas, sua força contra minha barriga quase normal, pela dieta de 10 dias de pequenas porções de arroz integral sem sal. O caminhão escorregava na lama, no precipício, e nem isso, esse medo, estragava minha sensação imperiosa. Lembro que via do alto as misturas de luz da Mantiqueira, e a invasão rápida do meu olhar sobre o fim de tarde dos moradores da montanha, o cheiro do feijão com paio. Homens carregando às pressas a lenha que molhava, meninas de vestido de chita, coloridos, repentinamente saltitantes, senhoras com expressão de invencíveis. O caminhão patinava na estrada lisa e, vez por outra, olhava os casais encolhidinhos embaixo da capa da barraca, rindo como se fizessem uma peraltice. Eu apenas amava a mim mesmo, e eu era aquilo tudo junto, eu estava possuído de um desejo absoluto. A ele aderira no êxtase das imagens que o vento e a chuva embaçavam.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1732533228781222045?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1732533228781222045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1732533228781222045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/transe.html' title='Transe'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-533259617420852884</id><published>2009-02-02T12:21:00.015-02:00</published><updated>2009-02-04T11:48:00.329-02:00</updated><title type='text'>Forum est mara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O melhor de encontros como o Forum Social não é a demarcação que fazem dele.&lt;br /&gt;Opiniões suspeitas, ditadas de longe, como se ansiassem chegar por lá, mas impedidos por uma névoa de preconceitos. Li algumas coisas na imprensa. Alguns insistiram que tratava-se de um Woodstock da esquerda, com muita erva queimada e muita camisinha usada. Enfim, um paraíso onde se acenderiam velas e charutos não para as divindades da floresta, mas para Epicuro. É estranho imaginar como existe ainda quem faz sexo ou se permita a algo além de análises sisudas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A festa e o corpo sempre foram repulsivas para os adoradores do além.&lt;br /&gt;O mundo para esses senhores e senhoras é sério e enrugado como a testa do mega-especulador atualmente. Parecem dizer: não, não podem brincar assim. O nosso mundo é sério ( e perigoso ). Nós o construímos com suor, lágrimas, guerras e pensamentos, não brinquem com ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existe outro mundo? Existe. O Forum prova isso. E a eleição de Obama também. Há no mundo muitos caras pálidas irritados com a ascensão de Obama, como se sequestrada pelo povo a arrogância dos discursos da potência. Os destemidos e sérios e conservadores se contorcem, escondem em análises antecipadas desejos de má sorte para uma atitude nova e ética, que representam fraqueza para eles. Vivem na esfera da força e da conquista, como se predestinados ao comando.&lt;br /&gt;Queriam porque queriam reduzir o encontro a uma arquibancada para os líderes oficiais do continente. Como se as diferenças e defeitos dos presidentes, enaltecidas e eivadas de caricatura, contaminasse a intenção do Fórum - uma intenção estrangeira a quem só sabe ditar nortes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma falácia completa, no entanto. O Forum é tão plenamente diversificado que os discursos nem centram em pessoas, autoridades ou presidentes. Aliás, o tom anarquista do encontro ( olha o horizontal aí ) não permite que aja uma direção ou controle. O Forum é uma reunião dos que, na sociedade, não são meros expectadores.&lt;br /&gt;E essa idéia antiga de se ir construindo à revelia da sociedade, leis e progressos, tem sido combatida nas últimas décadas por causas de ações e reuniões como as do Forum.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É preciso estar atento e forte,&lt;/em&gt; e interferir.&lt;br /&gt;Importante mesmo é perceber que os índios acenam com um alarme, eles que também foram atacados, e ainda são, por tantas invasões. Devem agir as autoridades constituídas, que é para isso que existem: ou se faz uma intervenção urgente ou a Floresta Amazônica vai acabar mesmo, e logo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Ministro Minc falou que vigilância só não basta, é preciso um projeto auto-sustentável para asssegurar que a Floresta se mantenha em pé. Ministro: &lt;em&gt;hodie&lt;/em&gt;. Rápido, é disso que falam os índios. Uma obviedade que esse mundo criado pela bolha especulativa e do lucro mágico não deu certo, é certo, mas nesse mundo o óbvio é relatado e discutido ad nauseam ( quanto latim ). Precisamos criar projetos para manter a Floresta. Quem discorda disso? Vai em frente Ministro. Acene o sinal vermelho logo, alardeie, chame a atenção para isso de forma definitiva.&lt;br /&gt;Ação urgente, mesmo que parte da população – ou sua elite que se acha pensante - tenha que rever suas análises ou seu apetite.&lt;br /&gt;Faça Ministro, aja, mesmo que isso signifique que os sérios paguem mais ou deixem de comer seu pedaço de boi. E se, nesse governo, o discurso disfarça a prática, denuncie.&lt;br /&gt;Procurem outro sangue. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A soja e a pecuária avançam para sustentar o vampirismo e o intelecto de gente que consegue apenas produzir derrocada. E devastam rapidamente a grande Floresta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-533259617420852884?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/533259617420852884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/533259617420852884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/02/forum-est-mara.html' title='Forum est mara'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5247523490848444395</id><published>2009-01-22T18:04:00.007-02:00</published><updated>2009-01-24T11:11:02.352-02:00</updated><title type='text'>Orla</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;...&lt;br /&gt;Mas se ele, o filósofo, abraçou o cavalo que estava sendo chicoteado, tentando revelar-lhe sua própria força, eu também tenho dessas. Outro dia abracei em Copacabana uma velhinha que parecia desmanchada pelo tempo. Foi no calçadão. Ela vinha lenta, com a bengala e a enfermeira. Seu pescoço tombava para baixo, vendo apenas os desenhos famosos da calçada. A brisa a pegava de lado e ela pendia gingando como se remasse no cimento. Sorri para a enfermeira, assim como se pede licença para ver um bebê no carrinho, e toquei sua mão rugosa, manchada, mole. Ela parou, pensando ser algum conhecido. Eu me enfiei por baixo e, delicadamente, muito mais que suavemente, a abracei. Senti que seu toque tinha a generosidade dos anciãos. Beijei sua mão repousada na bengala e com a outra ela me abençoou, largando-a cheia em minha cabeça. Nada falamos. Nem olhei para trás, um choro convulsivo de alegria me assaltou como se eu tocasse o tempo, seu fio, seu frescor, sua vitalidade. A longevidade daquela senhora era a pura vontade de adorar a vida, o que ela cumpria sempre, mesmo se arrastando pela orla, sacudida pelo vento, torrando no sol das oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( de Autobiografia Inventada ).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5247523490848444395?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5247523490848444395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5247523490848444395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/01/veja-bem-se-no-foi-nietzsche-quem-me.html' title='Orla'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-8698515137391318769</id><published>2009-01-22T15:40:00.003-02:00</published><updated>2009-01-22T17:51:08.965-02:00</updated><title type='text'>Aquário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Precisava do ar. Agora posso até ver de novo o &lt;em&gt;barbone &lt;/em&gt;tomar banho de poça na Paulista, ir ao pulguento cinema dos homeless ( que passa mostras imperdíveis ), que tudo isso em Aquário perde aquele peso hebraico da terra, do Crônus inerte e indecifrável. Agora fica tudo menos a sério - porque sabemos que vem o ar do futuro. Sabemos que Deus, quando brasileiro, perdoa mais, e entendemos Sartre: suas angústias, quando não nascidas, esperam sem carga no limbo, mas quase indecisas se nascem. Ficamos em Aquário na Era do signo, leves como manda o figurino. E olhe, logo ali está Dionísio nos chamando para sua passarela&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-8698515137391318769?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8698515137391318769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/8698515137391318769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/01/aqurio.html' title='Aquário'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-1658274365755799109</id><published>2009-01-22T13:41:00.011-02:00</published><updated>2009-01-23T21:55:43.147-02:00</updated><title type='text'>IDÉIA</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#333333;"&gt;Hoje, ainda, vejo a mulher portuguesa que poeta sussurrando na tv minha língua sem vogais, outra cadência. Disso resulta - dificulta - meu entendimento. Ó português, nós reconhecemos suas vogais – te demos trejeito pós-mar. Malemolengueamos sua sonoridade, abrasileiramos suas fôrmas. Você virou brasileiro, português. E quero ver alguém me obrigar a escrever ideia. IDÉIA. IDÉIA. IDÉIA.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-1658274365755799109?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1658274365755799109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/1658274365755799109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/01/idia.html' title='IDÉIA'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-949970819137584305.post-5920082566583101328</id><published>2009-01-22T13:07:00.012-02:00</published><updated>2009-01-22T15:13:21.229-02:00</updated><title type='text'>Amanhã</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#333333;"&gt;Ele vem amanhã – como a chegada da ânsia, da anciã que se escala na igreja de pedra. O cheiro de pão na esquina, o jornal mecânico – as febres amarelas e brancas, a febre do mercado doente, oscilante. Vai chegar no canto do galo, e no adiantar da luz no relógio de Sol, mesmo sem se entender direito sua jóia. Vai existir - libertário - o 23 de janeiro, apesar da vontade do facínora, do gajo engajado, da rapariga (s) comparsa, do presidente convencido, do nunca nesse sítio, vai existir o amanhã - sem que eu resista à sua aparição. A aparição de Obama nos deixou sem culpa de sermos humanistas. As vozes vampiras, que sugam a energia trevosa das guerras, sumiram. Por ora. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sua mulher, Iansã, indo na frente, abrindo caminhos.&lt;br /&gt;E no Dia de Nosso Senhor do Bonfim, Oxalá, pensei, relâmpago: e agora que mudei de panteão? Deixei para trás a crença de que algo se interfere entre mim e meu destino. Cultuo a sorte, esse raio desgovernado que acabará caindo sobre mim, sem mérito ou rezas. Oxalá ocorra, magari se faça, o banho de cheiro da sorte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;P.S: vocês que me mandam e-mails, obrigado, mas o blog se faz assim. Sem compromissos, nem com academias estéticas, nem com projetos de escrever igual a. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Fácil fazer um, é de graça, aí em cima explica-se: são três passos. Abraços.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/949970819137584305-5920082566583101328?l=alanviola.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5920082566583101328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/949970819137584305/posts/default/5920082566583101328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alanviola.blogspot.com/2009/01/ele-vem-amanh-como-chegada-da-nsia-da.html' title='Amanhã'/><author><name>Alan Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04851910977451662382</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/-csl_NDTj7Yk/Tkrb_EmdqCI/AAAAAAAAALc/WesWARdf8R0/s220/Alan%2BFB.jpg'/></author></entry></feed>
